Sabrina Noivas 122 - The Blacksheep Princes Bride

Ela queria solucionar um problema... e acabou arrumando outro!
Rowena Wilde estava determinada a obter algumas respostas a respeito do inexplicvel desaparecimento do rei Michael. E comeou a fazer isso se passando por bab do filho de Jake Stanbury, principal suspeito do crime. Mas logo descobriu que por mais que tentasse provar que Jake Stanbury era culpado, mais acreditava em sua inocncia. Quando Jake lhe props um casamento de convenincia, para manter a guarda do filho, Rowena hesitou em aceitar. Poderia ela aceitar a temporria unio, quando seu corao implorava para que Jake ficasse com ela para sempre?

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Srie Royally Wed (Famlia Real Wyndham)

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 - Ebook
02 - Undercover Princess (1999) - Suzanne Brockmann
03 - O cavaleiro da princesa (The Princess's White Knight) - Carla Cassidy - Sabrina 1123 - Ebook
04- The Pregnant Princess (2000) - Anne Marie Winston
05- Man... Mercenary... Monarch (2001) - Joan Elliott Pickart


Srie Royally Wed (Boda Real)

01 - Minha Doce Inimiga (A Royal Masquerade) - Arlene James - Julia 1086 - Ebook
02 - A Royal Marriage (2000) - Cara Colter
03 - A Royal Mission (2000) - Elizabeth August


Srie Royally Wed: The Stanbury Crown (Famlia Real de Edenbourg)

01 - The Expectant Princess (2001) - Stella Bagwell
02 - Prncipe ou Sapo? - (The Blacksheep Prince's Bride) - Martha Shields - Sabrina Noivas 122 - Ebook
03 - Apelido: Prncipe (Code Name: Prince) - Valerie Parv - Julia 1141
04 - Corao traioeiro (An Officer and a Princess) - Carla Cassidy - Bianca Duplo 762
Obs: Pelo Harlequineras, o 1 livro desta srie  The Prince's proposal - Carla Cassidy (Leitura online).


Srie Royally Wed: The Missing Heir (O Herdeiro Perdido)

01 - A Procura de um herdeiro (Of Royal Blood) - Carolyn Zane - Sabrina 1247 - Ebook
02 - In Pursuit of a Princess (2002) - Donna Clayton
03 - A Princess in Waiting (2002) - Carol Grace
04 - A Prince at Last! (2002) - Cathie Linz

Captulo 1

Rowena Wilde detestava aquele lugar. Construda h trs sculos, em granito, a Manso Dowager era um lugar lgubre; assentava-se sobre o penhasco, como uma rvore velha, encurvada, protegendo-se do vento soprando dos mares do norte.
Ela estremeceu ao parar diante da entrada, uma das mos no frio porto de ferro batido. Seus olhou pousaram no portal s escuras. Lembrou-se dos tempos em que vinha at ali acompanhando a princesa Isabel, em visita  sua av, que falecera h trs anos. Costumavam tomar ch na sala de visitas sombria, com as pesadas cortinas de veludo fechadas, encobrindo a claridade do sol.
Rowena soubera que teria de viver ali quando ela e Isabel maquinaram aquele plano. No entanto, ela esperara que Jake Stanbury se recusasse a aceit-la como bab de seu filho.
A manso era cheia de fantasmas, e Rowena nunca se sentira tranqila no meio deles. Mas havia outra razo. Jake Stanbury. Sozinha, qualquer uma das perspectivas era aterrorizante o suficiente. As duas juntas, ento...
Ela tornou a estremecer apesar da tarde brilhante e ensolarada de abril.
Ambos, Jack e a manso, a faziam gelar, mas por razes diferentes, embora ambas se relacionassem ao medo.
O que era ridculo.
Tomou flego e ergueu a cabea, decidida. No havia o que temer. A residncia no passava de um monte de pedras, e ela poderia acabar com aquela atmosfera sombria, abrindo as cortinas e deixando o sol entrar, ou acendendo a luz.
Quanto a Jake Stanbury...
Bem, ela viera at ali com um propsito. Contanto que no o esquecesse, estaria segura.
Rowena forou um sorriso. Sua me sempre dizia que o melhor modo de se vencer o medo era ficar sorrindo, o tempo todo. E sua me quase sempre acertava. Enquanto estivesse sorrindo, ela no poderia gritar.
Rowena abriu o porto, desejando no se sentir como a Bela Adormecida prestes a espetar o dedo.
- Vou te pegar, malandrinho...
Jake Stanbury parou, a mo ainda na maaneta da porta de madeira macia e intrincadamente entalhada. Reconheceu a voz de imediato.
Rowena Wilde. O tom meio sinistro na voz da nova bab o alertou. Parecia confirmar a possibilidade que lhe ocorreu, quando sua prima, a princesa Isabel, sugeriu o nome da sua dama de companhia para ser bab de seu filho de dois anos... a possibilidade de ela ser colocada em sua casa como espi.
Mas que diabos ela poderia fazer? Bisbilhotar em seus papis? Vaguear atravs da velha manso que lhe fora designada atrs de provas contra ele? Mas e se ela saqueasse suas coisas com Sammy estando perto? Ser que simplesmente diria a ele que seu pai era suspeito de envolvimento com o seqestro do rei de Edenbourg?
- Vou te pegar, Sammy-Jammy... pode contar com isso. Uma risadinha abafada seguiu suas palavras.
Jake respirou aliviado. Eles apenas brincavam de cabracega. Balanou a cabea e fechou a porta. Colocou a maleta no cabideiro do saguo.
Isso era o que o todo estresse do ms anterior lhe causava. Suspeitar de uma doce, e bela, jovem mulher de bancar a MataHari era demais. A maior intriga em que Rowena j estivera envolvida provavelmente fora tentar descobrir qual das criadas chamuscara o vestido favorito da princesa.
Jack tirou o palet e pendurou-o no cabideiro. Ento seguiu as risadas e os gritinhos, em direo  porta da sala formal, pesadamente decorada em estilo Gtico.
Com uma faixa de pano amarrada atrs da cabea, cobrindo-lhe os olhos, os braos estendidos  frente, Rowena Wilde tentava encontrar Sammy na ampla sala sem nada enxergar.
O garotinho a observava, escondido debaixo de uma mesa, a mo cobrindo a boca, para no rir.
Era uma brincadeira bem simples aquela, porm Jake jamais a brincou com o filho. De imediato ele esqueceu as suspeitas. A felicidade de Sammy era mais importante. E ele parecia se divertir imensamente com a pequena Rowena Wilde.
Desde que a me os deixara, Sammy passara a sofrer ataques de pnico toda a vez que, precisando se ausentar, Jake o deixava aos cuidados de uma bab. Mas ele era forado a recorrer a elas, e raramente conseguia contratar a mesma pessoa por duas vezes.
Estava determinado a proporcionar ao filho um lar estvel, e, no podendo ficar com ele vinte e quatro horas por dia, esperava que uma bab contratada em perodo integral acrescentasse alguma estabilidade  vida do garoto.
Jake era advogado, e dos bons, e, embora no precisasse trabalhar para viver, sua expertise quanto  fuso de empresas andava em alta ultimamente. Ele recebia ofertas que no poderia recusar. Como aquela que lhe fora apresentada na semana anterior, para ser o conselheiro de seu primo Nicholas, rei interino de Edenbourg.
O trabalho tambm era uma forma de mant-lo ocupado. Jake sabia disso, todos sabiam disso. Por outro lado, o fato de Nicholas precisar de seus servios era simplesmente uma forma de poupar a famlia real do embarao de pedir-lhe para que no deixasse o pas, retornando  Amrica, enquanto fosse investigado qualquer envolvimento seu com o desaparecimento do rei Michael. O desaparecimento de seu tio.
Reconhecendo a frustrao nos prprios pensamentos, Jack procurou se concentrar na brincadeira entre a bab e seu filho. A risadinha de Sammy denunciou sua presena, e claro, levou Rowena em direo ao garoto. Mas ela pisou em falso e cambaleou. Comicamente tentou apoiar-se na mesinha, derrubando o, abajur e os enfeites sobre ela. Sammy ria sem parar. Jack no pde conter um sorriso, embora a ternura em seu corao fosse toda dirigida ao filho. Definitivamente, no era para a bela jovem ruiva com os olhos vendados, caminhando aos tropeos pela sala de estar.
A nica coisa que ele poderia sentir por Rowena Wilde era gratido. Por fim encontrara algum com quem podia deixar Sammy, e sentir-se bem fazendo isso. Algum que j provara ser capaz de acabar com os ataques de pnico e com a excessiva timidez do garoto.
Jack recostou-se ao batente para observar a brincadeira, porm endireitou-se um instante depois. Houvera mudanas ali.
No houve tempo para pensar no que o banquinho do sculo passado fazia ali no meio da sala. Lanou-se em direo a Rowena, pulando sobre o sof, procurando alcana-la a tempo e impedir que tropeasse.
Mas no pde evitar a coliso. Segurou-a pela cintura, antes de cair de costas no cho, levando-a com ele.
Rowena no gritou enquanto caa, apenas emitiu um murmrio surpreso antes de tombar diretamente sobre Jake, as pernas escarranchadas, uma delas sobre a dele, o rosto enterrado em seu peito.
- Mas o que...
Graas ao antigo tapete oriental sobre o piso de madeira amortecendo a queda, Jake no machucou as costas. Mas no pde evitar que seu corpo reagisse, sobretudo quando Rowena comeou a se movimentar, tentando libertar as mos para retirar a venda dos olhos e levantar-se.
Embora Jake negasse aquele sentimento toda a vez que vinha  superficie, seu corpo no escondia a atrao que ele sentia por Rowena; desde o primeiro instante em que a vira. E, naquele momento, seu corpo fazia sua mente lembrar-se de que, a qualquer momento, se renderia s fantasias que vinha tendo com aquela moa, e com seu corpo deliciosamente curvilneo.
Jake jamais tivera tal reao, apenas pela proximidade de uma mulher. Nunca. Incluindo sua ex-esposa.
- Papai!
O grito do filho o fez despertar do transe e recuperar o controle. Segurou os quadris de Rowena para impedir que ela continuasse se mexendo, mas isso s piorou a situao. Ter as mos em suas ndegas despertou sua libido. Suas curvas eram suaves e calorosas, assim como o cheiro de rosas impregnando-lhe os sentidos.
Jake s esperava que Rowena estivesse por demais atordoada para notar o que estava acontecendo ali.
Quando ela conseguiu livrar uma das mos e, com um puxo, arrancou a venda dos olhos, um instante de surpresa iluminou os lindos olhos, extraordinariamente expressivos. Naqueles olhos castanho-dourados surgiram um brilho prazeroso.
- Sr. Stanbury?
Ou seria mais um truque de sua mente?
Ele no pde dizer, porque o prazer foi rapidamente mascarado pelo ar preocupado.
- Voc est bem? - Rowena quis saber.
Saindo de sob a mesa, sem a menor cerimnia, Sammy atirou-se sobre os dois.
Devido ao peso extra, Jake emitiu um suave gemido. Rowena procurou levantar-se.
- Oh, por Deus, Sammy. Levante-se. Estamos esmagando seu pai.
Jake sorriu.
- No seja tola.
Rowena no podia se mover com Sammy esparramado sobre ela.
- Acha que  tolice eu querer que voc respire? Ele deu uma risadinha.
- Vocs dois juntos pesam menos do que uma pessoa normal. Ela franziu as sobrancelhas, como se no pudesse decidir se ele a insultava ou elogiava.
- E sempre h pessoas normais sobre voc?
- Vezes suficiente para eu saber o que estou dizendo. - Papai, adivinhe o que aconteceu?
- O que foi, Sammy? - Rowena est aqui.
O sorriso de Jake alargou.
- Eu sei que est. Neste momento, tenho seu cotovelo enterrado nas minhas costelas. Ou ser o joelho?
- Por que voc no disse logo? - Ela por fim deu um jeito de soltar-se.
- Eu disse.
Jake sentou-se, trazendo Sammy com ele. E gelou de imediato. Rowena se ps de joelhos sem perceber que alguns botes na frente de sua blusa de seda estavam abertos. Ele teve uma clara viso dos seios adorveis e fartos, mal escondidos pelo suti de seda preta que devia ser o orgulho da Victoria's Secret, a famosa marca americana de lingerie.
Enquanto ele engolia em seco, Sammy aproximou-se de Rowena, que depois de abotoar a blusa sentou-se no cho  moda indiana, ajeitou a saia que modestamente cobria-lhe as pernas, e sorriu calorosamente para o garoto antes de senta-lo no seu colo. 
Jake ficou grato por Rowena ter arrumado a blusa, sem imaginar o quanto ele desejava soltar cada um daqueles botes, lentamente, e...
- Agradeo por ter tentado impedir que eu casse, sr. Stanbury, embora no fosse necessrio.
Jake voltou  realidade com um forte piscar de olhos. - Acha que no? Voc poderia ter quebrado o pescoo.
- Duvido que chegaria a quebr-lo. - Seu sorriso tinha algo de malcia. - Como voc fez questo de apontar, no sou to alta, o que significa que meu pescoo est mais perto do cho do que o seu.
Bonita, inteligente e divertida. Jake sempre admirou pessoas capazes de rir com facilidade. Era uma demonstrao de inteligncia e de segurana, alm do normal.
Droga.
Que diabos fazia ele ali, sentado no cho? A ltima coisa que devia fazer era permitir que sua libido o levasse  trilha da destruio. J permitira que acontecesse.
Annette se apossara de seu corao para em seguida faz-lo em pedaos, que atirou em seu rosto ao sair de casa para ir viver com outro homem, um com mais dinheiro e com mais ambio.
E Jake tinha a impresso de que Rowena tinha mais em comum com Annette do que apenas beleza.
A dama de companhia de sua prima sempre constava das listas dos mexericos mais quentes do palcio. Jake sabia que os rumores quase sempre eram inconsistentes. Ainda assim, obtivera informaes suficientes para formar um quadro nada lisonjeiro sobre ela.
Rowena costumava sair com diplomatas e representantes estrangeiros em visita a Edenbourg, jamais saindo duas vezes com o mesmo homem. Porm, o mais importante, ela nunca saa com algum que no tivesse um ttulo.
Ele entendeu tarde demais que Annette se casara com ele por causa de seu sangue azul. No entanto, ela acabou entendendo que suas conexes com a famlia real de Edenbourg no lhe trariam beneficio algum.
Jake era americano, nascido e criado na Amrica, e no dava muita importncia quele pequeno pais que jamais visitara, ou a uma famlia que nunca lhe enviara sequer um carto-postal. Rowena tambm possua a mesma natureza coquete de An
nette, algo que ele testemunhara nas raras ocasies em que atendera a funes oficiais no palcio. Ela costumava borboletear pelos sales, conferindo seu brilho devastador, distribuindo seu sorriso doce e malicioso entre todos homens presentes... s no para ele. Isso porque Jake no possua um ttulo de nobreza, alis, possua, mas no fazia a menor questo de usar.
Tentou afastar a irritao. Estava grato por Rowena no ter se insinuado com ele. Isso tornava mais fcil ouvir a prpria mente em vez de a libido. Definitivamente, no estava interessado em qualquer tipo de relacionamento com aquela mulher.
Pelo menos, era isso que se mantinha dizendo.
Entrara em pnico quando Isabel sugerira o nome dela para ser a bab de Sammy. Porm, tendo partido de sua nobre prima, era mais uma proposta que ele no poderia recusar.
Durante o ms que foi forado a permanecer em Edenbourg, ele foi capaz de evitar contatos prximos com a adorvel dama de companhia. No entanto, morando sob o mesmo teto, e sabendo que no poderia evit-la, Jake planejara manter a maior distncia possvel dela.
E com certeza no planejara rolar com ela no cho da sala de estar no momento em que entrara pela porta. Tampouco planejara ficar sentado ali, ansiando por pux-la para o colo, afastar seus sedosos cabelos castanhos e beijar a pele suave de seu pescoo.
Droga.
Jake desviou os olhar daquela tentao. O que estava havendo com ele? Afinal, Sammy estava sentado bem ali, no colo dela. s coisas definitivamente no iam bem. A atitude mais inteligente a tomar era dar uma desculpa qualquer e afastar-se. Em vez disso ele disse:
- Jake.
E continuou sentado no cho. - Desculpe... o que disse?
Se pudesse, ele teria dado um murro na prpria boca. Aquela insistncia em faz-la cham-lo de Jake surgira em um momento de fraqueza... depois de ter concordado em aceit-la como bab.
Isso porque certa vez, quando a bab que contratara no apareceu para o trabalho, Jake levara Sammy junto com ele ao palcio. Ao ver o garoto, Isabel simplesmente assentira para Rowena, que dera um passo  frente e em seguida encantara Sammy, a ponto de ele ir embora com ela sem reclamar, e todo sorrisos. Mais tarde, ele retornara do mesmo modo, sorrindo encantado.
Naquele instante, ele soubera que Rowena merecia seu peso em platina, e de imediato lhe ofereceu o emprego de bab. Foi a sua desculpa naquele momento. Qual seria agora? Mas ele precisava terminar o que sua boca iniciara.
- Quando voc concordou em cuidar de Sammy, tambm concordou em me chamar de Jake, no de sr. Stanbury. At selamos isso com um aperto de mo, lembra-se?
- Sim, claro. - Um leve rubor coloriu o rosto delicado e ela forou um sorriso. - Desculpe... Jake. Eu s no quis avanar o sinal.
O modo como ela corou ao dizer aquilo chamou sua ateno. Jake nunca vira Annette ficar embaraada. Sua ex-esposa era to fria e calculista que no seria capaz disso.
Droga. Por que Rowena tinha de agir daquele modo?
J houvera o suficiente daquelas deixas aparentemente insignificantes para faz-lo repensar nas concluses que chegara sobre sua pessoa, para mant-lo pensando que havia mais a seu respeito do que ela queria que se soubesse.
Jake suspirou. Desejava muito conhecer a verdadeira mulher que ela tentava esconder.
Inquieto com tais revelaes, ele nem sequer tentou afastar o sarcasmo na voz.
- Quer dizer que voc no  do tipo que avana o sinal, srta. Wilde?
Ela pareceu chocada com o rude comentrio. Comeou a dizer alguma coisa e hesitou. Ento pressionou os lbios e usou-os para dar um beijo na cabea de Sammy. Daquela posio ela disse com suavidade:
- Se devo cham-lo de Jake, ento voc deve me chamar de Rowena.
Jake era um advogado bom demais para se ver afastado de um assunto to facilmente.
- Claro...
De repente, um raio de luz intenso atingiu seus olhos, chamando sua ateno. Olhando em torno, ele viu os raios de sol da tarde infiltrando-se atravs das janelas, iluminando a sala. Ento notou por que aquilo estava acontecendo. As pesadas
cortinas de veludo haviam sido retiradas, e substitudas por outras, mais leves, embora permanecessem puxadas para os lados. - Espero que no se importe... - disse ela, na defensiva. - Eu no suportaria viver aqui com aquelas cortinas escuras e pesadas. Deixavam a sala com um ar tenebroso.
- Tenebroso? - Sammy levantou a cabea para olhar diretamente para Rowena. - O que  isso?
Ela o fitou.
- Lembra como seu quarto era escuro antes de voc me ajudar a clare-lo? Tenebroso  s mais uma palavra para descrever o escuro.
- Por que no fazemos o mesmo em todos os quartos? Rowena afagou o cabelo de Sammy, em seguida olhou para Jake.
- Se seu pai no se importar.
Jake deixou de lado os ressentimentos. As ambies de Rowena no eram da sua conta.
- Por favor, mude quantas cortinas desejar. A sala ficou bem melhor assim. Tambm no gosto de lugares sombrios, mas no me ocorreu fazer algo a respeito.
Rowena deu de ombros.
- H mais de trs. anos que ningum mora neste lugar. De qualquer modo, cada rainha que passou por aqui redecorou a casa a seu gosto. Apenas tentei poupar a rainha Josephine do trabalho de precisar...
- De precisar o qu? - Jake quis saber quando ela de repente parou de falar.
Os olhos castanho-dourados estavam arregalados ao encontrarem os dele.
- Desculpe-me. Estou falando como se ela estivesse para se mudar para c. Voc deve estar pensando que eu acho que... que... - Que meu tio est morto?
Eia assentiu, os olhos brilhando.
Jake ficou tocado pelas lgrimas inundando seus olhos. Sua emoo era sincera. Ele apostaria todo o seu dinheiro nisso. Rowena se importava sinceramente com o rei, seu tio.
Jake desejou inclinar-se e colocar a mo no brao que ela passava em torno de Sammy, para confort-la. Mas continuou parado onde estava.
-  muito frustrante para todos ns ficarmos sem nenhuma
notcia dele. No conheo meu tio pessoalmente, mas pelo que tenho ouvido falar, trata-se de um bom homem.
Rowena estudou seus olhos, em seguida perguntou: - Acha que ele ainda est vivo?
Jake no desviou o olhar.
- No tenho certeza... Mas se no estivesse, creio que j teriam encontrado... alguma evidncia.
- Voc quer dizer, o seu... - Ela olhou para Sammy, em seguida suspirou. - Desculpe-me.
- Tudo bem. Sei que est preocupada. Todos ns estamos. Seus olhares se encontraram e se prenderam. Os olhos dela faziam as perguntas que seus lbios se recusavam a fazer. Ele teria seqestrado... e morto... o rei Michael?
Aquele era o primeiro indcio de que ela devia estar pensado que sim, e mais uma vez a possibilidade de Rowena ter sido "colocada" em sua casa para espion-lo infiltrou-se em sua mente.
Claro que Jake no era o nico suspeito. Seu primo Nicholas, seu pai, Edward, e Luke, seu filho mais velho, tambm eram. E tinham motivo; tratava-se do primeiro, do segundo e do terceiro na linha de sucesso ao trono, respectivamente.
Jake era o quarto, mas por ter sido o primeiro a ver a mureta da estrada destroada, onde o carro do rei supostamente despencara do alto do penhasco para o mar l embaixo, era o primeiro na lista de suspeitos. Jake chamara a policia, o que fazia dele o primeiro na cena do crime. Todos aqueles fatos se punham contra ele. Pelo menos, perante as autoridades.
Jake supunha que deveria se sentir lisonjeado por o terem considerado capaz de um crime to importante, e que exigia muita finesse e muita premeditao, e tudo isso, tendo acabado de descer do avio com o filho de dois anos no colo.
Mas ele no se sentia lisonjeado. Longe disso.
Vivendo ali, Rowena teria ampla oportunidade para tentar encontrar nenhuma evidncia ligando-o ao desaparecimento de seu tio, o que acontecera no dia em que Jake chegara a Edenbourg.
Claro que no havia qualquer evidncia. Mas eles no sabiam disso... ainda.
O pensamento de ter Rowena remexendo em suas coisas enquanto no estivesse em casa o fez ter vontade de abrir a porta da frente e expuls-la daquela casa.
Ento, se deu conta de que no era o que queria fazer. 0
que ele realmente queria fazer era convenc-la de sua inocncia. Queria que Rowena acreditasse nele, que acreditasse que ele no seria capaz de matar uma pessoa, menos ainda seu tio. Mesmo sendo um tio que no conhecia.
Droga. Aquilo definitivamente no estava comeando bem. Rowena foi a primeira a afastar os olhos.
- A que horas voc gostaria de jantar? A pergunta o surpreendeu.
- Por qu? Pretende cozinhar? Ela assentiu.
- A sra. Hanson foi embora logo que cheguei esta tarde. Creio que ela no gostou de voc ter deixado Sammy com ela. Uma espi que cozinhava? Era uma raridade... A no ser que .ela planejasse envenen-lo. Mas Jake no acreditava que Rowena estivesse ali para acabar com ele. Talvez apenas para tentar descobrir o que ele sabia a respeito do desaparecimento do rei. - Sei que ela no gostou, mas no chamei uma bab porque julguei que voc fosse chegar mais cedo.
- Lamento muito. Houve um problema com Isabel. - Entendo.
Jake pressionou a ponta dos dedos sobre as tmporas. O estresse realmente comeava a afet-lo. Rowena no era uma espi. Ela era uma dama de companhia, uma esplndida pessoa, alm de ser muito boa com crianas. Estava ali para ser a bab de Sammy, no para espion-lo.
Era por isso que Isabel fazia questo de t-lo no palcio a maior parte do dia, para que pudesse observ-lo no conforto da prpria casa.
- Voc no precisar cozinhar. No est aqui para isso. Pegue suas coisas e as de Sammy e iremos comer fora. Conhece algum bom restaurante?
Ela o fitou com assombro.
- Quer que eu v jantar com voc? - Voc no quer ir?
- No  isso.  que... Por que? Seu espanto o surpreendeu.
- Por que quero que v conosco? No sei. Talvez porque ache que esteja com fome.
- Prefiro cozinhar, se no se importa.
- Tem certeza? Eu queria poup-la do trabalho. Cuidou de Sammy a tarde inteira, e sei o quanto ele pode ser exaustivo. - Ele olhou para Sammy, confortavelmente instalado no colo dela. - Sem ofensa.
Sammy deu uma risadinha.
- Estou bem - insistiu Rowena. - E no se preocupe. No vou envenen-lo. Passei a cozinhar para o meu pai quando minha me faleceu. Modstia  parte, cozinho muito bem.
- Eu jamais poderia imaginar... Bem, no importa.
Jake desviou o olhar, cheio de remorso. As palavras dela apagaram os ltimos vestgios da suspeita. Seu estmago escolheu justamente aquele momento para reclamar o fato de ele no ter comido nada desde o caf da manh.
Rowena deu uma risadinha, e por fim relaxou.
- S acho que voc no foi contratada para cozinhar.
- Diga isso ao seu estmago. - Rowena colocou Sammy no cho.
- Sammy e eu estamos com tudo planejado na cozinha. Teremos um jantar preparado em tempo recorde.
Desde que ela parecia to determinada, Jake levantou-se e estendeu a mo.
Rowena continuou sentada no cho, olhando para a mo que ele estendia. Em seguida o fitou.
- Isso no vai envenen-la - disse ele, suavemente.
Ela no retrucou, nem mesmo sorriu. Aps uma clara hesitao, colocou a mo na dele com cautela.
Jake envolveu os longos dedos em torno da mo delicada e puxou-a para cima. Ela era to leve, e ele se sentia to abalado, que no calculou direito e puxou-a com fora exagerada, fazendo com que seus corpos colidissem.
- Oh-oh - disseram em unssono.
Rowena levantou a cabea, e seu olhar de surpresa o hipnotizou. Seus lbios eram suculentos e midos e ligeiramente entreabertos pela surpresa.
Ela tremeu ligeiramente em seus braos. Medo? Desejo? Ambos? Jake podia sentir a mo esquerda pousada em seu peito, enquanto ela pendia em sua direo, uma das pernas sensualmente entre as dele. Desejou fazer muito mais do que apenas beij-la, e aquilo o sacudiu de volta  realidade. Ele no podia toc-la. Ela era por demais parecida com Annette.
Rowena deu um passo atrs um segundo antes de ele solt-la.
- Lamento. Eu vou... eu vou... Ah, sim. Vou para a cozinha preparar o jantar.
Jake a observou enquanto ela deixava a sala.
O desconforto que sentia o alertou a respeito de duas coisas: Rowena tambm se sentia atrada por ele, e lutava contra essa atrao. O nico motivo que lhe ocorreu para tal atitude era o fato de ele no possuir um ttulo.
- Quer brincar comigo, papai?
Jake voltou a ateno ao filho, convencido de que agira acertadamente.
Rowena bateu levemente, antes de empurrar a porta de conexo entre a sala de jantar e a sala de estar. Pretendia avisar que o jantar estava servido.
Porm ela hesitou antes de fazer isso.
Pai e filho encontravam-se sentados em uma das poltronas perto da janela aberta que deixava entrar a leve brisa da primavera assim como o som das ondas batendo contra os rochedos l embaixo. Os ltimos raios de sol atingiam o lado do rosto de Jake, tornando as linhas fortes ainda mais angulares.
Ele tinha as pernas estendidas  frente, os ps apoiados na mesinha, enquanto se concentrava na pilha de papis que tinha no colo. Havia arregaado as mangas da camisa e aninhava o filho na curva do brao esquerdo.
Sammy olhava atentamente para o livro de histrias aberto em seu colo. Ele virava as pginas lentamente e com todo o cuidado. O rosto de Rowena relaxou em um sorriso. Que belo quadro os dois formavam. Um pai amado e um filho adorado. Rowena nunca vira um pai to atencioso quanto ele era com Sammy. A famlia parecia ser importante para ele.
Como tal homem poderia causar algum mal ao rei? Seu prprio tio? Embora ele hesitasse em aceitar as propostas de paz com os primos reais, aproveitava cada oportunidade que surgia para estar com eles.
Seria tudo fingimento?
Rowena tentou afastar o sentimentalismo.
Jake era suspeito de ser o responsvel pelo desaparecimento do rei. Era nisso que ela devia se concentrar, tentar encontrar alguma evidncia que o incriminasse, e que inocentasse Nicholas, irmo de Isabel. 
Rowena prometera a Isabel que correria atrs das evidncias... mas agora que estava ali, era dificil acreditar que Jake fosse capaz de ter cometido tal crime. Isso significava que ela precisava se concentrar no propsito que a levara quela casa.
Mesmo que ela no tivesse se dado conta, o incidente de h pouco provara que ela se sentia fortemente atrada por Jake. Ela quase o beijara... bem ali, na frente de Sammy.
Rowena no queria acreditar que Jake fosse um criminoso. Sua estpida atrao a impedia de acreditar que ele fosse. Isso e a infeliz realizao de que, ao provar que Jake era culpado, ela deixaria Sammy sem pai. Logo ele, que tanto amava o filho.
No seria fcil' concentrar-se na sua amarga misso. Aps ter tombado sobre ele, e ter sentido sua bvia reao a ela, tudo o que Rowena conseguia pensar era em ser abraada por ele, ser beijada por ele.
Graas a Deus Jake a manteve segura no lugar. Quem sabe o que teria acontecido se ele no a tivesse segurado?
Ele a desejava. Isso ficou claro. Aps t-la ajudado a levantar-se, ela quase atreveu-se a inclinar-se sobre ele e beij-lo. Estava to certa disso quanto estava do prprio nome.
Mas ele se recusava a quer-la, e sua sarcstica pergunta mostrara a ela por que.
- Quer dizer que voc no  do tipo que avana o sinal, srta. Wilde?
Jake Stanbury no confiava nela, isso por causa da sua reputao.
Rowena enterrou as unhas na palma das mos.
Por quanto tempo mais a fraude do prncipe Heinrich a perseguiria?
H cinco anos, Rowena entregara seu corao aquele devasso de Leuvendan. O prncipe Heinrich costumava vir v-Ia com freqncia, cortejando-a, cercando-a de atenes. Mas quando ela no aceitou que dormissem juntos, rejeitado, e furioso, ele resolveu se vingar. Gabando-se de sua conquista, contou a todos exatamente ao contrrio, que eles tinham sim, dormido juntos, fornecendo detalhes desagradveis e indecorosos sados de sua imaginao doentia.
Aquele incidente, parecia t-la marcado para sempre. Edenbourg era um lugar pequeno. Todos conheciam os segredos de todos... e jamais esqueciam.
Depois disso, vrias celebridades que vinham a Edenbourg mostravam interesse em sair com ela, apesar de sua reputao, ou talvez devido a ela. E Rowena saa com eles, mais para agradar Isabel. Porm sem jamais ter ido para a cama com nenhum deles. Em parte para provar que ela no era a libertina que julgavam ser, e tambm porque ela no pensava em fazer isso.
No entanto, seu celibato no ajudava. Poucos dos homens com quem saa eram honrados o bastante para no fazer comentrios a seu respeito. No entanto, a maioria era por demais egocntrica para permitir que se pensasse que a mulher que dormia com todos se recusara a dormir com eles.
Rowena jamais venceria aquela batalha. Embora... na atual situao, talvez sua no merecida reputao pudesse proteg-la. Ela se sentia fortemente atrada por Jake Stanbury. No entanto, embora bons pais freqentemente no fossem devassos, Jake ainda continuava sendo um nobre, ou pelos menos, perto o bastante disso.
Rowena prometera a si mesma nunca mais tornar a se apaixonar... Sobretudo com algum ligado  nobreza, ou qualquer homem com um ttulo. Eles eram por demais egocntricos, e acostumados a obter exatamente aquilo que desejavam.
Portanto, Jake que continuasse tendo-a como "avanadinha". Quanto a ela, precisava esquecer de todos os problemas e se concentrar no cumprimento daquela misso, por seu pas, por Isabel.
No importa que tal misso tivesse tudo a ver com um homem atraente, de ombros largos como o horizonte, olhos azuis e claros como o cu de primavera, e capazes de enxergar dentro de sua alma, e possusse lbios que pareciam exigir: "Beije-me."
Porm, aqueles mesmos lbios tambm eram capazes de exigir: "Mate-o."
Rowena estremeceu.
Detestava aquela casa, sempre to fria. 

Captulo 2


 Naquela noite, depois que o menino adormeceu, Jake manteve a porta do quarto do filho aberta para que Rowena passasse.
Ela deixou o aposento na ponta dos ps e aguardou enquanto ele fechava a porta suavemente.
Jake ento virou-se e fitou-a no escuro do corredor. Embora no tivesse compartilhado o mesmo aposento com Rowena desde o jantar, o tempo todo ele sentira sua presena. Uma sutil conscincia, um rastro de seu perfume, o som alegre de uma risada a distncia, da outra extremidade da manso.
E naquele momento, Jake estava profundamente consciente de sua presena, exatamente como estivera enquanto a observara colocar Sammy na cama.
- Boa noite, sr. Stanbury - disse ela, sorrindo, antes de virar-se para deix-lo.
- Mas j? So s oito e meia - disse ele, relutando em deix-la ir. - Costuma dormir to cedo?
Ela deu de ombros.
- No. E no pretendo dormir agora. Vou ler um livro que comecei e no consigo terminar.
Ele indicou a escada com a mo.
- Vou trabalhar um pouco na biblioteca. Voc ser bemvinda se preferir ler seu livro confortavelmente instalada. Rowena olhou para a escada, depois de volta para ele. Seus olhos fixaram-se nos lbios sensuais, como se estivesse lembrando o beijo quase partilhado algumas horas antes.
Jake no conseguiu pensar em outra coisa o tempo inteiro. Se ela aceitasse seu convite para ler na biblioteca, tinha certeza de que no conseguiria se concentrar no trabalho.
Por que ento a convidara?
Porque no queria se concentrar no trabalho. Rowena Wilde era infinitamente mais interessante do que o comrcio internacional.
- No, obrigada. Eu no devo.
Jake poderia deixar que ela se fosse, mas no fez isso. - Por que no?
- Porque no  uma boa idia.
"Deixe as coisas como esto, Jake. Deixe-a ir." - Por que no acha que no ?
- Porque voc  um prncipe e eu uma simples funcionria do palcio. Esse tipo de... de confraternizao costuma no dar bom resultado.
- Talvez cem anos atrs, mas no atualmente.
- Ns no fazemos as coisas, e nem agimos, como vocs americanos. Aqui neste pas, ns tratamos a nobreza como nobreza. - Rowena endireitou os ombros. - Alm disso, gosto de me concentrar no que estou lendo. Creio que j descobri quem  o assassino, e ele est prestes a ser revelado. Boa noite, sr. Stanbury. Bom trabalho.
Ela girou nos calcanhares e caminhou at o quarto ao lado, que agora era seu.
Jake esperou que ela abrisse a porta. -  Jake, Rowena. Lembre-se disso.
Ela hesitou um pouco antes de entrar no quarto. Quando por fim a porta se fechou com um clique, ele dirigiu-se  escada.
- Papai! Adivinhe o que  isso!
Rowena olhou por sobre o ombros enquanto estendia a mo para o pote de caf... Ento, prendeu o flego.
Jake parara  porta da cozinha, com os cabelos despenteados e com a barba por fazer.
- Ah. Rowena. Esqueci... Ouvi barulho aqui na cozinha e pensei que Sammy estivesse tentando fazer o caf da manh. Ele usava apenas a cala do pijama. E como no estava amassada, Rowena suspeitou que a tivesse vestido s pressas antes de descer... O que significava que ele no usava roupa alguma para dormir.
Respirou com dificuldade. Aquilo era informao demais para a sua paz de esprito. Seu olhar correu pelo corpo msculo, demorando-se nos plos escuros cobrindo seu peito largo e de msculos bem definidos. - Entendo. - Ela precisou engolir em seco para desobstruir sua garganta inesperadamente apertada.
O nico lugar onde vira homens com corpos to perfeitos fora nas pginas de uma revista de moda masculina. As praias pedregosas de Edenbourg no eram exatamente a meca dos que gostavam de exibir a boa forma fsica.
- Adivinhe o que Rowena fez, papai? - Sammy levantou seu prato. - Waffles, com gelia de morango.
- Ela fez, ? Que bom... - Jake fez uma careta para o filho, que tinha gelia de morango nas mos e nos lbios. Depois olhou-a e falou: - Normalmente eu preparo o caf da manh.
- Eu sei. - Rowena no foi capaz de dar uma resposta mais coerente, pois mal conseguia respirar.
Embora estivesse com os olhos ligeiramente vermelhos e os cabelos despenteados, Jake Stanbury era o homem mais sensual que j vira na vida. Ou era aquele traje que o deixava to sensual.
- Embora no faa nada to caprichado. Humm... Isto parece estar muito bom. - Jake pegou um pedao de waffle do prato do filho. - Delicioso.
- Eu sei.
- Normalmente s preparo torradas, ou po esquentado. Quando Jake lambeu a gelia de morango dos dedos, Rowena no perdeu um s de seus movimentos, sentindo vontade de ela mesma fazer aquilo.
- Papai!
De repente, como se tivesse acordado de um transe, a ateno de Rowena retornou ao garoto.
Jake inclinou-se sobre Sammy, olhando para ela com uma das sobrancelhas levantadas, indagadoramente.
O que havia de errado com ela? Nunca na vida tivera um pensamento como aquele. Lamber os dedos de um homem? Que maluquice.
O pior era que o sorriso de Jake indicou que ele sabia exatamente o que ela estava pensando.
Droga. Rowena lutou contra a vontade imperiosa de tocar nas faces que pareciam estar em chamas. Fora pega em flagrante olhando-o fixamente. Ela vivera tempo suficiente no
palcio para saber o quanto isso era perigoso, ento, sabia que podia tentar se desculpar ou mudar de assunto.
- Posso lhe servir uma xcara de caf?
- Caf? - Jake sorriu largamente, porm mordeu a isca. - Sim, obrigado. Tambm tenho direito a um waffle? Rowena relaxou.
- Claro. Como voc gosta? Puro ou com... - Com gelia de morango.
Dava para perceber de quem Sammy herdara aquele senso de humor. Rowena sorriu enquanto lhe servia o caf.
- Quantos vai querer? - Dois.  muito?
- Para um garoto crescido como voc? Creio que no.
- Papai? Garoto crescido? - Sammy gostou da brincadeira. Jake passou a mo nos cabelos do filho e puxou uma cadeira para sentar-se.
- Com muitos cafs da manh como este, na certa eu crescerei mais um pouco... para os lados.
Rowena sorriu.
- Preparar dois waffles levar justamente o tempo que voc gastar para tomar banho e se vestir. - Ela colocou a xcara com caf em sua mo. - Leve o caf.
- Caf puro? - Ele levantou os olhos da xcara e deu uma risadinha. - Eu o prefiro com um pouco de acar, como gosto dos meus...
Rowena o interrompeu.
- O aucareiro est na mesa. - ...waffles.
Rowena estreitou os olhos. O que ele estava tentando fazer? Flertar com ela? E o que fora aquele convite na noite anterior? Ler com ele na biblioteca? Como se fossem marido e mulher?
- Estou todo sujo de gelia. - Sammy anunciou, chamando a ateno de ambos. - Preciso me lavar.
Rowena afastou-se da pia. - Vou com voc.
Sammy parou  porta, pousando a mo suja no batente. - No precisa. J sou bem crescido. Sei me lavar sozinho. Ela observou o garoto afastar-se.
- De qualquer modo, ele far trs anos daqui a trs meses - informou Jake. - Est deixando para trs os terrveis dois anos. Sammy  teimoso como... - Ele deu uma risadinha. - Como o pai dele.
A ss com Jake e sentindo-se intranqila, Rowena pegou um pano e foi limpar o batente da porta que Sammy sujara. Jake virou-se para a geladeira.
- Desculpe-me mas no resisti a brincar com voc. Parecia muito surpresa quando descobriu que tambm tenho peito. Ento ele estava brincando com ela, no flertando.
- Fiquei um pouco chocada... Os homens no andam de peito nu pelo palcio. Pelo menos, no os nobres.
Jake abriu a porta da geladeira e procurou pelo leite. - Voc trabalha h muito tempo com Isabel?
- Desde os dezenove anos... Faz sete anos. Ele colocou uma boa dose de leite no caf. - Sempre trabalhou para ela?
Rowena assentiu.
- Desde pequena eu sonhava em trabalhar no palcio. Isabel precisava de uma dama de companhia quando completou vinte e um anos, e meu pai conhecia algum que trabalhava no palcio, que me arranjou uma entrevista. Fui aceita de imediato.
Jake colocou trs colherinhas de acar e mexeu o caf pensativamente. Sem levantar os olhos perguntou:
- E desfruta de alguns benefcios? - Como seguro social? Frias pagas?
Os olhos dele estreitaram-se quando levantou a cabea. Fitou-a por um longo momento, e fez um meneio com a cabea. - No importa... Voc gosta do que faz?
- Gosto muito. Isabel tornou-se uma boa amiga. - Ento, por que veio trabalhar comigo?
Rowena retornou  pia e comeou a enxaguar os pratos. Esperava que Jake fizesse aquela pergunta e tinha uma resposta pronta.
- Vim porque soube que voc precisava ter algum cuidando de Sammy. Algum que pudesse passar mais tempo com ele. - E quais sos as suas qualificaes?
- Voc no perguntou quais eram a Isabel, quando ela sugeriu meu nome para cuidar de seu filho?
- Por favor, responda minha pergunta.
Rowena levantou as sobrancelhas deixando-o ver que no estava gostando.
- Trabalhei como bab quando era estudante. E... - Ela deu de ombros. - As crianas gostam de mim.
- Sammy certamente gosta.  impressionante o quanto voc conseguiu com ele, em to pouco tempo.
- Ento, por que est preocupado?
Jake deu de ombros e tomou um gole de caf. - Ele  meu filho. Tenho de me preocupar. Rowena suspirou.
- Estou aqui porque gosto de crianas. Gosto muito de Sammy. Isabel me pediu para ajudar, j que voc passar algum tempo por aqui. E eu fao tudo por ela. Tenho-a como uma irm.
- Ela acha que ficarei, ? Por qu? Me julga culpado? - Culpado de qu?
- De ter sumido com o rei.
O advogado em Jake se manifestou. Brusco e direto ao ponto. - Eu disse isso? - Rowena respondeu com outra pergunta. - Voc acha que sou?
Ela o estudou do outro lado da mesa, e decidiu ser igualmente brusca.
- Voc ?
- No. No sou.
Rowena ficou impressionada. No por ele ter negado, mas por ter acreditado nele.
- Nesse caso, no tem com que se preocupar.
- No sou um cidado deste pas, e as evidncias bem podem ser manipuladas.
- Edenbourg no  um pas do terceiro mundo, governado por um dspota. Podemos ter masmorras em nossos castelos, mas no so usadas h pelo menos cem anos.
- Sim, claro...
- Disseram que voc estava trabalhando para o prncipe Nicholas, e que por isso ficaria durante algum tempo no pas. Jake no pareceu estar convencido.
- Eu e voc sabemos muito bem que...
- Minhas mos agora esto limpinhas. - Sammy os interrompeu, mostrando as mos ao entrar pela porta da cozinha. Rowena respirou aliviada.
- Muito bem. No quer me ajudar a preparar wafles para seu pai?
- Oba!
Rowena fez o garoto subir em um banquinho, para que conseguisse alcanar a pia.
- Ns precisaremos mexer bem a farinha, a manteiga e os ovos...
Quando olhou novamente para trs, Jake havia sado.
Dois dias antes...
Jake recostou-se contra o parapeito do terrao de onde tinha ampla viso dos jardins do palcio. Cruzou os braos diante do peito. Adotava aquela linguagem corporal sempre que estava em companhia do irmo e do pai.
Em geral fazia um esforo consciente para no se contrariar, porm ultimamente sempre havia algo contrariando-o.
- Jake? Voc est ouvindo? - perguntou Edward Stanbury. Jake sufocou um suspiro. Seu pai era pior que seu filho de dois anos, todo o tempo querendo as atenes focalizadas em sua pessoa. S que ele tinha cinqenta e cinco anos.
- Claro que estou. Voc disse que est de pleno acordo com Luke, e que no devemos apoiar a posio de Nicholas quanto  clusula de imigrao.
Luke se moveu, irritado.
- Se permitirmos que esses estrangeiros desclassificados entrem com tanta facilidade no pas, estaremos vulnerveis a todo o tipo de atividades criminosas.
- Isso necessariamente no  verdade. Com uma economia forte e estabilizada como a de Edenbourg, precisamos de braos para trabalhar.
- Pode ser... Mas o que acontecer quando a economia enfraquecer? - o pai argumentou. - Se admitirmos essas pessoas, no ser fcil mand-las de volta.
- E se faltar trabalho para eles? Pretende sustent-los? - Luke acendeu a cigarrilha e atirou a fumaa no rosto de Jake. - De qualquer ngulo que olhe, a questo  complicada.
Jake no se queixou da fumaa. H muito tempo aprendeu que era melhor no dar a Luke a satisfao de saber que estava aborrecendo-o.
- Nem tanto. Neste momento, estamos precisando de ope
rrios, trabalhadores braais. O problema  maior aqui do que nos Estados Unidos porque, como regra, os cidados de Edenbourg possuem um alto nvel de educao.
- Voc sempre foi muito caridoso... - A ateno de Luke ento se focalizou em um ponto atrs de Jake. Ele assobiou baixinho. - Agora estou vendo uma coisa que jamais seria problemtica... muito pelo contrrio.
S podia ser uma mulher. Jake olhou por sobre o ombro. Seu irmo era por demais previsvel.
Uma mulher encontrava-se inclinada sobre uma criana na margem do pequeno lago, alguns metros adiante, proporcionando-lhes uma adorvel viso de seu traseiro arredondado.
- Droga. Se permitirmos, eles se espalharo feito ervas daninhas. - Luke largou a cigarrilha. - Creio que vou mostrar quela coisinha linda o quanto podemos ser amigveis.
Naquele momento, a mulher endireitou-se, e o sol derramou reflexos avermelhados em seus cabelos castanhos dourados. Rowena.
- Tenha mais respeito.  a nova bab de Sammy.
- No admira voc ter estado to ansioso para voltar para casa nessas ltimas duas noites.
- No  a dama de companhia de Isabel? - perguntou Edward. - Como  seu nome?
- Rowena Wilde. E se estive ansioso em voltar para casa, foi por causa do meu filho.
Luke deu uma risadinha.
- Certo. E quando voc pretende nos convidar, a mim e a papai, para jantarmos? Ela tambm sabe cozinhar?
- Para ser franco, ela... - Jake de repente assustou-se. Rowena e Sammy se dirigiam para o caramancho do outro lado do lago. De seu privilegiado ponto acima do jardim, ele podia ver algo que Rowena no podia.
Meio escondido pela cerca-viva e correndo diretamente atrs deles encontrava-se um enorme co da raa mastiff.
- O que h? - perguntou Edward, tentando ver o que acontecia l fora.
- O cachorro. Sammy tem pavor deles.
Jake saiu em disparada pelo terrao e desceu os interminveis degraus de pedra de trs em trs. Com o corao aper-tado, cortou caminho pulando sobre as roseiras ao atravessar a sebe. Ainda assim, levou vrios minutos para chegar perto de Sammy e de Rowena.
Ao alcan-los, o que ele viu estava longe de ser a cena que esperava ver.
Rowena encontrava-se abaixada perto de Sammy e do mastiff, que tinha uma das patas dianteiras levantada e colocada na mo de Sammy.
O garoto, que costumava ficar aterrorizado sempre que via um cachorro, pequeno ou grande, parecia estar se divertindo grandemente. Ele ria excitado.
Enquanto Jake os fitava com ar assombrado, Rowena levantou os olhos e sorriu, aquele seu sorriso encantador.
- Veja quem chegou, Sammy.
Sammy virou-se e de imediato largou a pata do animal. - Papai! Viu esse cachorro? Ele se chama Boo-Boo. Finalmente, capaz de se mover, Jake abaixou-se e afagou a cabea do animal.
- Boo-Boo parece ser um cachorro muito bonzinho, Sammy. - Seu nome  Booten Sebastian Cabot
Quarto - explicou Rowena. - Mas  um nome comprido demais para uma boquinha to pequena como a de Sammy.
O garoto imitou o pai e afagou a cabea de Boo-Boo. - Cachorro bonzinho...
Jake no conseguiu disfarar a surpresa ao virar-se para Rowena.
- Como foi que conseguiu o milagre? Sammy sempre teve muito medo de cachorros.
- Este homenzinho corajoso? No acredito. - Rowena abraou o garotinho. - Ele s precisava aprender um pouco sobre os ces. Tudo o que precisam  de um pouco de amor. - Enquanto ela falava, Boo-Boo tocou no seu brao com a pata e Rowena afagou-o atrs da orelha. - S um pouquinho de amor, no  bebezo?
- Bebezo! - exclamou Sammy, se divertindo. - Ele no  um bebezo, papai? - O cachorro latiu, adorando ter toda aquela ateno. - Papai? Boo-Boo pode ir para casa conosco?
- Hoje no, Sammy... Mas voc poder visit-lo sempre que quiser.
- Claro... - Rowena levantou-se, segurando o animal pela
coleira. - Por falar nisso, h vrios filhotes no canil de meu pai. Posso levar Sammy para v-los amanh?
Jake tambm se levantou. - Onde fica o canil?
- Na nossa casa. Fica em um vilarejo chamado Kempten, a meia hora daqui, de automvel.
- Voc dirige?
- Claro. Tenho autorizao para usar um dos carros na garagem sempre que precisar. - Ela levou a mo  testa, protegendo os olhos do sol da tarde. - Gostaria de ir at l?
Ao fitar o rosto adorvel, Jake percebeu que desejava muito ir com ela. Nos ltimos dois dias, ele passara a admirar seu mtodo de lidar com Sammy. Risos e brincadeiras combinados com comentrios positivos, em vez de crticas e de cara feia. Em to pouco tempo, ela realizara milagres com Sammy.
De repente, Jake desejou conhecer o homem que a criara. Rowena devia ser muito amada pelo pai, para ter tanto amor para dar. A crianas, claro.
- Faria bem a voc sair um pouco de casa, conhecer melhor Edenbourg - disse ela. - O que conheceu at agora?
- Bem pouco. S o que vi na estrada, no caminho do aeroporto at Old Stanbury.
Rowena franziu a testa.
- Foi voc que viu o lugar de onde o carro do rei despencou, no foi?
Jake ficou tenso.
- Foi sim. Por qu? Ela deu de ombros.
- Aquela estrada costeira no  o caminho mais curto do aeroporto at aqui.
Jake ficou intrigado. Luke lhe dera instrues para usar exatamente aquela estrada.
- Os filhotes so iguais a Boo-Boo? - Sammy quis saber. Rowena sorriu.
- No. Eles so bem pequenos. Acabaram de nascer. Papai tambm tem um cairn temer. Comprou h alguns anos, na Esccia, durante uma viagem de frias que fizemos.
Jake deixou de lado o pensamento que o perturbava, sobre a estrada do aeroporto que Luke indicara como sendo a mais adequada.
- Cairn?
- Sim. Voc assistiu ao Mgico de Oz? - Sim. E quem no assistiu?
- Tot era um cairn.
- Tot?! - Sammy admirou-se.
- Voc tambm assistiu o Mgico de Oz, Sammy? Jake assentiu.
- Assistimos uma parte dele, certa vez... At a bruxa se tornar malvada demais para... para eu agentar suas maldades.
O riso iluminou os olhos dourados de Rowena. - Confesso que ela tambm me assusta.
- A mim tambm - Sammy interveio.
- Voc pretende voltar para casa agora? - Jake quis saber, ao afastar-se para que ela o precedesse.
Rowena segurava o co pela coleira.
- No. Preciso devolver Boo-Boo ao canil. Sammy tentou soltar a mo da de Jake. - Eu tambm vou.
Jake o pegou no colo, mas o mantinha preso com dificuldade. - No, Sammy! Outra vez voc ir.
Rowena fitou Jake e assentiu.
- Fique com seu pai, Sammy. Vou demorar s uns minutinhos. E quando voltar o levarei para conhecer a piscina. Foi construda h mais de duzentos anos.
Sammy estava nitidamente contrariado, porm concordou. - Est bem, Rowena.
Antes que o garoto mudasse de idia, Jake voltou para casa. Sammy observava Rowena afastar-se por sobre o ombro do pai. - Papai?
- O qu foi?
- Amanh eu vou ver os cachorrinhos? Jake o abraou.
- Est bem, Sammy. Amanh iremos todos ao canil para ver os cachorrinhos do pai dela.
Sammy passou os braos ao redor do pescoo de Jake. - Voc tambm vai?
- Vou sim, Sammy.
Sammy pousou a cabea em seu ombro, suspirando satisfeito. Jake emocionou-se. No dia seguinte ele no se importaria com nada. Deixaria os negcios e iria ver os cachorrinhos de Rowena. Com Sammy, claro. Faria aquilo por causa dele.

Captulo 3


Na manh seguinte, eles subiam a montanha pela estrada cheia de curvas. Jack por fim recostou-se confortavelmente no banco de couro do Mercedes com placa oficial. Encontravam-se a vrios quilmetros da capital de Edenbourg, a cidade de Old Stanbury.
- At que enfim... - murmurou Rowena. - At que enfim, o qu?
- Voc relaxou. Notei o quanto estava tenso, desde que samos de casa. Estava com medo que eu matasse a todos ns? - brincou Rowena.
Na verdade, Jake no estava preocupado com sua habilidade como motorista. Assim que saram com o carro, deu para notar isso. Ele se oferecera para dirigir antes de deixarem a garagem rumo ao vilarejo de Kempton, mas ela agradeceu o oferecimento. Naquele momento, ele de fato se sentia relaxado, como se acabasse de cortar as amarras que o prendiam dentro de casa.
- Voc  melhor motorista do que eu imaginava. - Achava que eu no dirigia bem?
Ele deu de ombros.
- Bem, voc no deve dirigir muito. Parece viver trancada em casa, tanto quanto eu. E na certa, deve usar o motorista sempre que sai com a princesa.
Ela lanou-lhe um rpido olhar, antes de tornar a se concentrar na estrada.
-  verdade. No tenho sado muito... As coisas no palcio ficaram agitadas depois do desaparecimento do rei. Isabel tem precisado de mim mais do que nunca. Antes, eu conseguia passar uma tarde inteira com meu pai, pelo menos uma vez por semana.
- No possui carro prprio?
Rowena sorriu aps passar por uma curva fechada. Daquele ponto da estrada avistava-se o vale incrivelmente verde e um singular vilarejo cravado ao p da montanha.
- Vocs, americanos... No sabem viver sem ter pelo menos um carro na garagem. Por que eu gastaria meu dinheiro comprando um, quando posso usar um daqueles estacionados na garagem? Voc tambm tem direito de us-los. Pode sair e levar Sammy a qualquer lugar que queira. No  um prisioneiro.
- Posso ir a qualquer lugar, mas dentro da ilha, voc quer dizer. - Jake no pretendia soar to amargo.
- Bem, Edenbourg  um belo pas. Ter muito o que ver se gostar de histria, de natureza ou de artes.
- Alguma coisa que possa interessar a um garoto de dois anos?
- Sammy tem quase trs, no  verdade? E com certeza, se expressa bem para sua idade.
Ele sorriu.
- Comeou a falar aos dez meses. Creio que em parte porque precisava verbalizar as prprias necessidades. - Jake olhou para trs e viu que Sammy no prestava ateno  conversa. - Annette no era uma me... muito dedicada.
- Oh, veja. Ali est uma coisa que na certa interessar um garotinho de dois anos. - Rowena diminuiu a velocidade. .- Est vendo aquele veado, Sammy?  uma fmea! E est com dois filhotes!
- Onde? - Sammy espichou o pescoo em sua cadeira de beb presa ao banco de trs.
- Ali, entre aquelas rvores.
- Estou vendo! - exclamou Sammy. - Posso criar filhotes de veado?
Rowena sorriu por sobre o ombro.
- Lamento, Sammy. Eles no so como Boo-Boo. So selvagens. Correm assustados quando algum tenta se aproximar. - Ser que ficariam com medo de mim?
- Ficariam.
- Acham que vou machuc-los?
- Voc no costumava ter medo de cachorros, achando que eles poderiam machuc-lo? Pois bem, os veadinhos no sabem que tudo o que voc deseja  am-los. Oh. Esto indo embora.
- Para onde? - Sammy quis saber.
- No sei... Talvez estejam voltando para casa, para junto do pai. - Rowena aumentou a velocidade.
Segundos depois, Sammy perguntou: - Sabe, Rowena?
- O qu?
- No tenho mais medo de cachorros.
- Sei que no tem. - Ela sorriu olhando para o garoto atravs do espelho retrovisor.
- No tenho mais medo porque sei que tudo o que eles precisam  de amor.
- Que garoto corajoso. Estou orgulhosa de voc. Seu pai tambm. No est, Jake?
Jake virou-se para olhar o filho e viu orgulho em seus olhos. - Tenho muito orgulho de voc, Sammy. E tambm te amo muito.
- Eu sei, papai.
Quando Jake se voltou, o perfil do rosto de Rowena chamou sua ateno. Ela possua um perfil forte... assim como a mente. Ela virou-se e percebeu que estava sendo observada.
- Por que est me olhando desse jeito?
- Estava pensando... Voc devia ser psicloga infantil... ou me.
A sombra que passou pelo seu rosto foi to rpida que Jake no teve certeza se no foi a sombra de uma das rvores na estrada.
- No concordo - disse ela.
- Com qual das opes voc no concorda? - Com ambas.
- No pensa em se casar e ter filhos? No posso acreditar. Voc  como uma me maravilhosa para as crianas... parece am-las como se fossem suas.
- Eu as adoro. As crianas ainda acreditam que coisas mgicas e maravilhosas podem acontecer.
- Como Papai Noel e o Coelho da Pscoa? - Sim.
- Mesmo adorando-as, no deseja ter suas prprias crianas? O rosto de Rowena endureceu, e ela manteve os olhos fixos na estrada.
- Se voc no se importa, eu gostaria de mudar de assunto.
Jake a ignorou.
- No pode ter filhos? - insistiu ele, e mais uma vez. lembrou da sua reputao de almejar se casar com algum da nobreza. Talvez por isso ela ainda no tivesse se casado. Os nobres precisavam de ter filhos, para serem seus herdeiros.
Rowena olhou para o espelho retrovisor e em seguida rapidamente para Jake.
- Por que est me interrogando? Por acaso estou no banco dos rus? Sou suspeita de algo?
- No, claro que no.  mera curiosidade. - Jake tornou a recostar-se no assento, porm sem afastar os olhos dela. No fazia idia de por que, de repente, saber aquilo tornara-se to importante.
- Mesmo correndo o risco de ser rude, sr. Stanbury, o fato de eu poder ou no poder ser me no  da sua conta. Jake estudou a delicada curva de seu pescoo.
- Por que voc sempre faz isso? - Fao o qu?
- Toda a vez que pergunto algo pessoal, voc me chama formalmente de sr. Stanbury.
-  seu nome, no ?
Jake era um advogado habilidoso demais para ser levado na conversa.
- Parece fazer questo de lembrar-me a toda hora que trabalha para mim.  como se...
Ele interrompeu o que ia dizendo. Era como se ela tentasse se esconder atrs da mscara de servial. Com se usasse aquilo como um escudo para afast-lo, sempre que ele se aproximasse. Exatamente como fizera na outra noite, aps Jake ter sugerido que ela fosse ler na biblioteca.
Mas aquilo no combinava com a imagem que fazia dela. Algum querendo se casar com um ttulo de nobreza tentaria esconder, no enfatizar, seu baixo status.
- Como se eu o qu?
No entanto, ao pensar nas vezes em que a vira participando de uma festa no palcio, sorrindo, e parecendo flertar com todos os homens presentes, Jake concluiu que seu modo de agir devia ser uma espcie de fuga. E normalmente trazia uma bandeja com alguma coisa, usando-a como uma barreira e mantendo-a a distncia do homem interessado nela.
Era como se soubesse que enquanto tivesse um escudo pro
tegendo-a, poderia flertar o quanto quisesse e ainda assim continuaria a salvo.
- Como se eu o qu? - insistiu ela.
Jake sustentou seu olhar at ela ser forada a olhar para a estrada adiante.
Mas eram apenas conjecturas, e no tinha certeza de nada. Precisava testar sua teoria... Como advogado, ele aprendera que motivao era tudo. Com a motivao certa, certa pelo menos em suas mentes, as pessoas eram capazes de cometer crimes terrveis... at contra si mesmas.
Jake sabia que Rowena no ficaria satisfeita se ele se desviasse do assunto, e sendo assim, resolveu testar seu gnio. - Como se gostasse de ser uma servial. Como se adorasse mostrar ser inferior.
Como ele presumira, ela eriou-se.
- No sou inferior, apenas diferente. - Diferente? Como assim?
- Diferente... Sou uma bab e voc  um prncipe.
- Sou americano. Os americanos no do importncia a ttulos de nobreza.
- Voc  o quarto na linha de sucesso ao trono. Terceiro, se o rei estiver...
Ela no foi capaz de terminar a frase, e ningum podia culp-la. - A ltima coisa que eu almejaria no mundo seria o trono de Edenbourg.
Rowena o fitou com toda a cautela. - Quer dizer que no deseja ser rei? - No.
- E por que no?
- Acabo de me demitir de um trabalho altamente estressante. Fiz isso para me dedicar exclusivamente ao meu filho. E com certeza, no iria querer me envolver com algo que resultaria em vinte e quatro horas de estresse constante.
Ela parou o carro diante da entrada para um ptio circular. Se ps a estud-lo como se no conseguisse se decidir se deveria acreditar nele. Sua expresso o lembrou daquilo que suspeitava, de ela ter sido colocada em sua casa.
- Voc no  ambicioso? - perguntou ela ao desligar o motor. Jake deu de ombros.
- Tenho o suficiente para viver bem. 
- Pense apenas no quanto valem as jias da coroa.
- Voc se refere  fabulosa fortuna, trancada dentro de algum cofre, em algum lugar onde ningum tem acesso alm do rei e de seu herdeiro? E dinheiro suficiente para comprar o mundo inteiro, duas vezes.
- Exatamente.
Ele deu uma risadinha.
- No acredito que toda essa fortuna exista. A economia de Edenbourg no , e nunca foi to forte.
- Como voc pode saber?
Jake considerou a pergunta antes de responder-lhe. Ajudara seu pai com os detalhes do acordo de comrcio feito entre Edenbourg e os Estados Unidos, embora Edward tivesse recebido todos os crditos pelo sucesso do pacto internacional. E seu pai queria as coisas daquele modo. Jake ento disse apenas o pouco que podia:
- Fiz algumas pesquisas h alguns meses. - Pesquisou o qu? Edenbourg?
- Sim, claro. - Por qu?
- Chame isso de curiosidade.
- Pesquisar a economia de um pas no  muito complicado? Por que no pesquisou a histria do pas, a paisagem, ou o turismo? - Pesquisei isso tambm. Sempre me interessei por fuses e aquisies. A economia deste pas era o que me interessava. - Rowena?
Ela piscou, ento colocou uma expresso sorridente no rosto antes de olhar para o branco de trs.
- Sim, Sammy.
- Quero ver os cachorrinhos. Vamos logo!
Enquanto ela respondia, Jake pensava na conversa deles. Rowena estivera perto de perguntar-lhe se estava envolvido com o desaparecimento do rei Michael. Recostou-se para trs, tenso. Ela perguntara aquilo abertamente no outro dia, durante o caf da manh, e ele respondera. Com honestidade.
Mas pelo visto ela no acreditara. Continuava julgando que sua pretenso era sentar-se no trono de Edenbourg, e que por isso iria at as ltimas conseqncias, at mesmo prejudicaria um homem que nunca lhe fizera mal, um homem que era seu parente de sangue.
Jake sabia que no devia dar importncia ao que Rowena Wilde pensava. Em breve ele voltaria para os Estados Unidos. Assim esperava. Havia chances de no tornar a v-Ia.
Mas ele se importava.
No queria que Rowena se visse apenas como uma servial... E certamente, no queria o julgasse mal. Isso significava que ele comeava a se importar com mais, alm de suas habilidades como bab. Droga.
Seton Wilde recostou-se  porta do pequeno e pitoresco estbulo.
- No mundo inteiro no h som mais feliz do que aquele que fazem as crianas e os animaizinhos.
Rowena virou-se para o pai de onde ela se encontrava, aps ter deixado Sammy e seu pai brincando com os cachorrinhos. Sammy cara de costas na palha, rindo histericamente enquanto era atacado pelos seis alegres cachorrinhos, que tentavam lamber cada parte dele que conseguiam alcanar.
Jake sentava-se perto do filho, colocando os filhotes de volta sobre ele quando se afastavam. Pela expresso sorridente em seu rosto bonito, ele devia estar se divertindo tanto quanto o garoto. - Quem consegue no amar os filhotes? - brincou ela.
- Quem consegue no amar as criancinhas? - seu pai contra-atacou.
Rowena suspirou. - Elas tambm. - E ento?
Rowena fingiu inocncia, como se no soubesse o que estava para ouvir.
- Ento, o qu?
- Quando voc me dar a felicidade de ter um neto?
Ela olhou para o cu da tarde, muito azul e com umas poucas nuvens brancas. Depois o fitou.
- Achei que voc iria querer me ver casada antes disso. -  como costuma acontecer.
- No todo o tempo. - Na nossa famlia .
- A est o problema. Terei de me casar, se quiser ter um filho. E para me casar,  preciso que haja um homem envolvido. O pai de Rowena deu uma risadinha. 
- Bem, tenho ouvido falar de uns certos arranjos que elas fazem hoje em dia para serem mes sem precisar de um marido... Mas duvido que voc tenha inclinao para aceitar esse tipo de coisa.
- Algumas vezes eu gostaria de ter. Seria bem mais fcil. Seu pai afastou-se da porta e aproximou-se por trs dela, para poder massagemr-lhe os ombros, como costumava fazer. - Sei que aquele homem lhe causou muitos aborrecimentos, mas saiba que nem todos so iguais a ele.
Rowena no respondeu. Por vrias vezes eles discutiram o assunto. Foi de encontro s mos do seu pai. Seus dedos sempre faziam mgica com seus msculos tensos.
- Por que no tenta esse Stanbury, por exemplo? - Tente voc - murmurou ela.
- Oh. Creio que ele  mais seu tipo. - Papai...
- Tenho notado o modo como olha para ele. E tambm o modo como ele olha para voc. Qualquer cego veria que existe interesse de ambas as partes. E no tente negar. - Ele deu uma risadinha. - Voc ficou tensa.  um bom sinal.
Rowena olhou por sobre o ombro. - Bom sinal? De qu?
- Que ele est mexendo com voc. De que ele est conquistando-a. - Ele balanou seus ombros. - Relaxe. Rowena obedeceu, deixando a cabea cair para frente enquanto ele trabalhava seu pescoo.
- Jake Stanbury est fora de questo, papai. Est a trs passos do trono, e voc sabe o quanto gosto da famlia real. Alm disso, ele est sob suspeita de envolvimento com o desaparecimento do rei Michael.
- No diga bobagem. Aquele homem no molestaria uma mosca. Observe-o com o filho. Veja como  gentil com os filhotes. - Sim, mas assassinos tambm so gentis com os filhos e com os animais.
- Na verdade, eu li em algum lugar que aqueles que tm tendncia assassina tendem a maltratar os animais. Rowena gemeu baixinho. Ela no precisava do pai lhe apontando a natureza gentil de Jake. Ela sabia de sobra como ele era.
Seu pai interrompeu as massagens.
- Voc acredita realmente que esse homem seja responsvel pelo desaparecimento do rei?
Rowena olhou para o lugar onde pai e filho brincavam com os filhotes. Jake tinha um deles em cada uma das mos e um terceiro bocejando em seu colo. Pareciam to pequenos nas suas mos, e mesmo assim no o temiam, j que um deles mordiscava seu dedo.
Sammy engatinhava sobre a palha, com trs dos filhotes seguindo-o e puxando sua cala com os dentes. O garoto ria e gritava. "Acredita que um homem como ele seria capaz de matar?"
- No. - Ela disse a palavra antes mesmo que fosse registrada em seu crebro.
Seu pai continuou com a massagem.
- Sei que voc  capaz de reconhecer um bom homem s de olhar para ele.
Rowena franziu as sobrancelhas. Seu pai era o presidente do banco local, e atravs dos anos, provara ser infalvel no julgamento do carter das pessoas. Ela sempre valorizara sua opinio, especialmente desde que fora ele o primeiro a alert-la sobre Heinrich.
- Na sua opinio, Jake Stanbury  um bom homem? - indagou.
Seu pai parou por um momento, estudando o homem em questo. Finalmente ele disse:
- Eu apostaria at o meu ltimo centavo nisso. - Apostaria tambm o ltimo centavo no banco? - Sem pestanejar.
Rowena gemeu baixinho. O que faria agora?
J fora difcil o bastante resistir a ele quando o julgava um criminoso. Agora que estava noventa e nove por cento certa de que ele no era, seria praticamente impossvel.

Captulo 4


Encontrava-se no ltimo lugar onde Rowena procurou.
O choque e o terror a imobilizaram enquanto examinava a cpia do antigo documento sobre a graciosa escrivaninha de nogueira, presente da rainha Arme.
Durante a semana que passou naquela casa, ela procurara um pouco de cada vez, durante o sono da tarde de Sammy. E at agora, tudo o que encontrara fora uma profunda f na inocncia de Jake.
E agora aquilo.
O papel, que era uma cpia de um desbotado pergaminho, era tambm uma prova gritante da culpa de Jake. No exatamente uma prova, mas uma indicao de que ele estava interessado no trono de Edenbourg.
Era um Tratado, escrito em 1468 pelo rei Braden, que inclua, entre outras coisas, o termo de ascendncia ao trono de Edenbourg. Ela acabara de verificar, nos registros de entrada e sada de documentos, que Jake pedira uma cpia dele, pessoalmente, h quatro meses.
Precisava avisar Isabel.
Verificou as horas no relgio de parede. Quase trs da tarde. Sammy logo acordaria. Precisava tambm devolver os arquivos ao lugar. Em vez disso, ela recostou-se para trs na poltrona e fechou os olhos.
Por que diabos Jake ira querer uma espia das normas da sucesso, a no ser que estivesse planejando apoderar-se do trono... a qualquer custo?
S podia ser isso. No havia outro motivo. Pelo menos, nenhum que ela conseguisse imaginar.
Jake pedira a informao alguns meses antes do rei Michael desaparecer. Isso, e mais o fato de ele ter chegado ao pas no dia do desaparecimento, e ter sido ele o primeiro na cena do acidente, era coincidncia demais.
Ento, por que ainda no acreditava que ele fosse culpado? - Pare com isso, Rowena. - Endireitou os ombros, decidida. - Sabe exatamente por que se recusa a acreditar em sua culpa. Decidida, ela comeou a arrumar os arquivos que tirara da biblioteca uma hora antes.
Tambm fora avisada sobre Heinrich. Na primeira vez que viu o prncipe de Leuvendan, seu pai a avisou que ele no era bom carter. Pelo visto, no que dizia respeito aos homens, ela no possua a menor intuio.
Desta vez, porm, seria diferente. Tudo o que precisava fazer era ter algo mente: no devia confiar nessa histria de finais felizes. Ela sabia disso. Aprendera da maneira mais dificil, cinco anos atrs.
Precisava confiar no prprio crebro e no no corao, porque ele sempre a deixava na mo.
Devolveu o antigo tratado ao lugar onde o encontrou. No era necessrio manter aquela particular evidncia. Qualquer um podia ter a prova do pedido de Jake, verificando os registros, como ela fizera.
Quando terminou, Rowena aprontou-separa sair da sala. Parou  porta, olhando para a escrivaninha onde Jake trabalhava quando estava em casa. Parecia v-lo sentado ali, sua beleza morena se sobrepondo s linhas femininas e graciosas da decorao da sala  Rainha Arme. Ela franziu a testa ao sair e fechar a porta atrs de si.
Como convencer algum da culpa de Jake, quando nem ela mesma acreditava que ele fosse culpado?
Jake chegou em casa um pouco depois das dez horas, farto das interminveis discusses que sempre acompanhavam as negociaes sobre o comrcio exterior, especialmente quando havia burocratas demais envolvidos.
Ele tirara o palet e afrouxara a gravata a caminho de casa, mas nem assim se sentiu mais confortvel. Ao colocar a pasta de couro sobre o aparador, se perguntou como conseguia se sentir confortvel perto de pessoas que o consideravam um criminoso.
Alm de seu pai e de Luke, seu primo Nicholas era o nico que no o olhava como se ele tivesse um chifre no meio da testa.
Jake esfregou as tmporas doloridas. Ele no era dado a beber, mas em momentos como aquele, os beneficies de uma garrafa de usque e de um longo e relaxante banho eram por demais tentadores para que resistisse a eles.
Entrou na sala de estar e serviu-se de uma dose de usque. Enquanto o primeiro gole descia por sua garganta, ele se acomodava na poltrona mais prxima e puxava a gravata do colarinho.
No ajudava em nada o fato de seu pai insistir para que Jake o ajudasse. No que Jake no desejasse fazer isso. Mas  que resultava em mais trabalho e concentrao precisar manter os pensamentos naquilo que estava sendo discutido, explicar para seu pai o ,que estava sendo dito, e ainda, resumir-lhe o que precisaria dizer, como se ele estivesse a par do que acontecia.
Dois meses atrs, Edward recebera o crdito pelo acordo de comrcio feito entre Edenbourg e os Estados Unidos, um acordo que Jake conseguira salvar aps a confuso que seu pai fizera durante as negociaes.
Aquela no fora a primeira vez que ele tirara o pai do sufoco. Jake tomou mais um gole de usque e procurou no pensar mais nas negociaes.
A primeira coisa que ele notou ao chegar era o quanto a casa estava quieta. Embora as janelas estivessem bem fechadas, o silncio era tanto que se podia ouvir as ondas quebrando contra os rochedos.
E a casa estava s escuras. s nicas luzes acesas eram a do saguo de entrada e a dos abajures na sala de estar. Sammy deveria estar dormindo aquela hora, mas e Rowena? Estaria no quarto, lendo na cama?
Aquele pensamento trouxe-lhe uma viso dela deitada na cama entre os lenis, no quarto ao lado do de Sammy e a poucos metros do dele.
Jake tomou mais usque, em seguida fechou os olhos para saborear a cena em sua mente.
Ela dormia despida, claro, e o lenol devia mal esconder o essencial... as curvas suaves de seu corpo tentando-o... fazendo-o se aproximar da cama e lentamente puxar o lenol. Droga.
Ele remexeu-se inquieto na poltrona. Pelo menos uma parte dele no estava to exausta.
Jake tomou o restante d usque no copo e levantou-se. Deixou o copo sobre o balco e dirigiu-se  escada.

Havia uma lmpada acesa no quarto que ele ocupava havia cerca de um ms. Mas primeiro, ele entrou no quarto de Sammy. Desde que ele nascera, sempre que estava em casa, Jake costumava entrar em seu quarto para dar-lhe um beijo antes de ir dormir. Quando viajava, em qualquer lugar que estivesse, fazia questo de cham-lo todas as noites para lhe dar boa-noite, mesmo sendo pelo telefone.
At quando Sammy estava dormindo, e no saberia da demonstrao de afeto do pai, Jake mantinha o hbito. O agradava imensamente fazer isso. Sentia que, de algum modo, Sammy estava ciente de sua presena ali, durante toda a noite, amando-o.
Abriu a porta em silncio no aposento s escuras. A luz do seu prprio quarto fornecia claridade suficiente para gui-lo  cama do filho.
Sammy dormia de lado, virado para a janela. Jake sentou-se na cama e inclinou-se para dar-lhe um beijo.
- Te amo muito, Sammy. - Ele sabe disso.
As palavras suaves o assustaram, e Jake voltou-se em direo ao som. Seus olhos j ajustados o suficiente para que ele visse a figura delineada contra a janela.
- Rowena. Por que est sentada a, no escuro?
Ela hesitou antes de dizer que no estava ali h muito tempo, que Sammy havia acordado uma hora aps ter dormido, e lhe pedira que lesse uma histria.
Satisfeito por ela no estar escondida no prprio quarto, Jake inclinou-se e acendeu a luz do abajur. Queria v-Ia. Ela estava sentada na cadeira de balano, ainda usando o mesmo vestido longo e florido com o qual a vira mais cedo. - Pensei que j tivesse se recolhido... Mas no  to tarde. - No se comparado com a hora que vamos dormir no palcio. - Sim, mas aposto que ningum l tem uma criana de dois anos, que gosta de acordar bem cedinho.
- A famlia real de fato no acorda cedo. Ou pelo menos, no todas as manhs... Mas o staff est de p muito tempo antes de Sammy acordar.
- Incluindo voc?
- Nem sempre. - Ela deu de ombros. - Depende da hora que fui para a cama na noite anterior, e do que Isabel precisa que eu faa pela manh.
Pensar nela indo para a cama no palcio no lhe despertou a deliciosa viso de antes. O pensamento o fez querer adivinhar quantos homens passaram por aquela cama. 
Se ele acreditasse em boatos, foram muitos. Por outro lado, se Rowena fosse tal libertina, procurando desesperadamente por um marido que tivesse um ttulo de nobreza, por que no viera a ele? No que ele tivesse apenas um ttulo, mas era tambm o quarto na linha de sucesso ao trono. E pelo jeito, isso parecia significar muito para ela.
Sabendo que aquela no era hora e nem lugar para discusses pessoais e ntimas, Jake optou por um assunto mais seguro. - Como Sammy se portou? Deu muito trabalho?
Ela sorriu.
- Crianas sempre do trabalho. Mas no. Nada que precise ser mencionado. Ele  um doce de garotinho. Sei agora por que se orgulha tanto dele.
O elogio significou mais para ele do que tudo o que ele conseguiu durante a reunio daquela tarde.
- Obrigado.
Ela pegou o livro que tinha no colo e fez meno de se levantar. Querendo mant-la com ele mais um pouco, Jake perguntou: - Que histria voc leu esta noite?
Rowena inclinou-se para a frente e estendeu-lhe o livro. Jake o pegou e leu o ttulo.
- A Princesa e o Drago. Esse livro no  um dos que trouxemos, no ?
- No, eu o trouxe. Minha me costumava ler essa histria para mim. Pensei que Sammy iria gostar de ouvi-Ia. H uma boa luta entre o drago e o rei malvado.
Jake folheou as pginas coloridas do livro. - Parece violento.
- No mais do que qualquer histria infantil. Jake procurou na ltima pgina e leu:
- ...e eles se casaram e foram felizes para sempre.
- No  o que sempre acontece nas histrias de fada? Sua voz continha algo de ironia. Jake virou-se para ela. - No acredita em finais felizes? Que as pessoas consigam viver juntas e felizes para sempre? Ela sorriu tristonha.
- Esse tipo de coisa s acontece mesmo nos contos de fadas. Ns dois sabemos que na vida real  bem diferente.
Nunca lhe ocorreu que Rowena pudesse ser to cnica. O que poderia ter acontecido para deixa-la to amarga?
- Ns dois sabemos?
Ela franziu fez uma graciosa careta.
- No me diga que justo voc, entre todas as pessoas, acredita sinceramente na felicidade eterna.
- Por que justo eu?
- Voc disse que  divorciado. - Disse.
- E que seu pai se divorciou trs vezes.
- Pelo visto, voc andou pesquisando bastante a minha famlia. Rowena ignorou o comentrio.
- E com tudo isso, ainda acredita em felicidade eterna? Jake olhou para Sammy.
- Ele me faz acreditar nisso. - Sammy?
Jake assentiu, ento a fitou.
- Posso no ter experimentado essa tal felicidade, ms sei que ela existe. Preciso acreditar nisso. Por Sammy.
- Acreditar apenas no faz com que ela acontea.
- Talvez no, mas com um pouco de esforo poder acontecer. E se voc no acreditar nisso, jamais ser feliz.
Ela o fitou como se de repente estivesse diante de um ser extraterrestre.
- O que voc quer dizer com esforo? Ou se  feliz ou no. O amor existe ou no existe. Na maioria das vezes ele no existe e nenhum esforo no mundo mudar isso. s pessoas tendem a confundir atrao fisica com amor.
Jake balanou a cabea.
- Isso  porque eles no querem ter trabalho. O amor  trabalhoso e dificil de ser encontrado. Eu sei. Tenho trabalhado mais, depois que abandonei tudo para estar com Sammy, do que quando negociava acordos de comrcio exterior.
Ela dispensou seu comentrio com um gracioso abanar de mo. -As crianas so fceis de se amar. Especialmente os nossos filhos.
Ele sorriu.
- Voc no conhece o lado pior das crianas. Quando Sammy est cansado e aborrecido, nada melhora o seu humor. Se tiver oportunidade de conhec-lo melhor, ver o quanto  trabalhoso lidar com ele.
- Ento, o que houve com seu casamento? Voc no se esforou o suficiente?
Ela tinha a mente de um advogado.
- Claro... me esforcei muito, mas  necessrio que as duas pessoas envolvidas se esforcem para que um casamento d certo. Como dizem... uma andorinha no faz vero.
- Sua esposa, claro, foi quem no colaborou.
- Como eu j disse, os dois tm de colaborar. Posso afirmar que dei o mximo de mim.
Rowena recostou-se para trs na cadeira de balano.
- E apesar disso continua  procura da felicidade eterna? - No. Estou criando a felicidade eterna... para Sammy. - Jake acariciou as costas do filho. - Ele merece isso. E  minha responsabilidade de pai cuidar para que ele seja feliz. Sammy murmurou algo no sono, e virou-se.
- Creio que estamos perturbando-o. - O alvio estava claro em seu tom de voz quando Rowena levantou-se. - Bem, como voc mesmo apontou, preciso ir dormir, se quiser dar conta do seu filho amanh.
Jake tambm levantou-se e observou-a ajeitar as cobertas em torno do corpinho de Sammy, e em seguida beij-lo na testa. Ele no pde evitar de notar a diferena na forma como ela tratava Sammy e o tratava.
Por que aquilo?
Ela levantou os olhos e ele viu o que s podia ser amargura em seu olhar. Ento ele soube.
Os homens tinham o poder de mago-la. Crianas no. Mas ele no a magoara, magoara?
Ainda assim, o cinismo que ela demonstrara era tpico daqueles que foram amargamente desapontados. Aqueles que acreditavam em algo forte apenas para ter sua f destroada. Rowena endireitou-se e sorriu de modo forado.
- Boa noite, sr. Stanbury.
Jake a fitou com ar indagador. De volta  formalidade? - Boa noite, srta. Wilde.
Ela hesitou, como se fosse argumentar, ento assentiu com a cabea e saiu do quarto.
Jake virou-se para apagar a luz, mas seu olhar bateu no livro de histrias que ela esquecera na cama. Foi peg-lo e examinou a figura na capa. Exceto pelos cabelos loiros, a princesa em muito se assemelhava a Rowena.
- Que drago destroou seu corao? - perguntou  figura. Mas no obteve resposta.






Captulo 5


Na manh seguinte, trabalhando em sua mesa, Jake atendeu o telefone aps o primeiro toque. - Al?
- Jake? Ainda bem que o encontrei.
Ele abandonou os papis que examinava. - Annette?
- Eu no tinha certeza quanto  diferena de horrio... mas tive sorte. O que voc faz para se divertir nesse pas to enfadonho... digo, quando est fora da jaula?
A voz dela tinha o mesmo ronronar de quando estava feliz com alguma coisa. Enquanto eram casados, o motivo de sua felicidade
licidade raramente era uma boa notcia, pelo menos para Jake. - Muito engraado. O que voc quer? Mais dinheiro? Se for, eu lamento. J lhe dei tudo aquilo que tinha direito.
- Eu julgava que algum vivendo rodeado de tanto luxo no se negaria de dar algum dinheiro  pobre ex-esposa.
- O que houve? O bom e velho Mikie no lhe tem dado dinheiro suficiente? Ou ser que voc tambm o sugou at a ltima gota, como tentou fazer comigo? Quantos amantes voc teve depois que nos divorciamos? Trs? Quatro? E ainda assim precisa me pedir dinheiro?
Jake sabia que Michael Warrell, o ltimo amante de Annette, constava entre os primeiros na lista da revista Forbes como sendo um dos homens mais ricos da Amrica.
- Para sua informao, eu e Michael terminamos. E por falar nisso, estou me casando.
Houve uma longa pausa na conversa. Annette esperava que Jake perguntasse com quem ela iria se casar. Mas ele no lhe daria tal satisfao.
- No est curioso? No quer saber com quem vou me casar? - Ela no demonstrou o menor sinal de exasperao na voz. Jake sempre admirou aquela capacidade de se controlar to bem... se  que havia alguma nela.
- Confesso que no estou nem um pouco curioso - respondeu ele.
- Vou me casar com Bartholomew Stone the Fourth. - E da?
- E da... que ele  o homem mais rico da Virgnia. E herdar a cadeira do pai no senado, quando ele se aposentar no ano que vem.
- No se herda uma cadeira no senado, Annette. De onde foi que tirou essa idia?
- No entendo muito bem de poltica, mas sei que ele herdar. - Meus parabns pelo casamento, Annette, mas estou muito ocupado e no...
- No foi para falar sobre o casamento que liguei... Quero saber de Sammy.
Jake ficou tenso. Naquele ano e meio de divrcio, eles haviam conversado vrias vezes, a maioria argumentos sobre quanto dinheiro ele pretendia lhe dar. Mas nunca, nem uma s vez, ela perguntara pelo filho.
- Sammy? Ele est bem.
- Estou preocupada com meu filhinho, vivendo a nesse pas estranho.
Jake recostou-se para trs na cadeira.
- Voc, preocupada com Sammy? No diga bobagem. -  srio, Jake.
Ela queria alguma coisa.
- E quanto esse srio vai me custar, posso saber? - Quero ter Sammy comigo.
- Nem pensar.
- Sabe que posso tir-lo de voc. Jake estreitou os olhos.
- Voc me passou a custdia dele. Tenho os papis que assinou.
- Sim, mas no acordo que assinamos existe uma clusula que diz que voc no poder tir-lo do pas sem a minha permisso. - Ns falamos a respeito da minha viagem... voc sabia que eu o traria comigo.

- Pode provar que me disse isso? - Pode provar que eu no disse?
- Pensei que seria uma viagem de frias, nunca que voc o manteria fora do pas. - Havia ironia na voz dela ao acrescentar: - Tambm no disse que nos seus planos de frias inclua o seqestro do rei de Edenbourg.
- No me venha com gracinhas, Annette. Sabe muito bem que no tenho nada a ver com o seqestro.
- No estou fazendo graa. Estou preocupada com meu filho. No o quero vivendo junto com um pai capaz de tal crime.
A raiva cresceu em Jake.
- Est me ameaando, Annette? Por que isso agora? Nunca se interessou pelo nosso filho.
- Est enganado, Jake. Amo muito o meu garotinho.
- E somente agora percebeu isso?  por causa desse tal de Stone, no ? Algo relacionado com sua eleio?
- No. Embora ele tenha mencionado que ajudaria se eu mostrasse aos eleitores o lado de me amorosa da minha personalidade.
- Sua personalidade tem muitos lados, Annette, e me amorosa no  um deles.
- Ofensas no o levaro a lugar nenhum, Jake.
Ela o tinha na mo, e sabia disso. E Jake era o nico culpado disso. Ele transcrevera o acordo de custdia. A clusula referente a no poder tirar a criana do pas era padro. Ele a inclura no acordo para o caso de Annette decidir levar Sammy para longe.
- Quanto  que voc quer para nos deixar em paz, Annette? - Desta vez voc no vai conseguir me comprar, Jake. Lamento muito.
- Ento terei de brigar com voc no tribunal.
- Eu sabia que voc diria isso. Mas no estou preocupada. Serei a nica casada de ns dois. E at mesmo voc sabe que os juzes so mais favorveis ao cnjuge casado e com um lar estvel. Especialmente quando o juiz  um amigo de pescaria do seu futuro sogro.
- Quanto voc quer, Annette?
- Como eu j disse, Jake... desta vez voc no poder me comprar.
- Annette...
- At mais ver, Jake. Voc em breve ter notcias do advogado de Bartholomew.
Aps ter dito isso, ela desligou.
Jake bateu o telefone com fora, quase quebrando-o. Gostaria de poder estrangular Annette. Mas violncia no o ajudaria. Apoiou os cotovelos na mesa e esfregou as tmporas doloridas.
Annette no queria Sammy. A conhecia bem o suficiente para saber que ela no deveria ser me. Quase se arrependia de t-la convencido a ter o beb. Mas ento ele no teria Sammy.
Annette no podia fazer aquilo. Jake no permitiria que ela prejudicasse o garoto com suas loucuras. Estava disposto a fazer qualquer coisa, qualquer coisa, para manter o filho a salvo.
- Venha, Rowena, quero que me conte o que descobriu. A princesa Isabel pegou Rowena pelo brao e conduziu-a em direo ao amplo terrao.
Rowena olhou por sobre o ombro para se certificar se Sammy estava por perto. Ele estava sentado no cho no quarto infantil, perto de sua tia-av, a rainha Josephine. Ela lhe mostrava um lbum de fotografias de todas as crianas que dormiram naquele quarto.
Sammy parecia fascinado olhando para o rosto das crianas, especialmente sabendo que a sua prpria fotografia seria acrescentada ao lbum.
Rowena passou pelas portas francesas e juntou-se a Isabel. A princesa parecia inquieta, debruada sobre a balaustrada que dava vistas para os jardins do palcio.
- Ento? E mesmo uma evidncia? Ele  culpado? Rowena balanou a cabea.
- O que descobri no  uma prova mais conclusiva do que as que j tnhamos.
- E o que foi que descobriu?
- Jake solicitou uma cpia do Tratado de Edenbourg dos arquivos, h quatro meses.
Isabel endireitou-se.
-  o documento onde constam as normas da ascendncia? -  sim.
- Por que ele iria querer uma cpia do documento? A no ser que quisesse se certificar que seu pai herdaria o trono se meu pai e Nicholas fossem tirados do caminho.

Para esconder a preocupao, Rowena deu um passo  frente e debruou-se sobre a balaustrada. Isabel chegara  mesma concluso que ela chegara.
- E por que mais ele faria isso?
- Mas voc tem razo.  uma prova circunstancial, alis, como tudo o que temos contra ele. No merece sequer que a apresentemos  policia. E no havia mais nada?
- No. Depois de remexer em tudo, encontrei apenas isso. - Voc nada disse a ele, no ?
- Claro que no. Ele descobriria que estou investigando. - Rowena suspirou. - No tenho certeza de que ele no saiba. Ou pelo menos suspeite.
Isabel balanou a cabea.
- Jake no ficaria quieto se soubesse que sua privacidade est sendo violada.
A preocupao de Rowena aumentou. E se fosse surpreendida mexendo naqueles papis? Ela estremeceu apesar da tarde quente de abril.
- Ele deixou escapar, durante uma conversa que tivemos, que andou fazendo pesquisas sobre Edenbourg.
- Disse por que fez isso? Ela deu de ombros.
- Disse que era simples curiosidade.
- Humm... - Isabel apoiou os braos na balaustrada. - Estou curiosa. Gostaria de saber quanto de informaes ele obteve. - Bem, se existir mais alguma prova que possa culpa-lo, garanto que no se encontra na manso. Examinei detalhadamente todos os papis que encontrei na biblioteca e no quarto dele.
- Talvez exista algo em seu apartamento em Nova York. Rowena olhou com surpresa para Isabel.
- Deseja que eu v a Nova York?
- No, voc no. Precisa ficar cuidando de Sammy. Irei aos Estados Unidos ver se descubro algo. Por um acaso, sabe onde ele guarda as chaves do apartamento?
Rowena ergueu o corpo.
- Sim. Dentro de uma das gavetas, claramente rotulada, como se esperasse que algo possa acontecer com ele. Mas no creio que haja necessidade de ir at Nova York. Talvez eu no tenha verificado direito. Tornarei a dar uma olhada nos papis, logo que puder. Talvez eu tenha deixado escapar algo. 
Isabel assentiu.
- Faa isso. Mas de qualquer modo, irei a Nova York. - Seu pai a proibiu de bancar a espi, lembra-se?
Isabel havia servido na Marinha e gostara imensamente da experincia. Chegou a realizar uma pequena misso de espionagem e gostou. Demonstrou desejo de continuar com a inteligncia mas seu pai a proibiu, alegando que seu dever era ser uma princesa real, no uma espi de saias, arriscando o prprio pescoo.
Isabel empinou o queixo.
- Papai no est aqui, esqueceu? Essa  a questo.
- Seu pai ficar bravo comigo, quando souber que permiti que fizesse tal coisa...
- Se ele chegar a saber, significar que est de volta, e se estiver, quer dizer que minha misso foi bem-sucedida. Nesse caso, ele lhe ficar imensamente grato.
- Isabel...
- Por favor, Rowena, no tente me dissuadir da idia. No posso ficar de braos cruzados esperando que algo acontea. J esperamos demais e preciso agir.
Rowena entendia os sentimentos de Isabel. Ela tambm sentia a falta do rei. E se Jake fosse o responsvel pelo seu desaparecimento, ela corria um grande risco, vivendo na mesma casa com ele e espionando-o. Mas no se sentia como se corresse perigo. Ao contrrio, viver sob o mesmo teto com Sammy e com Jake era como estar em casa.
A revelao assustou-a. No querendo mais pensar em Jake, Rowena assentiu para Isabel.
- Voc tem razo. Um ms inteiro se passou sem notcias dele.  hora de tomarmos algumas medidas drsticas. Tirarei uma cpia das chaves do apartamento em Nova York. Isabel abraou-a.
- Eu sabia que podia contar com voc. Rowena retribuiu o abrao.
- Mas quero que me prometa que ligar para mim logo que chegar ao apartamento. Enlouquecerei sem notcias.
- Prometo que ligarei... - Rowena! Adivinhe s!
Ao ouvir a voz de Sammy, Rowena sentiu-se fraquejar. Apoiou-se  balaustrada. Forou um sorriso e abaixou-se para

pegar o garoto no colo. No, ela no devia sentir-se como se fosse a traidora ali.
Enquanto o garotinho falava cheio de entusiasmo sobre as coisas que vira no palcio, Rowena pensou na conversa que acabara de ter com Isabel.
Achou que talvez tivesse mencionado Jake pelo nome, mas no tinha certeza. Precisava ter mais cuidado. No era muito boa espi.
No meio da tarde, chateado com as interminveis discusses sobre os mritos do livre-mercado, Jake exercitou os ombros tensos. Em seguida olhou a distncia.
A tarde de abril estava to agradvel que foi sugerido fazerem a reunio ao ar livre, no jardim, onde seria servido um ch. Claro que para a nobreza nada era simples. Eles no levaram cadeiras dobrveis e as colocaram sob a sombra de uma rvore. No minuto em que Nicholas expressara o desejo de mudar a reunio para o jardim, um toldo fora levantado. Sob ele, as cadeiras foram colocadas sobre um tapete oriental, em torno de uma mesa arrumada com toalha de linho, porcelana chinesa e talheres de prata. O mesmo lacaio confivel que costumava andar em torno deles na sala de reunio do palcio agora mantinha suas xcaras cheias de ch e as bandejas repletas com sanduches e todos os tipos de tortas e de frutas.
O que ele no daria por um cachorro-quente e por uma cerveja geladinha.
Notou movimentos pelo canto dos olhos e sua ateno voltou-se para o jardim, onde um pequeno contingente feminino vagueava perto dali.
No meio delas ia a rainha, empurrando uma cadeira de rodas onde ia sentada sua av, Le Ann. Ladeando a rainha Josephine, encontravam-se a princesa Dominique, e a princesa Rebecca. A princesa Isabel caminhava atrs do pequeno grupo, de brao dado com Rowena.
Jake fitou o cortejo com olhos estreitados, mas logo ele sorriu aliviado. Sammy corria na frente das mulheres, saltitando e tentando apanhar alguma coisa. No era cedo ainda para borboletas? Sammy era fascinado por elas.
Jake observava o grupo no jardim. Preferia mil vezes fazer parte dele do que estar ali.
Seus olhos infinitamente azuis pousaram em Rowena. Ela parecia pertencer  famlia real, tanto quanto Isabel. As duas caminhavam alguns passos atrs da rainha, as cabeas juntas e concentradas na conversa que partilhavam.
Jake sorriu. O que elas poderiam estar discutindo de to srio? O que Isabel pensaria a respeito do ltimo pseudo-prncipe que se apresentara  famlia real, demonstrando uma exagerada preocupao para com o rei Michael?
Seja o que fosse, ela no parecia nada satisfeita. J o rosto inexpressivo de Rowena, que ele comeava a conhecer to bem, dava a entender que algo no a agradava. Pelo visto, Isabel estava gostando do seu novo gal e Rowena o desaprovava.
Jake franziu as sobrancelhas. Mas no era Rowena a namoradeira, de acordo com os mexericos correndo soltos no palcio? Embora... ele comeasse a seriamente duvidar de tudo o que ouvira. Naqueles ltimos dez dias, desde que ela se mudara para a manso, nenhum s dos seus namorados batera  porta da manso, no meio da noite, procurando-a. E pelo que Jake sabia, os nicos telefonemas que ela recebia eram os de Isabel. Ele no era de tirar concluses precipitadas das pessoas. Preferia analis-las com cuidado e tirar as prprias concluses. Mas no caso de Rowena, ele se agarrava aos mexericos sobre ela como uma tbua de salvao e sabia o porqu. Usava os mexericos como um talism contra a forte atrao que sentia por ela. Mas no estava funcionando.
A rainha parou por um momento e falou algo por sobre o ombro. Rowena ento fez uma rpida reverncia, disse algo a Isabel enquanto apontava para um ponto do jardim. Pelo visto, ela fora alertada pela rainha sobre Sammy, que sumira de vista.
Jake franziu a testa. Embora soubesse perfeitamente que aquele era o trabalho de Rowena, ele no gostou do que viu. Ela devia ser tratada como... como uma princesa, no como urna servial.
Recostou-se para trs na cadeira e virou a cabea para observ-la afastar-se apressada.
De repente, por sob a mesa, algum deu um leve chute na cadeira, que caiu de volta sobre as quatro pernas com um baque suave. Atrs dele, Edward, seu pai lanou-lhe o mesmo olhar de quando Jake era criana e queria repreend-lo: Forte-se bem, sendo, ficar de castigo por uma semana.

Jake eriou-se. Desejou dizer ao pai que no dava a menor importncia quela reunio intil. Mas sabia que no devia dizer aquilo. Pelo bem de Sammy, ele tentaria ficar em paz com a famlia... O que significava seu pai Edward e Luke, seu irmo.
Sendo assim ele bancou o filho e o irmo extremoso e retomou a ateno ao que estava sendo discutido. Interceptou um olhar do prncipe Ncholas. Seu primo lhe sorriu amigavelmente, antes de olhar em direo ao grupo de mulheres.
Jake sorriu naquele silencioso momento de comunicao. Nicholas amava intensamente a esposa, Rebecca, e no se envergonhava de demonstrar isso.
Naquele instante, Jake soube que ele e Nicholas tinham algo em comum: ambos preferiam estar no jardim, correndo atrs de borboletas.
- Estamos atrasados, Sammy-Jammy.
Rowena entrou com Sammy na manso e fechou a porta da frente atrs deles. -  o dia de folga da sra. Hanson. Sammy parou no meio do saguo, com ar desconsolado. - E no tem nada para comer?
- Voc est com fome?
O garoto assentiu, vigorosamente.
- No  de admirar, depois de tanto exerccio que fez esta tarde. Mas no se preocupe, vou preparar algo. Ainda bem que seu pai no chegou em casa. - Rowena o pegou pela mo antes de dirigir-se  cozinha. -- E ento? Gostou da tarde no palcio?
- Gostei muito mais de Neeki_ Ela  muito mais divertida do que Lan.
Rowena sorriu.
- Bem, Neeki, ou como a chamam formalmente, a princesa Dominique, j  bastante crescida. Lan  apenas um beb. Daqui a um ano voc gostar de brincar com ela.
- Isso so horas de voltar para casa?
Rowena de imediato tentou proteger Sammy, colocando-o atrs de si, antes de reconhecer quem falara.
- Jake! Voc me assustou. O que faz aqui na cozinha? Est com fome? Desculpe se nos atrasamos, mas Isabel...
- Relaxe. Estou cuidando do nosso jantar. - Jake pegou Sammy no colo. - Sammy gostou de brincar no palcio?
- Gostou muito. A rainha Josephine quer que ele passe uma noite dessas no palcio. - Ela olhou em torno da cozinha. - Voc disse que estava preparando o jantar?
E ficou sem saber o que dizer, to chocada estava com o que viu. 0 jantar estava praticamente servido,  espera deles. Na mesa de canto da cozinha, inteiramente arrumada com toalha branca, guardanapos, pratos, talheres e copos, havia uma travessa com sanduche, outra com salada de batata, e uma srie de petiscos.
Sammy tentou sair do colo do pai.
- Estou com muita fome - queixou-se. Jake colocou-o no cho e Rowena o fitou. Voc preparou tudo isso?
- No, foram os fantasmas do castelo. Encontrei a mesa posta quando cheguei.
Jake sorriu e afastou a travessa com biscoito que Sammy quis pegar.
- Isso  para depois que voc comer o sanduche. - Oh, papai... - Sammy subiu na cadeira.
Jake pegou na geladeira um copo de leite e uma garrafa de vinho. Voltou-se para Rowena. - Voc estava dizendo... Ela limpou a garganta.
- Voc preparou o jantar.
- Sim, preparei, mas j estabelecemos isso. - Ele puxou uma cadeira para que ela sentasse.
Rowena obedeceu automaticamente.
- No foi nada demais. Como no sou bom cozinheiro, parei  em uma delicatessen perto do palcio e comprei tudo pronto. - Ele sentou-se na cadeira junto dela.
Enquanto Jake abria a garrafa de vinho, Rowena olhava para a mesa com ar de espanto.
- No posso acreditar que voc fez isso. Ele deu uma risadinha e olhou-a nos olhos.
- Por que o espanto? Voc esteve servindo pessoas o dia todo.  hora de algum servi-Ia.
Ele afastou os olhos para encher os copos com o vinho antes de ver as lgrimas brilhando nos olhos dela. Ningum jamais a servia, exceto quando ela comia fora... e porque eles eram pagos para fazer isso.
- Voc tambm acha, Rowena? - Sammy interferiu na conversa.
Ela engoliu a emoo oprimindo-lhe a garganta. - 0 qu, Sammy-Jammy?
- Que o jantar est uma delcia? - Sim, est delicioso.
Jake ergueu o copo de vinho em sua direo. - s delicatessens, que tanto nos ajudam. Rowena ergueu o dela.
- Abenoadas sejam...
Ambos tomaram um gole de vinho. Pousaram os copos sobre a mesa e comearam a comer.
Rowena pensou que nunca um jantar lhe pareceu to bom.
Na tarde seguinte, Jake entrou em casa com um sorriso satisfeito nos lbios. Engraado. Quanto mais perto ele chegava de casa, melhor se sentia.
Especialmente quando conseguira se desfazer dos compromissos mais cedo. Especialmente quando havia um filho maravilhoso aguardando-o... e uma bela mulher, com olhos dourados que se iluminavam sempre que ele entrava pela porta.
Colocou a pasta sobre a poltrona mais prxima. A casa se encontrava profundamente silenciosa. Onde estariam todos? Jake afrouxou o n da gravata e abriu o colarinho da camisa. Olhou para o relgio de parede da cozinha ao passar por l. Passava um pouco das trs da tarde. Talvez eles estivessem no palcio.
E onde estava a sra. Hanson? Ela devia estar em casa, pois havia um bolo de chocolate sobre a pia da cozinha, coberto por um guardanapo de papel.
Foi olhar na lavanderia. No havia ningum por l. Em todo caso, Rowena no cuidava das roupas, e sim a sra. Hanson. Parou com a mo na porta da biblioteca. Girou a maaneta e entrou. Estacou  soleira, surpreso.
De onde se encontrava, sentada junto  escrivaninha, Rowena levantou a cabea, e nitidamente empalideceu.
- Jake! 0 que faz em casa to cedo?

Captulo 6


 Rowena gelou, as mos cheias de papis... uma evidncia incriminadora muito mais do que qualquer coisa que encontrara para incriminar Jake.
- Onde est Sammy? - perguntou ele, a voz gelada. Ela limpou a garganta.
- Est dormindo.
Jake fechou a porta e se aproximou devagar da escrivaninha. O terror dominou Rowena, mas logo passou. No temia nenhuma agresso fisica da parte dele. Isso, mais do que qualquer coisa' avisou-a sobre algo que ela sempre soubera. Ele no era culpado. - Encontrou o que estava procurando?
Ela cuidadosamente largou os papis sobre a mesa.
- Eu... eu no estava procurando por nada em particular. - Ah, sei. Somente por algo que provasse que mandei seqestrar o rei.
Ela estremeceu diante de sua aspereza. Hesitou. A chave do apartamento de Nova York, em seu bolso, pesava em sua conscincia. Lentamente ela puxou da pasta a cpia do Tratado de Edenbourg.
- Encontrei apenas isto.
Jake pegou a cpia da mo dela, mas os olhos azuis e frios no abandonaram seu rosto. Ento ele olhou para o papel, leu rapidamente e tornou a fit-la.
- Como, exatamente, esse documento me incriminaria? - Na verdade, ele no prova nada. S...
- Como, Rowena? Quero saber. Ela respirou fundo.
-Ele trata das normas da ascendncia ao trono de Edenbourg. - Entre outras coisas... - Ele largou a cpia do documento sobre a escrivaninha. - Portanto, para vocs, eu precisava ter certeza de que o trono de Edenbourg seria meu... mas isso se eu desse cabo de todos o que esto na minha frente na linha de sucesso.
- Bem... algo assim.
- Incluindo meu primo, meu tio, meu pai e meu irmo. Pois saiba que em nenhum tribunal dos Estados Unidos isso seria considerado uma evidncia.
- Nem aqui. Mas voc tem de admitir que a coisa toda  muito suspeita. Voc pediu uma cpia do documento, em seu prprio nome, apenas alguns meses antes de vir a Edenbourg, pela primeira vez.
- Se eu planejasse seqestrar o rei, teria usado meu nome? No acha que sou mais inteligente do que isso? - Ele espalmou as mos no tampo da mesa e fitou-a. - Pelo amor de Deus, Rowena, qualquer um pode obter a cpia desse documento.
- Sei disso... - Maldio!
Jake deu-lhe as costas e se ps a observar o mar atravs da janela aberta. Rowena trara sua confiana. E pensar que se tornaram to amigos naquelas duas semanas, rindo juntos e partilhando das histrias engraadas de Sammy. Jake se sentia em famlia ali, se sentia... em casa.
Rowena permaneceu onde estava, incapaz de dar um passo. Desde o incio ela sabia que aquilo poderia acontecer.
Deus do cu. Teria se apaixonado por ele? No, ela no podia. Ele era um prncipe!
O medo agora a fez se mover. Contornou a mesa e caminhou para a porta.
- Vou arrumar minhas coisas e partir. - Espere!
A exclamao a fez parar a meio caminho da porta. Virou-se para encar-lo.
Jake continuava  janela, de costas para ela.
- Sammy gosta de voc e ficaria magoado se fosse embora. Eu no saberia o que dizer a ele.
- Poderia dizer que Isabel precisa de mim. Por fim ele virou-se.
- Voc acha que uma criana de dois anos se conformaria com tal desculpa?
- Sammy tem quase trs anos. - At ela sabia que o argumento era frgil demais.
Jake continuou fitando-a por um tempo que lhe pareceu uma eternidade. Seus olhos azuis haviam mudado do gelo para o fogo, e Rowena no tinha certeza se tudo ali era fria.
Tentou superar o frio na espinha, e deu um passo em sua direo.
- Jake...
- No se aproxime!
Rowena abraou a si mesma. Por que teve de mexer naqueles papis justamente naquele dia? Se pudesse voltar no tempo, teria ido tirar uma soneca junto com Sammy. Qualquer coisa para no ver a acusao nos olhos dele.
Por fim, ela no pde mais suportar o silncio.
-  desse modo que voc lida com os criminosos? Olha para eles at que confessem seus crimes?
Jake no achou graa.  no se mexeu.
- Diga alguma coisa, por favor - pediu ela. - No sou advogado criminal.
- Oh, claro. Fuses e aquisies.
- Foi colocada aqui para me espionar, no foi? Rowena levou a mo ao pescoo.
- Sim, em parte, foi para isso. - Somente em parte?
- Nessas duas semanas, mais cuidei de Sammy do que outra coisa.
- Voc acha que dizendo isso far com que eu me sinta melhor?  - No. E sinto muito. De fato havia um plano. Minha misso i era tentar descobrir uma pista que, de algum modo, o ligasse ao sumio do rei Michael.
- Isabel fez isso com voc? Eu julgava que ela fosse sua amiga. - Ela .
- E se de fato eu fosse esse criminoso que vocs julgam, e a tivesse surpreendido como agora? Como voc acabaria? Rowena engoliu em seco.
- Provavelmente morta, atirada nos rochedos l embaixo. Com quatro passos ele invadiu seu espao.
- Como pde aceitar isso, Rowena? Como se atreveu a fazer algo sem ter a menor idia daquilo que est acontecendo? Rowena no foi capaz de afastar os olhos do rosto transtor
nado pela fria. Mas Jake no estava furioso com ela. Estava furioso por causa dela. Ento, ele se importava.
Ela sentiu uma estranha palpitao no peito, como se um n minuciosamente apertado de repente tivesse desatado.
O que no era nada bom. Significava que ela se importava com o fato de ele estar se importando.
- Fiz isso para ajudar Isabel. Ela est tentando eximir seu irmo da culpa.
Os olhos de Jake se estreitaram.
- Sempre a fiel servial, no  mesmo? - E o que h de errado nisso?
- Droga, Rowena! Se ela lhe pedisse que se atirasse no abismo, voc obedeceria? Dormiria comigo esperando que eu falasse durante o sono?
- No por Isabel.
Ela prendeu o flego. Como ousara?
Os olhos de Jake se tornaram brasas vivas. Rowena sentiu o calor deles, e deleitou-se, permitindo que se espalhasse por cada canto do seu ser.
Tudo o que ela via diante de si era um homem, um homem que a desejava, e que ela tambm desejava.
Como se o pensamento pudesse fazer acontecer, de repente, ela se encontrava em seus braos. Os lbios dele procurando pelos dela. Rowena se ps na ponta dos ps para receb-los.
Decididamente, no estava preparada para mergulhar naquele mar de sensaes. Ele a beijava longa e profundamente, como se pudesse alcanar-lhe a alma. Envolvia-lhe o corpo, apertando-a at quase impedi-Ia de respirar.
Quando Jake soltou-lhe os lbios, traou uma trilha de beijos que percorreu o rosto e chegou ao pescoo, brincando, provocando... Rowena ouvia o rudo da respirao ofegante, e o som a excitava ainda mais. Arrepios de satisfao percorriam-na. Sabia que devia se controlar, mas tudo era novo, e por isso, surpreendente.
Jake ento afastou-se, beijou-a de leve nos lbios e a encarou. - Preciso lhe fazer uma pergunta.
Rowena abriu os olhos e deu com ele fitando-a intensamente. - Sim?
- Voc realmente acredita que mandei seqestrar o rei? Ela balanou a cabea.

- No.
Ele afastou-se.
- Ento, o que procurava mexendo em meus papis?
- Fiz isso para satisfazer Isabel. Eu sabia que nada havia ali. - Est dizendo isso porque ainda est confusa com meu beijo, ou porque est com medo de mim... Ou est sendo sincera? - Acha mesmo que eu o beijaria dessa maneira se pelo menos tivesse alguma dvida a seu respeito?
- No sei at onde voc iria... por lealdade  sua amiga. Rowena suspirou.
- Creio que mereo isso. - Desculpe, eu no...
Ela levou um dedo aos seus lbios, calando-o.
- Saiba que nunca estive com um homem, a pedido dela. Eu jamais faria isso, e Isabel jamais me pediria tal coisa. Na verdade, o que me fez aceitar trabalhar aqui... Bem, foi a forte atrao que sentia por voc.
Ali estava. Admitiu aquilo em alto e bom som.
Jake ergueu-lhe o queixo com a ponta dos dedos e fitou-a nos olhos.
- H quanto tempo?
- Desde a primeira vez que o vi.
A satisfao brilhou nos olhos azuis.
- Bem, acho que precisamos conversar seriamente. - Acha que  mesmo necessrio?
- Claro. - Como advogado, Jake treinara sua mente a retornar  linha original de perguntas. - Ento, voc disse que nunca acreditou que eu fosse culpado?
- Exatamente. Jake sorriu.
- E no mudou de idia aps ter vindo para c?
- No. Estou mais do que convencida de que voc no faria mal a uma mosca, menos ainda ao seu tio.
- Como pode ter tanta certeza?
- Tenho presenciado o quanto a famlia significa para voc. Ainda no o vi com seu pai, ou com seu irmo, mas sei que est sempre com eles. E no parece estar ressentido com a rainha, com Nicholas, com a princesa Dominique ou com Isabel, apesar de o manterem aqui em Edenbourg contra sua vontade. Mesmo sabendo que eles acreditam em sua culpa.
Jake deu de ombros.
- Fazem apenas o que esperam que faam. No me conhecem, no como voc.
Ela franziu as sobrancelhas.
- Tambm no o conheo, Jake.
- Claro que conhece. No vive nesta casa comigo? No me v todos os dias? - Ele puxou-a contra si. - Conhece tanto que at se sente atrada por mim.
- Receio dizer que me sentia atrada antes mesmo de saber seu nome.
Jake deu uma risadinha.
- E agora que sabe, se sente mais ou menos atrada? - Voc quer dizer... sexualmente?
- No existe outra forma de atrao...
Ela tentou se afastar, mas Jake no permitiu. - No, Jake. No posso... no podemos...
- Por que no? Somos adultos, solteiros e ambos queremos isso. Que mal poderia causar?
Como no conseguia se soltar, Rowena escondeu o rosto no peito de Jake. Aspirou seu perfume. A fragrncia profundamente sensual impregnou seus sentidos, destruindo sua capacidade de raciocinar.
Por um instante considerou se entregar, dar a Jake tudo o que desejava dar, tudo o que ele desejava.
Mas no podia. A malograda experincia com Heinrich a ferira profundamente. Jake tambm era membro da realeza, e ela, uma mera dama de companhia. Eles fariam amor e ele ento partiria, logo que as autoridades o considerassem inocente.
Que mal poderia causar? Muito mal, ao seu corao.
Jake afastou-se o suficiente para erguer-lhe o queixo com a ponta dos dedos.
- O que  agora?
- Sou apenas uma dama de companhia. At mesmo nos Estados Unidos isso no seria aceito.
Uma nuvem passou pelo belo rosto de Jake.
- Por que voc insiste nisso? Nem sequer trabalha para mim. - Sou bab de seu filho.
- Eu lhe pago algum tipo de salrio?
- Bem... tecnicamente, creio que Isabel continuar me pagando, mas...

- Viu? Voc no  minha funcionria. - Ento, o que sou?
A expresso de Jake se suavizou.
- Voc  uma mulher maravilhosa, que eu admiro muito, a quem aprecio mais do que a qualquer outra e, principalmente, quem eu desejo com loucura.
- Por favor, Jake. Os mexericos no palcio esto fervilhando a nosso respeito, todos comentam sobre o que fao aqui na manso. Se dormirmos juntos, o que no diro?
- O que importa, se de qualquer modo eles falam? - Importa a mim.
Ele fitou-a nos olhos.
- Como conseguirei viver aqui com voc, Rowena, sabendo que me deseja tanto quanto a desejo? Voc me quer, no quer? Embora tentasse, ela no conseguia afastar os olhos dos dele. - Suponho que sim, mas neste momento no consigo pensar com clareza. Minha mente est tomada por voc.
Rowena prendeu a respirao enquanto os lbios de Jake percorriam-lhe a curva do pescoo. Involuntariamente, inclinou a cabea para trs, oferecendo-lhe mais. Ele beijou-a ns lbios, com paixo.
Rowena cedeu  magia, ciente de que estava perdida, se perdera no primeiro instante em que o vira.
Se Jake insistisse um pouco, ela sabia que o seguiria escada acima, rumo ao quarto de dormir. Soltou um suspiro de prazer. Aqueles lbios provocavam-lhe toda a sorte de sensaes. Sabia que devia det-lo, mas sentia a mente nublada e a pele em fogo.
Felizmente, Jake provou ser o homem que ela julgava ser. Por fim afastou-se, embora relutante.
- Ento? O que sugere que faamos? - perguntou, j recuperado. - Devemos continuar como antes?
- No podemos ser... amigos?
- Diga uma coisa, Rowena. Aps ter me beijado como beijou, voc seria capaz de continuar sendo apenas minha amiga? Seria capaz de me ver chegar todas as noites sem me receber com um longo beijo? Conseguiria deitar-se na cama, sem pensar em mim, sozinho, na minha, sofrendo e desejando-a?
Ela estremeceu, ciente de que ele tinha razo. - Talvez eu deva voltar a dormir no palcio. - No.
- Mas se no podemos...
- Isso s confundiria a cabea de Sammy. Est acostumado a v-Ia todas as noites antes de dormir.
Sammy? Sua explicao deixou-a aliviada. Afinal ela fora mais longe do que precisava.
- Ento, o que sugere que faamos?
- Podemos comear unindo nossas foras, colaborando um com o outro, e trocando informaes sobre tudo o que soubermos sobre o seqestro.
Levou um momento para a mente de Rowena adaptar-se  brusca mudana de assunto. Ela aproximou-se de uma cadeira e sentou-se.
- Voc tem razo... Duas cabeas pensam melhor do que uma, especialmente quando uma delas pertence a um advogado. Ele sorriu.
- No me venha com piadinhas sobre advogados. No acho a menor graa.
- Falando srio... voc acha que teremos sucesso?
-Por que no? Voc mantm ligaes com o palcio e poder descobrir em que p esto as investigaes por l. Podemos discutir o que eles descobriram, e talvez possamos ver algo que eles no conseguiram.
- E quanto a Isabel? - Rowena lembrou da chave em seu bolso. A chave que a princesa usaria para entrar no apartamento de Jake e investigar. J que concordara em trabalharem juntos, ela devia falar-lhe a respeito dos planos de Isabel, no devia?
Estava confusa. Se contasse a Jake sobre a chave, ele na certa se zangaria. E se de fato fosse culpado, teria tempo para providenciar a limpeza do apartamento, antes que Isabel l chegasse.
Embora sentisse que ele no era culpado, sempre havia a possibilidade de estar enganada.
Era melhor deixar as coisas como estavam. Se Isabel conseguisse provar sua culpa, ele seria punido. Caso contrrio, ela voltaria de Nova York de mos vazias, e Jake jamais saberia.
- E quanto a Isabel? Devo dizer a ela que estamos trabalhando juntos?
- Isso  com voc, afinal a conhece melhor do que eu. Rowena olhou para o quadro na parede atrs dele.
- Seria deslealdade no contar. Ela est determinada a provar a inocncia de Nicholas. Receio que, no seu corao, ela deseja que voc seja culpado, por ser o nico suspeito que temos. Jake sorriu.
- Lamento decepciona-la.
- Por outro lado, Isabel  uma pessoa justa, e no o acusaria sem provas. Porm tambm no o inocentaria sem elas.
- Est querendo dizer que se voc tentar convenc-la de que no sou culpado, sem poder provar isso, corremos o risco de ela imaginar que a seduzi?
- Exatamente. - Pelo calor repentino que sentiu no rosto, Rowena soube que corara.
E Jake notara aquilo. Parecia fascinado, como se jamais tivesse visto algum corar. O que, claro, a fez corar mais ainda. - E eu a seduzi? - perguntou ele, suavemente.
- Sim. - A resposta no foi mais do que um sussurro. - Venha aqui, Rowena.
Ela fechou os olhos, como se assim pudesse escapar do seu encanto.
No, Jake.
- Nem mesmo se eu disser que tenho uma forte evidncia para mostrar?
Ela riu. Abriu os olhos e o viu sorrindo com malcia. Teve a impresso de que fazer amor com Jake seria mais do que sensual... seria divertido.
E depois, eles viveriam felizes para sempre...
Por que aquelas palavras permaneciam em sua mente? Rowena no acreditava em finais felizes. S acontecia nos contos de fadas.
Ento ela lembrou. Jake acreditava. At afirmou estar construindo um final feliz para Sammy. Sorriu sonhadora. A possibilidade de um final feliz na sua histria com Jake era mais sedutora do que seus beijos.
Precisava ter muito cuidado... Se quisesse manter a sanidade e o corao intatos.

Captulo 7


Jake deixou a xcara de caf pela metade sobre a mesa. Recostou-se para trs na cadeira de ferro do terrao da manso. Ergueu o rosto em direo ao sol. Faltava ainda uma hora para anoitecer, mas uma brisa fria soprando do mar levava com ela o calor do sol. Ele nunca aquecia.
Aquele lugar nunca aquecia? - Voc est to quieto...
Jake por fim abriu os olhos. Seu pai deliciava-se com uma fatia do bolo de chocolate feito pela sra. Hanson.
- Desculpe... No tenho dormido bem... Tudo parece estar contra mim ultimamente.
Edward olhou para o jardim, onde Rowena fazia companhia a Sammy.
- Tem algo a ver com uma certa bab, da qual voc no consegue tirar os olhos?
Jake ficou surpreso. Ento ele notara? Edward Stanbury no costumava notar nada do que dizia respeito ao seu filho caula.
- No... Claro que no. Recebi um telefonema da minha ex-mulher. Ela me deixou preocupado.
Embora sempre mantivessem contato, Jake e o pai no eram muito chegados. Jake nunca discutia seus problemas pessoais com ele, e no comearia a fazer isso agora.
Edward Stanbury recostou-se para trs na cadeira. - Telefonemas de ex-mulheres sempre preocupam. Ele devia saber. Tinha trs.
-  verdade.
- H algo que eu possa fazer? Ou ela quer apenas mais dinheiro?

- No desta vez. - Jake olhou na direo do filho. - Quer a custdia de Sammy.
- Bem, deixe que ela o tenha por algum tempo. Voc tem estado sempre...
- Nunca! - A recusa de Jake era decisiva. Ele devia saber que seu pai no entenderia. - Annette no quer a sua custdia porque o deseja com ela. Est se casando com um poltico, e ele quer que ela passe a imagem de me extremosa aos seus eleitores. - Mas voc tem a custdia de Sammy.
- , mas existe uma clusula no acordo que fizemos estipulando o tempo que poderei mant-la fora do pas. Excedi esse tempo e Annette usar isso contra mim.
- Acha que ela ter sucesso?
Jake deu de ombros, embora o assunto estivesse longe de lhe ser indiferente.
- Os juzes tendem a favorecer cnjuges atualmente casados, especialmente tratando-se da me. Parecem acreditar que isso significa estabilidade. O que prova que eles no conhecem Annette. - Ento, por que voc no se casa?
Jake deu uma risadinha.	'
- E com quem eu poderia me casar? Tem alguma sugesto a fazer?
Embora Jake no pudesse v-Ia, o rosto de Rowena surgiu em sua mente. Sacudiu a cabea para afastar a imagem. Como se seus pensamentos fossem transparentes, Edward olhou pensativamente para o jardim.
- Que tal a sua adorvel bab? No v me dizer que no gostaria de t-la em sua cama por um certo tempo. Vi como olha para ela.
Aquela conversa era totalmente insana. - No posso me casar com ela.
- Por que no?
- Por que no estamos apaixonados. Conheo-a h apenas duas semanas.
Mesmo enquanto ele dizia aquelas palavras, elas lhe pareciam falsas. Mas no estava apaixonado. No podia estar.._ porque nunca mais se apaixonaria. Prometera isso a si mesmo.
- E da? Eu conhecia Elizabeth havia uma semana quando me casei com ela.
Elizabeth era sua segunda esposa.
- E quanto tempo durou o casamento? Cinco anos?
- Seis anos e meio. E o fato de eu conhec-la pouco no acabou com o casamento. A maioria dos casamentos termina quando o sexo se torna insatisfatrio.
- Sempre se poder consertar isso. Edward deu de ombros.
- Se voc tiver sorte... Mas seja como for, Sammy parece adorar essa Rowena. E ela  uma mulher encantadora... Ento, por que no?
Por que no?
Jake balanou a cabea.
- Negativo. No seria uma boa soluo para um problema to srio. Deve haver uma soluo legal. No se preocupe. Darei um jeito.
Algum tempo depois, Rowena carregava um sonolento Sammy para dentro de casa. Estava quase chegando na escada quando ouviu a campainha tocar.
- Quem poder ser?
Sammy levantou a cabea. No estava muito interessado. Preferia que Rowena o levasse logo para o quarto. Queria dormir. Enquanto se dirigia  porta, Rowena beijou-o no rosto. - Ser que d para voc ficar acordado at eu dar-lhe um banho, Sammy-Jammy?
Com um suspiro desolado, Sammy deitou a cabea em seu ombro.
- Est bem...	_
Rowena deu uma risadinha antes de abrir a porta para Luke Stanbury, irmo de Jake.
- Oh, sr. Stanbury. Julguei que j tivesse chegado. Luke sorriu.
- Eles comearam a jantar sem mim?
- Entre... Na verdade, creio que eles terminaram o jantar sem voc. Vi a sra. Hanson sair h poucos minutos.
Luke entrou na sala e olhou em torno.
- Voc se refere quela coisinha feia e empertigada que acabou de passar por mim no porto? - Ele deu batidinhas nas costas de Sammy. - Como vai voc, garoto?
- Bem - Sammy respondeu sem muito entusiasmo. Em seguida enterrou o rosto na curva do pescoo de Rowena.

Ela tentou no franzir a testa enquanto fechava a porta. - A sra. Hanson pode no ser um tipo de beleza, mas  uma excelente cozinheira. Voc saberia disso se estivesse aqui na hora do jantar.
Com um s passo, Luke invadiu seu espao. Ele estendeu a mo para seus cabelos e prendeu uma mecha que se soltara da fivela.
- Que pena... Mas deve ter sobrado comida. Voc no faria um prato para mim?
Sua voz soara baixa e ntima, assim como seu gesto. Rowena se conteve para no se afastar bruscamente. Aps Heinrich, ela descobrira que o mtodo melhor de proteger seu corao era evitando certas intimidades. E a melhor maneira de evitar certas intimidades era reagir a elas com leveza, como se o homem em questo no falasse srio... mas que ela adoraria se estivesse falando. Na maioria das vezes, o tal homem ficava to convencido que nem percebia que levara um fora, at que ela tivesse desaparecido.
No entanto, naquele momento, aquilo lhe pareceu uma traio. Mas a quem ela poderia estar traindo?
O rosto de Jake surgiu em sua mente.
- Pena eu no ter filhos... - continuou Luke, sugestivamente. Correu a mo lentamente pelas costas de Sammy e ento pelo brao de Rowena. - Voc ento trabalharia para mim.
- Estou bem aqui, obrigada.
- Meu irmo a est tratando como voc merece?
Prestes a perder a pacincia, Rowena estreitou os olhos ao fit-lo.
- Seu irmo tem sido um perfeito cavalheiro.
Sammy deve ter percebido sua inquietao, porque levantou a cabea e tentou empurrar o tio.
- Pare de aborrecer minha me. Luke deu uma risadinha.
- Sua me? Est havendo algo aqui que eu ainda no sei? - Est.
A voz de Jake soou rude, vindo do hall. Eles se voltaram para v-lo sair da biblioteca e se aproximar, com a expresso fechada.
Rowena se sentiu como uma donzela salva do perigo pelo cavaleiro que chegara montado em seu cavalo negro.
Jake tirou Sammy de seu colo e, quando Rowena tentou afastar-se, ele pegou-a pela mo e a manteve ao seu lado. - Chegou bastante atrasado para o jantar, Luke...
Com a mo firmemente na de Jake, Rowena se sentia amada e protegida. Mas era uma iluso. Eles dois jamais seriam outra coisa alm de patro e empregada, no importava como Sammy a chamasse.
- Desculpe se me atrasei... Houve um imprevisto. Mas se for tarde para me oferecer algo para comer, tentarei encontrar um restaurante aberto...
- Sim,  melhor que faa isso - Jake dirigiu-se ao irmo, mantendo a mo dela firmemente segura-.
Luke assentiu.
- Papai j foi embora? - H dez minutos.
Luke levantou uma expressiva sobrancelha. Olhou para o irmo e fez um gesto com a cabea antes de virar-se para ir embora.
- Vou colocar Sammy na cama - Rowena falou, suavemente. Jake inclinou-se e beijou-a. Apertou sua mo antes de solt-la. Chocada pelo beijo, Rowena levou um momento para perceber que ele se dirigia  escada.
- No quer que eu... - No, obrigado.
Ela o fitou, intrigada.
- E o que farei enquanto isso? - Nada. Apenas relaxe.
- Sammy precisa tomar banho.
- Esquea. Ele j est dormindo. No morrer se ficar uma noite sem banho.
- Mas...
- Por Deus, Rowena - Jake segurou no corrimo e virou-se. - Voc nunca tira uma noite de folga?
- Quando tiro, costumo ir visitar meu pai. Jake balanou a cabea.
- Bem, se no tiver o que fazer, me espere na biblioteca. Ensinarei um jogo novo para voc.
Ela estremeceu diante de seu tom sugestivo. Engraado. Como algo sugestivo partindo de um certo homem podia ser to agradvel, e de um outro, to repulsivo.
No conseguiu deixar de engolir em seco. - Qual?
- Xadrez, claro. - Ele deu uma risadinha. - Ou voc tem outra coisa em mente?
- Uh... no.
- Bem, eu no demoro.
Rowena virou-se e foi para a biblioteca, tentando se convencer que no estava desapontada.
Jake bateu o telefone mesmo antes de Annette terminar de se despedir. Ela acabava de avisar que os advogados de seu noivo j estavam tratando da extradio.
Empurrou a cadeira e foi at a janela. Aps trs dias estudando todas as possibilidades, no encontrou um precedente forte o bastante para ajud-lo a manter Sammy com ele. Nem nas leis dos Estados Unidos, nem nas leis de Edenbourg.
Que diabos ele poderia fazer? Entregar Sammy a Annette, mesmo sabendo que ela o matricularia em um colgio interno, no momento em que alcanasse a idade escolar?
Nunca.
As palavras de seu pai ecoaram em sua mente. Ento por que voc no se casa?
Nos ltimos dias, ele analisara atentamente todos os ngulos daquela sugesto, e a idia comeou a agrad-lo.
Ento ele seria to casado quanto Annette. E se andasse depressa, se casasse nas prximas duas semanas, chegaria antes de Annette ao altar.
Ele desejava Rowena. Aquilo era certo. A nica questo era se casaria com ela s para t-la na cama?
O mesmo aconteceu com Annette. Ficou to cego com sua beleza que no notou o quanto ela era superficial. Tambm no notou que nela no havia nada de maternal.
Mas em Rowena havia.
Rowena no era igual a Annette. Estava convencido disso. Viviam sob o mesmo teto fazia trs semanas e aprendera a conhecer sua beleza interior. Era extremamente protetora para com aqueles a quem amava, como Isabel e Sammy, e leal.
Lembrou-se de como ela se portara com Luke trs dias atrs. Fora gentil, at servial com seu irmo, at ouvir dele algo que no a agradou a seu respeito... ento sara em sua defesa. Ser que Rowena o amava?

A possibilidade fez a cabea de Jake rodar. Ele pressionou a testa contra a vidraa.
Sua me era parecida com Annette, bonita, porm indiferente e rapidamente se entediava quando precisava ficar com os filhos, na falta de uma bab. Porm Jake a amava, e a perdoava sempre. Talvez por isso tivesse cometido o grande erro de se casar com Annette.
Mas no cometeria o mesmo erro duas vezes. J que precisava se casar, desta vez escolheria uma mulher bem diferente da me e da ex-esposa.
E essa mulher era Rowena.
Ela seria a me perfeita para Sammy... e a esposa perfeita para ele.
No, ele no se casaria somente para t-la em sua cama, embora aquilo fosse definitivamente estimulante. Se casaria com ela por Sammy... e por sua natureza dcil... por sua lealdade admirvel... e seu sorriso lindo.
Agora, tudo o que ele tinha de fazer era convenc-la a ser sua esposa.
O telefone tocou na parede da cozinha justamente quando Rowena batia a massa dos biscoitos na batedeira.
- Quem poder ser a esta hora? - murmurou.
- Deve ser meu pai. - Do lugar onde se encontrava sentado na mrmore da pia, Sammy olhou dentro da tigela enquanto ela desligava a batedeira. - Os biscoitos esto prontos?
- Ainda no. - Ela puxou o fio da tomada com uma das mos, depois segurou o joelho de Sammy e pegou o telefone, atendendo no terceiro toque.
- Manso Dowager. - Rowena?
- Isabel! - No tivera notcias da princesa desde o dia anterior, quando ela viajara para Nova York. - Onde voc est? - Acabo de sair do apartamento.
A voz excitada de Isabel demonstrava o quanto ela gostava de bancar a espi.
- E?
- Voc no vai acreditar quando eu disser o que encontrei. O corao de Rowena disparou.
- O que foi? Me conte.
Rowena olhou para Sammy, que tirava uma colherada da massa da tigela. Ele sorriu para ela quando levou  boca. Precisava ter cuidado com o que diria.
- Ele possui um verdadeiro estoque de livros sobre Edenbourg, e vrios dele sobre a famlia real. H livros que eu nem sabia que existiam.
- S isso?
- Acha pouco? Por que ele teria tantos livros sobre a famlia real? So mais de vinte.
- A famlia tambm  dele, no esquea. Houve uma breve pausa no outro lado da linha.
- Pelo, seu jeito de falar, acho que est comeando a acreditar que ele no seja culpado.
Rowena sorriu para Sammy quando ele pegou um biscoito de chocolate. Respirou fundo.
- Se quer saber, no acredito que ele seja.
- Por que est dizendo isso? Encontrou alguma coisa?
- No. S que... - Rowena sentiu-se dividida. Era amiga de Isabel h muitos anos, e conhecia Jake h poucas semanas. Ento, por que no conseguia contar a Isabel o acordo que fizera com Jake? - Bem, eu no sei... Apenas no acho que ele seja culpado.
- Se apaixonou por ele, no foi? - No  nada disso, Isabel...
- No minta pra mim. Notei como olha para ele quando julga que ningum est vendo. J dormiram juntos?
- Isabel!
-  uma pergunta vlida, porque se estiver dormindo com o inimigo, precisarei tir-la dessa casa.
- No, no estou. E tampouco planejo fazer isso. E no vou sair daqui. Sammy precisa de mim.
Sammy a fitou com os olhos arregalados. - Voc vai embora?
Rowena sorriu.
- No, Sammy-Jammy, no vou.
- Edenbourg tambm precisa de voc, Rowena. Rowena fechou os olhos, cheia de culpa.
- Sei disso. Mas estamos procurando no lugar errado, Isabel. Estou certa disso.
- O quanto est certa, Rowena? Certa o bastante para apostar a vida de meu irmo nisso? Seja quem for que deu
sumio no meu pai, deve estar tramando fazer o mesmo com Nicholas, se almeja sentar-se no trono de Edenbourg. Rowena hesitou. Estaria to certa da inocncia de Jake? Gostava de Nicholas como a um irmo.
- Sim, estou to certa de sua inocncia quanto estou da minha. Outra vez houve uma pausa, at que Isabel manifestou-se. - Bem, depois de voc ter me alertado sobre aquele prncipe coroado, que mais tarde descobrimos que dormia com seu valet, creio que devo confiar no seu julgamento. Portanto, vou acreditar em voc. - Isabel suspirou. - Eu gostaria de saber o que Jake faz com todos aqueles livros. E por que ele quis uma cpia do Tratado de Edenbourg.
- Estou certa de que eventualmente ns saberemos disso. Tem certeza de que ningum a reconheceu?
- Sim, tenho. Est tudo bem, no se preocupe. Estarei em casa amanh.
Rowena disse adeus e desligou o telefone.
Por que Jake mantinha todos aqueles livros? Pelo mesmo motivo que mantinha o Tratado de Edenbourg. Curiosidade? Ela devia acreditar?
- Rowena?
Sammy a chamou, e parecia preocupado. - O que foi, Sammy?
- Voc no vai embora, no ?
Ela tirou-o de sobre a pia e abraou-o fortemente.
- No. Sammy-Jammy, no vou. Amo voc e jamais o deixaria. Ele suspirou e passou os bracinhos em torno do seu pescoo. - Tambm te amo, Rowena.
Lgrimas brotaram em seus olhos enquanto ela o abraava fortemente. Era a primeira vez que dizia a Sammy que o amava, era a primeira vez que se dava conta disso.
No o amava somente por ele ser criana e acreditar em todas as coisas boas da vida... por ainda acreditar em finais felizes. O amava tanto quanto amaria um filho. Soube disso porque naquele momento ela faria qualquer coisa para v-lo feliz.
O que lhe trouxe vrias perguntas  mente.
Sua f na inocncia de Jake seria causada pelo afeto que sentia por Sammy? E quanto aos seus sentimentos em relao a ele? Ser que estava confundindo as coisas, julgando que o amava porque queria Sammy para ela?
E a mais difcil de todas as perguntas: suportaria ver os dois partirem de Edenbourg, deixando-a para trs?
O som da mquina de lavar levou Jake  lavanderia antes de passar pela cozinha. Abriu a porta e encontrou Rowena lidando com a roupa.
- Mas o que  isso? Ela virou-se, assustada. - Jake! Voc me assustou. O que faz em casa to cedo? - Primeiro responda minha pergunta.
- Eu... - Ela abaixou os olhos, sentindo-se culpada. - A sra. Hanson precisou ir embora mais cedo. Sua me passou mal. Eu disse a ela que tiraria a roupa da mquina.
- Quantas vezes mais terei de dizer que voc no  empregada nesta casa? - Jake detestava v-Ia trabalhando feito uma criada. Rowena devia ser tratada como uma princesa.
- Ora, Jake, e o que mais eu sou?
Ela virou-se para pegar uma camisa da mquina, mas Jake a impediu, segurando-lhe o brao. Puxou-a para si e pegou-a no colo.
- Jake! - Ela agarrou-se ao seu pescoo. - O que pensa estar fazendo? Ponha-me no cho!
Ele a ignorou, e dirigiu-se  biblioteca.
- Vim mais cedo porque precisamos conversar seriamente, e no poderia fazer isso na lavanderia.
- Mas as suas camisas precisam ser passadas a ferro. - Esquea. Esse problema no  seu.
Rowena suspirou.
- Algum j disse que voc  um cabea-dura? - Vrios j disseram. E Sammy? Onde est? - Dormindo. Faz vinte minutos.
- timo. Nossa conversa durar mais ou menos uma hora. - Ele empurrou a porta da biblioteca com o p.
- Que conversa?
Ele a colocou sentada no sof. - Fique aqui. Voc j vai saber. - O que houve, Jake? Est me deixando preocupada.
Ele a fez calar com um longo beijo, provocante e intenso, que a fez sentir-se nas nuvens. Jake no pretendia comear com um beijo, mas sabia agora que aquela fora sua melhor idia do dia.

No se afastou at ouvi-Ia gemer baixinho. Rowena ento apoiou a testa em seu queixo.
- Por que tudo isso, Jake?
Ele estudou seu rosto adorvel. Sentia-se tentado a tornar a peg-la no colo e carreg-la escada acima. Mas se fizesse isso, eles no sairiam do quarto antes de uns quatro dias.
- Por favor, sente-se e oua.
- Est bem. - Ela recostou-se. - O que tem para me dizer de to importante?
Como comear, pensou ele?
- Aconteceu algo muito srio, envolvendo Sammy. - Jake sentou-se no sof e falou sobre os telefonemas de Annette. Deu a ela todas as explicaes legais, acentuando as implicaes.
A cada palavra que dizia, os lindos olhos dourados de Rowena iam ficando cada vez mais furiosos.
- Ela no pode tirar Sammy de voc! - exclamou, quando ele terminou de falar.
- Receio dizer que ela far de tudo para obter a custdia. - No, Jake. No podemos permitir. O que podemos fazer para impedir essa crueldade?
- Estive pensando e eu acho que encontrei a soluo.
- Oh, Jake, eu sabia! - Os olhos dela brilhavam intensamente quando ela se virou no sof para fit-lo. - E o que ? Sabe que poder contar comigo, para o que der e vier.
- Bem, para ser franco, j estou contando. - Farei qualquer coisa que me pedir.
- Qualquer coisa? Ela assentiu.
- Ainda bem que disse isso. - Ele pegou as mos dela. - Quero que se case comigo.

Captulo 8


Rowena ficou em estado de choque. 
-Quer que eu me case com voc?
Era o sonho de toda a jovem. Um prncipe lhe propunha casamento... lhe oferecia a felicidade eterna. Porm, com anos de atraso. Anos aps ela ter entendido que aquilo era to fictcio quanto os prprios contos de fada.
- Quero.
- Voc enlouqueceu? Ou ser que estou ouvindo coisas? - Ela tentou afastar as mos das dele, porm Jake no permitiu. -  srio, Rowena. Quero me casar com voc.
- No, Jake. No ser possvel. - Por que no?
- Voc ainda pergunta? Alm do fato de voc ser um prncipe e eu uma pessoa to... to comum...
- Pare com isso. Voc no  uma pessoa comum. Ao contrrio... E a mulher mais incomum que eu conheo.
- Jake...
- E no sou um prncipe. Sou um cidado americano. Ningum dir com quem devo ou no casar.
- No importa o que diga, continuar sendo o quarto na sucesso ao trono. - Ela o fitou. - Sou apenas uma dama de companhia, Jake. Sabe o que isso significa? Que no passo de uma criada.
- Como advogado, tambm estou a servio do pblico. - Eu trabalho para sobreviver.
- Isso mudar, Rowena. Voc merece ser tratada como uma princesa... e farei com que se torne uma. - Ele levou suas mos aos lbios e beijou ambas, no meio da palma.

Rowena estremeceu, mais devido s palavras dele do que  suave carcia na parte mais sensvel de suas mos.
Muito jovem, ela costumava sonhar com um belo prncipe que viria salv-la de uma vida de trabalho rduo. Ele a colocaria na garupa de seu cavalo e a carregaria para o castelo encantado, onde a trataria como uma princesa.
- No, Jake, no diga essas coisas. Eu posso acreditar. - Voc pode acreditar em cada palavra do que eu disse. - Ele sorriu. - Case comigo.
- Mas ns no estamos apaixonados. O sorriso dele apagou.
- Mas voc me quer, tanto quanto a quero.
Ento  apenas sexo... outra vez? Qual seria ento a diferena entre Jake e Heinrich? Nenhum lhe ofereceu amor. Nenhum lhe prometeu felicidade eterna.
Ela sempre estivera certa... os prncipes eram todos iguais. - No. Seria loucura. - Ela por fim liberou as mos e levantou-se.
- Est dizendo que no me quer? - Quando ela deu dois passos atrs, Jake levantou-se.
Rowena estremeceu.
- Desejo apenas no basta. Se tudo o que quer comigo  sexo, poderemos subir agora mesmo e resolver isso.
Ele segurou-a pelos ombros e a fez fit-lo.
- Posso garantir que no  apenas sexo. Se essa parte a incomoda, podemos manter um relacionamento platnico... at que se sinta confortvel com a idia... e comigo.
- E se isso nunca acontecer? Ele apertou seus ombros.
- No acredito nessa possibilidade.
Jake era to seguro de si mesmo... Rowena desvencilhou-se dele.
- No  o sexo que me incomoda... - Ela orgulhou-se de si mesma por no ter estremecido. - E o casamento e as conseqncias dele.
- Posso sustent-la, se  o que a preocupa. Colocarei uma certa quantia em dinheiro mensalmente em uma conta bancria, em seu nome. Poder fazer o que quiser...
O ultraje devia estar claro no rosto de Rowena, porque ele no foi adiante.

- Acha que pode me subornar, para que eu o aceite? - No seria um suborno, e sim um acordo.
-  mesmo?
Ele correu as mos pelos cabelos sedosos de Rowena. -Tenho pensado muito nisso tudo... Ser melhor se acertarmos as coisas previamente. Nossos deveres, nossas expectativas, um plano de contingncia, esse tipo de coisa.
- Voc est falando como um advogado. - No  o que sou?
- , no ? - Ela cruzou as mos sobre o estmago. - Ento me diga... Quais seriam os meus deveres nesse acordo? - No muito diferentes dos de agora. Cuidar de Sammy seria sua prioridade nmero um. No quero v-Ia fazendo servios, de casa, de nenhuma espcie.
- Nenhum? Nunca? - Exatamente.
- E se no meio da noite voc ficar com fome e a cozinheira no estiver em casa. Permitir que eu lhe prepare um sanduche? - Posso perfeitamente fazer um sanduche. E tambm levar minhas roupas  lavanderia, e at engraxar meus sapatos. O que h de errado em querer poupar minha esposa?
- Acontece que gosto de cuidar das pessoas que amo... de cozinhar para elas, de cuidar das roupas... talvez no todos os dias, mas quando for necessrio.  como deve ser o casamento... fazer coisas um para o outro. Partilhar dos problemas.
- No gosto de v-Ia...
- E quem pediu sua opinio? Sei que acha o meu trabalho desabonador, mas gosto do que fao. - Ele parecia to contrariado que Rowena relevou. - No que eu no goste de ser tratada como uma princesa, mas ficar em um pedestal vinte e quatro horas por dia pode ser extenuante. Sei disso. Trabalho para uma princesa real.
Ele deu um passo adiante e abaixou o tom de voz. - Como voc deseja ser tratada?
Embora aquela proximidade, seu tom sensual a derretessem, ela recuou.
- Como uma mulher.  o que sou. - Sei disso.
- Oh, Jake... - Com apenas um olhar ele era capaz de derrubar suas defesas. Para tornar a levant-las, ela virou-se
e aproximou-se da janela abrindo-se para o oceano. - Isso no vai dar certo.
Ele a seguiu.
- Estou certo de que dar... basta nos empenharmos um pouco. Rowena lembrou de quando ele falou sobre trabalhar arduamente para criar um final feliz para Sammy. Jake tambm se empenharia em faz-la feliz. O pensamento era altamente sedutor. -A primeira providncia a tomar ser acertarmos um acordo pr-nupcial. Voc poder fazer todas as exigncias que julgar necessrias.
- E estipular aquela quantia que voc disse que depositar na minha conta bancria todo o ms?
Jake hesitou, provavelmente devido ao seu tom frio. - Quanto voc quer?
- Ora, Jake. Se pensa que poder me fazer feliz me dando dinheiro  porque no me conhece. E certamente no me conhece bem o suficiente para se casar comigo.
- Ento o que voc quer? Amor.
A palavra chegou  ponta da lngua de Rowena, mas ela rapidamente voltou os olhos para o mar, para que ele no notasse o que de repente ela descobriu enterrado bem no fundo de seu corao.
Ela o amava. Jake Stanbury, o prncipe real. No. Oh, no.
Jake aproximou-se de suas costas e abraou-a.
- O que voc deseja, minha doce Rowena? Posso lhe dar qualquer coisa. Jias, peles, casas pelo mundo inteiro... o que lhe agradar.
Ela fechou os olhos para conter as lgrimas.
- Como pagamento por cuidar de seu filho? Algo que de qualquer modo eu j fao?
- Voc merece muito mais.
- Foi desse modo que props casamento a Annette? - O casamento deles tambm fora um acordo? No admirava no ter durado.
Jake franziu a testa, o rosto enterrado nos cabelos sedosos de Rowena, enquanto as palavras dela tocavam um acorde de verdade dentro dele. Seria mesmo? Seu casamento com Annette fora um negcio... uma fuso, na falta de um termo mais adequado.
Jake nunca pensara em seu primeiro casamento daquela forma. No entanto, fuses e aquisies eram seu talento especial. Tinha oito anos quando seus pais se separaram, separando tambm os dois irmos. Luke ficara com Edward e Jake com a me. Jake amava a me, mas' enquanto crescia por diversas vezes a ouviu queixar-se por no obter ateno suficiente da parte de Edward.
O que seus pais tiveram foi um negcio de fuso que no deu certo. Jake nunca colocara aquilo em tais termos. Mas desde que descobrira o significado da palavra, comeara a ver o relacionamento deles desse modo.
Por isso ele se especializara nessa rea da lei? Para se certificar de que as fuses em que trabalharia passariam no teste do tempo?
De repente ele entendeu que durante todo o tempo estivera tentando acertar a fuso do prprio casamento. Ganhara toneladas de dinheiro, por Annette, esperando receber em troca seu amor e sua gratido. Por que estava to surpreso por no ter conseguido?
Mas ele no cometeria o mesmo erro duas vezes. Mas se pretendia manter a guarda de Sammy, precisava de uma esposa. E queria Rowena como sua mulher. Mas se no com dinheiro, como mais poderia convenc-la?
- Tudo bem. Vamos esquecer o acordo pr-nupcial e pensar em Sammy. Ele precisa de uma me. Precisa de voc, Rowena. Talvez fosse a doura em sua voz que tivesse feito os olhos de Rowena perderem aquele brilho raivoso.
- Voc sabe exatamente qual  o meu ponto fraco...
- Isso eu no sei. O que sei  que preciso de uma esposa para manter Sammy comigo. E no quero outra a no ser voc. Rowena fez um breve silncio, ento o fitou. Ela no parecia nada feliz.
- Est bem, Jake, me casarei com voc... por Sammy. Mas apenas no papel, pelo menos at nos conhecermos melhor. Apesar daquela condio, Jake respirou aliviado.
- Entendo.
- Saiba que falo srio. Eu no dormiria com um homem sem amor.
- Mas eu...
- E no se atreva a dizer que me ama. No  verdade... ou no estaria me pedindo em casamento, no sob essa condio.

Ele assentiu, ento abraou-a.
- Seja como voc quiser. Mas passarei todo o tempo me esforando para fazer com que me ame.
Ela estremeceu em seus braos. - Quando nos casaremos?
- O mais cedo possvel. No creio que amanh...
- No, absolutamente, no. Isabel na certa vai querer programar algo.
- E quanto a voc? O que quer fazer?
- Neste exato momento... - Os olhos dela deslizaram para a boca sedutora. - Quero que me beije.
Ele obedeceu prontamente.
Rowena suspirou quando ele por fim afastou-se. - S mais uma coisa - pediu ele.
Os olhos dourados se abriram. - Sim?
- Ningum poder saber por que motivo estamos casando. Se o juiz que est cuidando da extradio achar que me casei com a primeira que apareceu, Annette obter a custdia. Ele dar o nosso casamento como sendo instvel, porque no  pra valer.
Rowena franziu as sobrancelhas. - E de fato no ser.
- Mas faremos com que seja. Ela suspirou.
- S quero ver.
- Acha que conseguir fingir que me ama, s um pouquinho,? Rowena sorriu, porm o sorriso no alcanou seus olhos. - Com certeza...
-  loucura. Voc no pode fazer isso.
- Posso sim, Isabel. Vou me casar com ele. Os olhos verdes de Isabel soltavam fascas.
- Eu sabia que voc estava mentindo para mim no telefone. J estava apaixonada por ele, no estava?
Rowena abaixou os olhos, incapaz de sustentar o olhar acusador da princesa.
- Estava... Aconteceu sem que eu percebesse.
Era a primeira vez que ela admitia aquilo em voz alta.
- E no acha que vocs esto indo rpido demais? Casar assim, de uma hora para a outra...

Rowena se sentia a mais desleal das amigas escondendo os fatos a Isabel, o porqu daquele casamento apressado. Mas mesmo Isabel precisava acreditar que seria um casamento de verdade.
- No temos porque esperar.
- Nem mesmo uma semana? Duas? Rowena deu de ombros.
- Se est tudo resolvido, para que esperar?
- Para que eu tenha tempo de programar algo.
- Para que voc tenha tempo para me dissuadir da idia. Isabel pegou a mo dela entre as suas.
- Tem certeza de que sabe o que est fazendo? Pode ser que se julgue apaixonada, como aconteceu com Heinrich. Mas afinal, voc nunca me contou o que houve, Rowena. Por que ele de repente foi embora e nunca mais voltou? Ouvi dizer que...
Rowena ignorou a insinuao nada sutil da princesa. Ela nunca fora capaz de falar sobre sua experincia humilhante com Heinrich, mesmo com sua melhor amiga.
E agora estava para se casar com outro prncipe. Jake acabaria pensando o mesmo que Heinrich? Que ela era uma mulherzinha comum e frgida?
Aquele temor, mais do que qualquer outra coisa, era o que a impedia de aceitar Jake como seu verdadeiro marido.
Sua voz tremeu ligeiramente quando ela afirmou que tinha certeza absoluta, que amava Jake. Que tambm amava Sammy. E o que mais ela poderia desejar?
Isabel a estudou com ateno.
- Est bem, Rowena. Acredito no que est dizendo. - Os olhos da princesa marejaram: - Talvez parte do meu receio seja porque detesto pensar que vou perd-la.
Rowena tambm comeou a chorar, abraada  amiga.
- Voc no me perder. Estou s me casando. Estarei sempre por perto, embora no como sua dama de companhia. E voc, qualquer dias desses tambm vai se casar.
- Sim, mas ser que amarei essa pessoa tanto quanto vote" ama Jake?
- Claro que sim... Isabel suspirou.
- Eu lhe desejo toda a felicidade do mundo, Rowena... e que o amor de vocs dure para sempre.
Rowena tornou a abra-la, fortemente, para que Isabel no visse a sombra da dvida em seus olhos:
- No faa essa cara assustada - Jake sussurrou ao pegar a mo de Rowena diante do altar, na capela dentro do palcio. Os familiares de ambos os cercavam. Sammy mantinha-se um passo atrs dos noivos, trazendo na mo a caixinha com as alianas. O pai de Rowena permanecia ao lado da rainha Josephine. Membros da famlia real, incluindo Luke, lotavam as duas primeiras fileiras de bancos da. capela.
Isabel era a madrinha da noiva, e Edward, padrinho do noivo. Jake apertou a mo de Rowena.
- Noivas supostamente devem estar radiantes de felicidade. Rowena forou um sorriso.
- Assim est melhor? - Bem melhor.
- Queridos noivos, estamos aqui reunidos... Ambos olharam para o padre.
Apesar do peso do vestido de cetim branco que fora de sua me, Rowena estremeceu de frio na capela de pedras, famosa por seus anjos de mrmore. Sentia a frieza de seus olhares sem vida, fitando-a, acusando-a de estar se casando com aquele homem sob falsos pretextos... um homem que no a amava. Mas tenho meus motivos...
Rowena sussurrou para os anjos de mrmore.
Embora ela no acreditasse em felicidade eterna, Jake acreditava. Estando perto dele, ela talvez aprendesse a acreditar, como quando era uma garotinha, no tempo em que julgava ter sido o mais feliz de sua vida.
Desejava fazer parte da felicidade eterna de Jake. E tambm da de Sammy. Se pelo menos ela pudesse esquecer que Jake no a amava. Se pudesse esquecer que ela era igualmente culpada das mesmas mentiras e traies de Annette, a quem agora Jake tanto desprezava.
Mesmo tendo concordado em trabalhar com Jake nas investigaes, tendo afirmado que partilharia com ele as informaes obtidas no palcio, Rowena nada dissera sobre a chave que tirara dele escondido, para que Isabel pudesse ir a Nova York investigar seu apartamento, e sobre o que ela havia encontrado por l.

Mesmo acreditando de todo o corao que Jake era inocente, Rowena fora incapaz de defend-lo, convencer Isabel de sua inocncia.
- ...para amar, honrar e proteger...
A voz profunda e forte de Jake ecoou atravs das paredes de pedra da capela. Ele parecia to convincente...
At mesmo Isabel admitira que nos ltimos dois dias ele parecia intensamente apaixonado. Quando acontecia estar por perto, nunca se afastava de Rowena, tocando-a, mimando-a, levando-a pela mo.
Em contraste, os votos de Rowena, quando ela os pronunciou, pareciam querer se esconder pelos cantos do santurio.
Jake colocou um anel de diamantes em seu dedo, em seguida ergueu-lhe o vu descobrindo-lhe o rosto para beij-la. Aquele poderia ser o comeo da felicidade eterna que ela tanto almejava.





Captulo 9


Jake virou-se quando algum tocou em seu ombro. Curvou-se brevemente em uma reverncia. - Rei Nicholas.
- Por favor, chame-me de Nicholas. Afinal, somos primos. - Se assim deseja...
Nicholas fez um leve gesto com a cabea indicando o terrao. - Tem um minuto, por favor? Gostaria de ter uma palavrinha com voc.
- Claro...
O prncipe herdeiro dirigiu-se aos embaixadores com quem Jake estivera conversando.
- Nos do licena, cavalheiros?
Jake manteve o rosto inexpressivo ao seguir o prncipe ao terrao.
- Deve estar bastante ocupado ultimamente, precisando assumir os deveres de rei e ainda tentar descobrir o paradeiro dele - comentou Jake.
L fora, o sol ameno de abril mal dominava a brisa fria vinda do mar.
- Sei que no tenho aparecido, mas isso dificilmente seria uma desculpa. E tambm no  o motivo... - Nicholas caminhou casualmente atravs 'do terrao. - A verdade  que eu no queria me confraternizar com o suspeito de ser o carrasco de meu pai.
Jake ficou surpreso com a franqueza do primo. Nicholas era um homem justo, um consumado estadista.
- E no pensa mais assim?
Nicholas parou no alto dos degraus na escada que levava ao jardim e olhou para Jake. 
- No acredito que tenha feito tal coisa.
Jake levantou as sobrancelhas com ar indagador. - O que o fez mudar de idia a meu respeito?
Nicholas fez um gesto com a cabea em direo ao pequeno lago no jardim.
Jake olhou naquela direo. Rowena e a princesa Rebecca encontravam-se no local. Naquele momento elas pararam de caminhar para que Rowena pegasse a filhinha de Nicholas dos braos da princesa.
Jake sorriu vendo a expresso maternal no rosto da esposa, mesmo  distncia.
- Foi o que me fez mudar de idia. Jake voltou sua ateno a Nicholas. - Rowena? O fato de eu ter me casado com ela?
- No. O modo como voc sorri toda a vez que a v. - Nicholas deu uma batidinha no ombro de Jake. - Creio que ns dois. temos mais em comum do que apenas genes, meu querido primo americano. Ambos nos apaixonamos inesperadamente por mulheres maravilhosas. Um homem capaz de amar tanto uma mulher dificilmente faria mal a um rato, muito menos a um ser humano.
Mais uma vez, Nicholas o surpreendia. Jake olhou de volta para as duas mulheres para esconder sua confuso. Um homem capaz de amar tanto uma mulher... Ou Nicholas era muito bom ator, ou enxergara algo que ele se recusava a admitir at a si mesmo.
- Vamos nos juntar a elas?
- Se o chefe do Estado pode fazer gazeta, tambm posso. Rowena foi a primeira a not-los. Ergueu os olhos e seu rosto se iluminou com um sorriso de boas-vindas.
Naquele instante, a confuso em Jake dissipou-se. Apaixonado ou no, ele fizera a escolha certa. Nunca se cansava de olhar para Rowena, de ver seus olhos cor de mel se iluminarem at ficarem dourados, sempre que ele se aproximava.
Quando Rowena. tocou no brao de Rebecca, a princesa virou-se e lanou um sorriso similar ao marido.
Jake passou um brao em torno da cintura estreita de Rowena e inclinou-se para beij-la.
- Ol, beleza. - Seu sorriso tinha a luminosidade dos raios de sol.
- Ol... O que houve com a reunio? Nicholas respondeu por ele:
- Ns dois decidimos que nossas esposas so bem mais interessantes do que uma sala cheia de embaixadores europeus. Jake olhou em torno.
- Onde est Sammy?
- Est l dentro, com a rainha e com Isabel. Elas prometeram ler uma histria antes de coloc-lo na cama para o sono da tarde. Ento, eu e a princesa Rebecca decidimos vir tomar um pouco de ar.
- Rebecca, por favor, Rowena. Quantas vezes precisarei dizer para voc parar de me tratar to formalmente? Tem gente demais fazendo isso. - Rebecca recostou-se ao marido e sorriu. - Voc agora faz parte da famlia.
Rowena sorriu.
- Desculpe, acho que preciso de tempo para me acostumar. H s dois dias eu era apenas uma dama de companhia.
- Deixe disso. Todos ns sabemos que voc e Isabel so como irms.
Jake tornou a beijar Rowena.
- Voc vive me lembrando de que sou um prncipe. Mas no esquea que isso faz de voc uma princesa.
- Bem, esta princesa precisa voltar ao palcio... Rebecca fez meno de acompanh-la.
- Vou com voc.
- No. Fique aqui e curta esses momentos a ss com seu marido. So to raros ultimamente.
O casal real sorriu para Rowena.
Rowena se despediu e virou-se para Jake, que a seguia. - Voc no precisa retornar  reunio? - perguntou.
- No enquanto Nicholas no retornar, e est parecendo que ele vai demorar um pouco.
Rowena suspirou.
- Eles esto muito apaixonados. Nicholas acertou quando escolheu a princesa Rebecca para ser sua esposa.
- Apenas Rebecca, lembra-se?
De repente, algo no jardim chamou a ateno de Jake. Trs jardineiros trabalhavam em um canteiro perto dali, mas havia algo estranho na atitude deles. Os trs pareciam preocupados e a todo instante olhavam por sobre os ombros.

- Jake? O que foi?
- V indo na frente, meu bem. Irei em seguida.
De repente ele descobriu o que havia de estranho com aqueles homens. Todos os trs tinham protuberncia sob a camisa na frente, abaixo do ombro. Estavam armados.
- Jake, o que...
- V. - Jake colocou a mo em suas costas e impeliu-a em direo ao palcio.
- Mas... .
Os trs homens largaram as ps e as enxadas e viraram-se em direo a uma rea isolada que ocultava o homem que era o primeiro na linha de sucesso ao trono de Edenbourg.
- Obedea, Rowena. Pegue a princesa e volte para o palcio, agora!
Ela tambm viu os homens, porque de repente empalideceu. - Oh, meu Deus! No, Jake... Eles podem feri-lo. Vou avisar os guardas. Eles...
- No h tempo. Seja o que for que acontea, voc precisa salvar a princesa.
- Tenha cuidado! - gritou ela, por sobre o ombro, segurando o beb com fora, enquanto se afastava.
Jake correu na direo contrria. Como os suspeitos haviam conseguido burlar a segurana, entrar no palcio sem que ningum os visse? E como diabos poderia det-los? Estavam armados e pareciam saber usar suas armas... Alm disso, eram trs contra um.
Jake parou ao avist-los, escondendo-se atrs do tronco de uma rvore. De costas para ele, os trs homens acabavam de abordar o casal real. Dois deles empunhando revlveres, en-; quanto o terceiro j se aproximava de Nicholas com uma corda.
Jake pensou um pouco. O elemento surpresa era sua nica arma. Avanou atravs dos arbustos o mais silenciosamente possvel.
Em meio aos arvoredos, ele viu quando Nicholas se posicionou na frente de Rebecca. Em um tom autoritrio, exigiu uma explicao por estarem sendo perturbados.
Um dos homens falou em ingls, mas com um forte sotaque germnico, ordenando a Nicholas que se virasse. Aquilo podia s significar uma coisa: eram homens contratados possivelmente por um grupo militar alemo, que tencionava se apoderar de Edenbourg.
A ilha situava-se em um ponto estratgico entre a Alemanha e a Inglaterra, e ambos os pases haviam reivindicado a posse dela atravs de combates, vrias vezes no ltimo milnio, apenas para serem derrotados pela Marinha pequena, porm eficaz de Edenbourg.
Mesmo durante a Segunda Guerra mundial, nem os alemes e nem os ingleses conseguiram colocar os ps no solo de Edenbourg. Jake avanou, parou atrs de uma rvore a poucos metros dos agressores. Precisava atac-los antes que amarrassem Nicholas. Com alguma sorte, o prncipe herdeiro teria presena de esprito suficiente para derrubar o homem tentando amarr-lo. Recostou-se ao tronco da rvore por um momento, tentando reunir foras. Quando o homem  esquerda se moveu em direo a Rebecca, Jake saltou em cima dele com um grito.
O homem o enfrentou. Pesava uns trinta quilos a mais do que Jake, mas o elemento surpresa o ajudou.
Enquanto caam, Jake certificou-se de que cairia sobre ele. O homem bateu com a arma no lado de seu rosto e em seguida disparou.
Uma mulher gritou a todo pulmo. Um homem gemeu. Mas Jake no pde ver o que estava acontecendo, ocupado demais tentando nocautear o outro grandalho alemo.
Quando por fim conseguiu tirar a arma da mo do sujeito, outro tiro foi disparado. Jake sentiu a coxa direita em fogo. Um gemido abafado. Um grito angustiado. Mais gritos em alemo do homem sob ele e dos outros dois.
De repente um golpe na tmpora esquerda o deixou zonzo, dando ao seu oponente a chance de empurr-lo e escapar. Ainda zonzo, ele foi capaz de erguer o corpo a tempo e ver os trs desaparecerem por entre as rvores.
Ento virou-se e viu Nicholas sentado no cho e apoiando Rebecca contra si. Havia sangue em seu vestido, na altura da cintura.
- Estou bem, querido - insistia ela.
- No, no est. - Nicholas tirou o palet e em seguida a camisa. - Onde em nome de Deus se meteram os seguranas? Em resposta, tiros foram ouvidos  distncia.
- Vou busc-los - Jake sacudiu a cabea para clarear a mente e tentou se levantar. Ao fazer isso, sua perna direita no o sustentou.
- Voc no vai a lugar algum, meu amigo - disse Nicholas ao dobrar a camisa e pressionar contra o ferimento de Rebecca. - A ajuda no demora a chegar.
Enquanto Jake examinava o ferimento na perna e conclua que o tiro o pegara de raspo, os guardas do palcio os rodearam. Dois deles rudemente tentaram ergu-lo do cho.
- Parem! - ordenou Nicholas. -- Tirem as mos deste homem. Ele nos salvou.
O capito da guarda do palcio afastou seus homens e virou-se para Nicholas fazendo uma breve reverncia.
- Desculpe, Alteza, eles so novatos.
Nicholas fez um gesto com a mo dispensando suas desculpas e virou-se para Rebecca, enquanto um dos guardas usava o rdio. solicitando ajuda mdica.
Zonzo, Jake observava os guardas limparem a rea. Ento sentiu que algum tocara seu brao.
- Venha sentar-se aqui... - disse Nicholas, indicando um dos bancos do jardim. - Voc no parece estar firme o suficiente para ficar em p.
Jake deu de ombros.
- No se preocupe. Eu sobreviverei.

Duas horas depois, Rowena abriu a porta de um dos vrios apartamentos desocupados no palcio.
- Jake.
Ele recostava-se aos travesseiros na cama de casal. Ao v-Ia, removeu a toalha com gelo que pressionava no lado do rosto que estava machucado.
- Oh, meu Deus. - Ol, Rowena.
Ela aproximou-se lentamente da cama, observando-lhe o rosto machucado. Como ele no estava usando camisa, seu peito mostrava vrios arranhes e hematomas. Sua perna encontrava-se estendida e enfaixada na altura da coxa.
Rowena apoiou-se com ambas as mos nos ps da cama. - Como est se sentindo?
- Modo, mas feliz por ter sobrevivido.
- Voc levou um tiro - disse ela, com olhar acusador. - Est zangada comigo? Por ter salvo o seu precioso prncipe, aquele pelo qual arriscaria o prprio pescoo?
- No se atreva a ser leviano comigo! Quase morri de preocupao nessas ltimas duas horas. Ouvi tiros quando cheguei ao terrao, e faz uma hora que me disseram que nenhum deles atingiu seu corao.
Quando Rowena ouviu aqueles tiros, julgou que fosse enlouquecer de preocupao.
Jake por fim teve o bom senso de parecer contrito.
- Sinto muito, meu bem... Eles me arrastaram para este quarto de imediato e o mdico comeou a me furar com agulhas. Sabe como eles so...
Ela engoliu em seco. - Doeu muito?
Jake balanou a cabea antes de bater com a mo no colcho. - Venha aqui.
Rowena recusou seu convite negando com a cabea. - Voc est todo machucado.
Mas como ela queria aceitar. Precisava toc-lo, ter certeza de que estava ali, real e vivo. Queria agarrar-se a ele e nunca mais deix-lo partir.
- Ficarei ainda mais machucado se voc no ficar pertinho de mim... Um beijo seu me far melhor do que qualquer medicamento.
Os olhos de Rowena se encheram de lgrimas quando ela se aproximou devagarinho e sentou-se na beirada da cama. Os machucados pareciam bem mais graves de perto.
- Droga, Jake, voc no podia apenas tentar distra-lo? Ele puxou-a para mais perto.
- Eles estavam determinados a capturar Nicholas, ou ento mat-lo.
- E ento, voc decidiu bancar o heri.
- No havia como no fazer isso. Nicholas e Rebecca corriam perigo e fiz o que pude para salv-los.
Rowena levantou a cabea para fit-lo.
- E fazendo isso quase me matou de susto. No foi como se voc tivesse ajudado uma velhinha a trocar o pneu do carro debaixo de um temporal. Aqueles homens eram bandidos armados. E se voc tivesse morrido? O que seria de Sammy? E de mim? Jake acariciou seus cabelos sedosos.
- Sabe? Voc est falando como algum que se importa comigo.

Rowena escondeu o rosto contra os plos suaves de seu peito. Aquele era o problema... Ela se importava. Muito.
- Claro que me importo. Sou sua esposa.
- As esposas normalmente se importam porque amam seus maridos.
E agora? O que supostamente ela poderia dizer? - Voc quer que eu o ame?
- Quero. Por que a surpresa?
- Porque... bem, quando nos casamos, dissemos que no era por amor.
- Voc disse isso, eu no.
- Oh... Ento... - Rowena engoliu em seco. - Ento, voc me ama?
- Eu no disse isso. - Jake falou com tanta simplicidade, como se no importasse. Como se no magoasse seu corao.' - E ainda assim espera que o ame?
- Espero.
- Faz idia de quanto poder isso dar a voc sobre mim? Sabe o quanto poder me magoar?
Em vez de responder, Jake a beijou, ardorosamente.
- No se preocupe, minha doce Rowena. Tratarei seu corao como se ele fosse o diamante mais precioso, mais perfeito do mundo.
Lgrimas deslizaram dos olhos dela. Jake virou-se na cama para abra-la.
- No chore, meu bem. Se eu pudesse amar algum, seria voc. Mas aps o que Annette me fez, creio no ter restado um s pingo de amor em meu corao.
- Mas voc ama o seu filho. Ele beijou-a na testa.
- Amor filial.  diferente. - Entendo.
Ela de fato entendia. Na verdade, as palavras de Jake a encheram de esperana. Pensava o mesmo que ele, aps Heinrich. Estava determinada a nunca mais amar. E se ela havia conseguido esquecer a mgoa e tornar a amar, Jake tambm conseguiria.
- Eu te quero, Rowena. Voc  a nica mulher com quem me vejo vivendo o resto da minha vida. E prometo ser o mais fiel dos maridos. Acha que isso no basta?
  
Rowena assentiu.
- Esse casamento ento  para toda a vida?
- Assim espero. No ouviu os votos que fizemos? At que a morte nos separe.
- Eu no sei... nunca discutimos isso. Julguei que viveramos juntos at que Annette desistisse de obter a custdia de Sammy. - Quando me casei com voc eu esperava que fosse para sempre.
Ela assentiu.
- Ento, assim ser. - Promete?
- Prometo.
Outra mulher tambm prometera. Mas em vez disso, destrura todo o amor que Jake tinha para dar. Annette. Rowena no pensava muito nela, mas agora estava determinada a saber tudo a respeito da sua ex-esposa.
Talvez assim descobrisse uma pista de como devolver a Jake o seu corao... para que pudesse entreg-lo a ela.

Captulo 10


Nois dias depois, no meio da tarde, Jake entrou na biblioteca escondendo uma pequena caixa atrs das costas. Chegava em casa na hora do sono da tarde de Sammy... propositalmente. Queria dar algo muito especial  sua esposa.

Rowena, sentada  escrivaninha, ergueu os olhos quando ele entrou na biblioteca.
- Pensei que voc fosse ficar at mais tarde no palcio. Ele sorriu e aproximou-se.
- O chefe me dispensou mais cedo...
Rowena inclinou-se para trs na cadeira para que ele a beijasse... o que ele fez profundamente, at quase tirar-lhe o flego. - Voc est agindo feito um colegial que cabulou a aula para ir ver a namorada. Est escondendo alguma coisa a atrs? - Bem, espero que voc goste - disse ele, entregando-lho a caixa.
Rowena olhou intrigada. - O que ?
- Algo para voc usar no prximo evento no palcio. Sei, que fica nervosa s de pensar em atender a um deles. Quem sabe isso a deixar mais confiante.
- Bem, ser a primeira vez que atenderei um como uma Stanbury.
Ela abriu a caixa lentamente, como se temesse que algo fosse saltar de dentro dela. Quando a abriu, Rowena engoliu em seco. - Oh, Jake, que coisa mais linda!
- No tanto quanto voc - disse ele, feliz por t-la agradado. Ela fechou a caixa que continha um colar e um par de brincos de ouro adornado com pedras preciosas.
- Isso deve ter custado uma fortuna. E voc j gastou bastante com o nosso casamento.
- No se preocupe com dinheiro, minha doce Rowena. Tenho o suficiente, e me agrada gast-lo com voc. - Ele deu uma risadinha. - No mereo um beijo?
Ela o fitou seriamente, depois fez meno de levantar-se. Jake no permitiu.
- Ei, o que h?
- Voc est tentando me seduzir com presentes caros, mas no vai adiantar. Eu j disse. No estou interessado no seu dinheiro, nem em parecer uma princesa... ou em me sentir como uma.
- No gostou do presente?
- Voc no est entendendo... O colar e os brincos so belssimos. O que no me agrada  a sua atitude.
- Que atitude?
- Voc est tentando comprar o meu amor.
Jake ficou parado, atnito com sua percepo. Era a segunda vez que Rowena acertava em cheio, desnudando aspectos de sua psique que ele desconhecia.
De fato, ele queria o seu amor e precisava encontrar um modo de faz-la ficar com ele... para sempre. No sabendo como alcanar sua meta, optou pelo mtodo que usava com Annette.
- Nada disso. S quero que voc se sinta especial. Vi as jias na vitrine da joalheria e achei que combinariam com seus olhos. Rowena parecia muito desapontada.
Tolo. Sabia que Rowena no era como Annette. Ento por que achou que funcionaria? Mas o que mais lhe daria? Jake aprendera que era melhor ir direto ao ponto.
- O que voc deseja, Rowena? Seus belos olhos ficaram enevoados.
- O que voc realmente quer  descobrir como fazer para que eu o ame.
Sua percepo tornou a surpreend-lo.
Nos negcios, ele nunca deixava escapar um pista sequer daquilo que pretendia, se falava srio ou blefava.
No entanto, Rowena era capaz de ver o homem dentro dele, um homem to desesperadamente enterrado que nem mesmo Jake o conhecia.
Ningum fizera aquilo antes. E a possibilidade de algum conhec-lo to profundamente era assustadora. Sentiu a garganta apertada, pura emoo.
- No quer me dizer o que fazer?
Ela olhou para a caixa das jias por um longo momento, at dizer, hesitante:
- Tente partilhar sua vida comigo. Falar de seus temores, de suas esperanas, de seus planos para o futuro. O que espera que Sammy seja quando crescer... - Ela ergueu os olhos para fit-lo. - S o que desejo  voc, Jake. Apenas voc.
Ento ela o beijou. O bebo foi justamente como ela, doce e passional.
Jake respondeu com igual paixo. Por fim encontrara o que estava procurando, uma mulher que no se impressionava com ttulos de nobreza e nem com dinheiro. Uma mulher que o via exatamente como ele era, que o amava por ele ser o que era.
Mas Rowena desejava algo em troca. Algo que ele no sabia se seria capaz de dar. Ele mesmo.
Quando o beijo terminou, ele afastou uma mecha dos cabelos de seu rosto, pensativamente.
Talvez a sada fosse adiar, tentar aprender mais sobre si mesmo. Ali poderia haver uma pista de como proceder.
Ele sempre mostrara s mulheres apenas aquilo que elas desejavam ver. Agora, para ter Rowena, ele teria de abrir as cortinas de sua alma... e mostrar aquilo que havia atrs delas. Talvez assim ele conseguisse.
E por que no? Ela j vira o pior dele.
Seria possvel Rowena conhec-lo, todo, e ainda am-lo? Talvez no. Mas no havia como saber o que mais se escondia dentro das suas profundezas obscuras.
No entanto, o que parecia ser certo  que ela no o amaria se ele no se abrisse. E Jake queria o seu amor.
Ento, teria de tentar.
- O que acha de passarmos o dia fora, eu, voc e o Sammy? Sabe de algum lugar onde possamos ir?
- Mas e a sua perna?
- Contanto que eu no precise caminhar quilmetros, ficarei bem.
- Eu adoraria. H as runas do antigo castelo no lado norte da ilha. Visitaremos o lugar e faremos um piquenique, que tal? - Maravilhoso. - Ele tornou a beij-la. - Ento, est combinado.
- Direi a Sammy quando ele acordar. E no vale dar para trs. - No se preocupe. Isso no acontecer.
Jake puxou Rowena do cho, querendo que ela levantasse. - Vamos nos sentar perto dos rochedos?
- Mas e Sammy?
- Ele est dormindo e no estaremos longe. Perturbaremos seu sono com nossa conversa.
- Est bem. - Ela ajeitou o lenol em torno do corpo do garotinho adormecido.
Quando ela endireitou-se, Jake ofereceu-lhe a mo.
Ali do alto da colina,  direita, perto dos rochedos, avistava-se as runas do castelo. Quase que um tero dele j havia desmoronado no mar, uma evidncia do abandono, e da eroso das rochas.
- No conheo muito de Edenbourg, mas devo admitir que o pas  maravilhoso. O tipo de lugar que se imagina ser o cenrio de um conto de fadas.
- O que no  muito bom. - Por qu?
- Porque se cresce acreditando na Bela Adormecida, no Prncipe Encantado, e em todas essas tolices.
O mar estava bravio naquele dia, embora a brisa soprando fosse quente o suficiente para eles no sentissem frio.
- Que mal h nisso? Rowena suspirou.
- Voc no deixa escapar nada, no  mesmo? - Sou advogado, lembra-se?
- E dos mais habilidosos, pelo que ouvi dizer... - Obrigado.
- Necessariamente no foi um elogio. Ele podia notar o riso em seus olhos.
- Mais piadas de advogados? Se bem me lembro, ns falvamos sobre contos de fada.
Rowena tornou a suspirar.
- Cresci ouvindo histrias de fada. Minha me adorava cont-las, e eu adorava ouvir. Talvez por isso sonhasse que, quando crescesse, me tornaria uma princesa. Meu prncipe encantado chegaria montado em seu cavalo negro, me colocaria na garupa e me levaria com ele, para uma vida inteira de felicidade.
- Mas o cavalo no era branco?

- Geralmente , mas prefiro os cavalos negros.
- Esse seu prncipe deve ter sido um cavaleiro negro. Estou vendo uma certa tendncia aqui. Voc deve gostar de bad boys. No admira ter se casado comigo.
Ela deu uma risadinha.
- Voc tem um cavalo negro? Jake respondeu sorrindo:
- Cavalo, no, mas tenho um BMW negro. Serve? - Suponho que ter de servir.
Jake beijou-lhe o alto da cabea.
- E ento? Como foi que os contos de fada comearam a perder o interesse? Quando voc comeou a se interessar por rapazes? - Quando conheci o prncipe Heinrich de Leuvendar. Rowena ento contou como foi que ela se apaixonou pela primeira vez, como ficou decepcionada quando Heinrich insistiu para que ela dormisse com ele, como prova de seu amor. Quando ela se recusou, para se vingar, ele disse a todos exatamente o contrrio, que seu desempenho na cama era fantstico. E no somente com ele.
Enquanto falava, Rowena relaxou contra Jake. Ele, no entanto, ficava cada vez mais revoltado a cada palavra que ouvia. Quando ela terminou de falar, Jake desejou poder matar o idiota. No admirava ela ter uma opinio to m a respeito dos prncipes.
- Foi desse modo que voc ganhou sua reputao de namoradeira? - Ela assentiu. - Sinto muito, Rowena. Se me disser onde posso encontrar esse tal de Heinrich, vou at l e acabo com ele.
- No  necessrio. Ele j foi suficientemente castigado. Casou-se com a princesa Malika, de Sabinov.
- Voc a conhece?
- Ela visitou Edenbourg h alguns anos. Foi colega de classe de Dominique. No trouxe dama de companhia e certa noite precisei ajud-la a vestir-se para uma festa. Aps duas horas atendendo-a, ameacei me demitir caso Isabel tornasse a me pedir para atend-la. Acabaram encontrando algum suficientemente desesperado por dinheiro para agent-la por mais dois dias. Ela no tornou a ser convidada. Graas a Deus.
- Eu gostaria de ter estado aqui, para poup-la desse tipo de agresso.
Rowena o fitou.
-  muita bondade de sua parte querer me proteger, mas no  uma atitude inteligente. Espero que no esteja fazendo o mesmo com Sammy.
- Por qu?
- Porque chegar o dia que voc no estar por perto para proteg-lo, e ele no saber como agir em uma situao difcil. Melhor deix-lo experimentar as coisas ruins com voc por perto, mostrando-lhe como lidar com elas.
Uma forte emoo tomou conta de Jake. Rowena era uma me perfeita, paciente, inteligente... Por isso a amava tanto. Sim, amava aquela bruxinha encantadora que mal alcanava seu queixo.
O alvio o inundou enquanto entendia o esforo que fazia para sufocar os prprios sentimentos. Ele era mesmo um tolo. Amar Rowena era bom, era certo. No continuaria escondendo seu amor. - Jake?
- Hein?
- No quer me falar a respeito de Annette? - Para qu? Para estragar o nosso dia? Ela o encarou.
- Sei apenas o bsico. Ficaram casados apenas quatro anos, se divorciaram h dois e voc obteve a guarda de Sammy. Sei tudo isso, mas no sei os motivos.
Jake pegou as mos dela e comeou a falar, contando tudo o que ela queria saber.
Enquanto ele falava, Rowena ouvia, espantada com cada uma das revelaes. Jake assumira a culpa por vrios dos erros que Annette cometera.
E quanto mais ele falava, mais Rowena percebia o quanto ela mesma se parecia com Annette. No apenas por ter se mudado para a manso para espion-lo. Isso ela fez por seu pais.
No. O egosmo de Rowena era maior do que o de Annette. Annette no amava Jake, portanto, no era nenhuma surpresa ela ter feito o que fez.
Rowena no entanto o amava... e deliberadamente rejeitava aquele amor. Recusava-se a dar-lhe o que ele desejava... seu corpo, sua alma, seu corao. Tudo por causa de alguma tola noo que martelava em sua cabea, sobre estar se protegendo.
Como se seu corao fosse ficar menos despedaado se lhe negasse as coisas que ele desejava... coisas que ele precisava to desesperadamente de uma mulher... coisas que jamais tivera. No era surpresa que Jake no correspondesse ao seu amor.
Ela suspirou. Pensar em entregar-se a ele era assustador, mas talvez tivesse coragem de fazer isso mostrando o quanto o amava. Quem sabe algum dia ele poderia corresponder ao sentimento.
Determinada, Rowena ajoelhou-se diante dele. Com uma das mos em cada lado do seu rosto ela o fitou.
- Obrigada, Jake, por ter partilhado sua mgoa comigo. - Obrigado por ter ouvido.
- Jake? - Sim?
- Eu...
De repente, Rowena captou. um movimento alm dele. Seus instintos maternos ficaram em alerta enquanto ela olhava para Sammy. O que ela viu, no entanto, a fez sorrir ternamente. - Oh, meu Deus.
- O que foi? - Shh. Olhe.
Um filhote de veado inclinava-se sobre Sammy. O garoto havia virado de costas para assim, com a mo estendida, poder afagar a cabea do animalzinho.
Enquanto eles observavam, o filhote lambeu o rosto de Sammy, fazendo-o rir.
- Onde est a me dele? Ali est. - Jake apontou em direo s runas do castelo.
A cora pastava h alguns metros, mantendo os olhos no filhote. Segundos depois, ela levantou a cabea e emitiu um som, chamando-o, o que fez o animalzinho afastar-se de Sammy e correr para a me preocupada.
Jake passou os braos em torno de Rowena.
- Obrigado, minha princesa, por nos ter trazido para conhecer este lugar mgico...

Exausto, porm maravilhado com o passeio, Sammy dormiu cedo naquela noite. Jake e Rowena acabavam de coloc-lo na cama. - Pobrezinho. Nem pediu que contssemos uma histria.  a primeira vez que acontece... - Jake fechou a porta do quarto atrs de si.
Rowena aguardava dois passos adiante, em agonia. Seria agora, ou nunca.
Quando a porta se fechou, Jake virou-se e estudou seu rosto. - Jake, eu preciso...
- Voc no quer... Ambos riram, nervosos. - Voc primeiro - disse ele.
- Est bem. - Ela olhou para o final do corredor. - Podemos conversar?
- Pois no... Onde quer que conversemos?
- Oh, em qualquer lugar. Que tal... - Rowena limpou a garganta. - Que tal em seu quarto?
Jake nada disse, apenas colocou a mo em suas costas e impeliu-a pelo corredor at o quarto, como se ela no soubesse onde ficava o aposento.
O calor da mo dele em suas costas, de modo to ntimo, a fez estremecer.
- Est com frio?
Rowena tornou a estremecer. - No, no estou.'
O abajur sobre a mesa-de-cabeceira fornecia a nica luz dentro da sute. A decorao ali era estilo Luiz XV, com muito dourado e branco.
Jake fechou a porta atrs deles.
Rowena fitou-o mas no foi capaz de sustentar seu olhar. Virou-se e caminhou lentamente pelo macio carpete. - Esta tarde, enquanto conversvamos, me dei conta de algo, e creio que voc deveria saber.
- O que foi?
Ela alcanou a cmoda do outro lado do aposento e olhou para o espelho de parede ao lado. Jake no se movera.
- Tenho sido muito egosta. Tenho guardado segredos que deveria revelar a voc.
- Segredos? Voc sabe algo sobre o rei? - Jake deu um passo adiante.
- Oh, no se trata disso. - Rowena olhou para o cho. - Pelo amor de Deus, Rowena, diga logo o que est acontecendo. Ela virou-se repentinamente.
- Eu te amo.
Em vez de ficar exultante como ela imaginava, Jake parecia surpreso.
- Voc ouviu o que eu disse? Eu disse que...
- Que me ama. - Ele por fim sorriu. - Era esse o segredo que queria revelar?
- Sim. Acha pouco?
Jake cobriu a distncia separando-os e abraou-a.
- Oh, no, minha querida, claro que no.  suficiente para uma vida inteira. Contanto que voc de fato pretenda que dure tanto tempo.
Rowena agarrou-se a ele, fortemente.
- Receio que voc ter de me agentar a vida inteira. Porque eu jamais o deixarei.
Jake afastou-se para fit-la. Sua expresso revelava tudo o que ela podia esperar, espanto, alivio, contentamento, e paixo. Ento ele sorriu.
- O que a fez perceber isso, to de repente?
- No to de repente. Tenho uma confisso a fazer. Desta vez ele no forou-a a fit-lo. Apenas disse:
- Diga... No esconda nada de mim, Rowena, nunca mais. Ela bravamente empinou o queixo.
- Eu soube disso h muito tempo. - Que me amava?
- Sim: Desde que me props casamento... Ou melhor, suspeito que te amava antes disso. Mas me calei porque voc disse que no me amava. Mas hoje eu entendi que agir assim era puro egosmo. Eu estava sendo condicional, e meu amor por voc no . - Ela engoliu em seco. - Eu te amo, Jake Stanbury, e sempre te amarei, no importa se voc me ame ou no. E quero ser sua mulher, no exato sentido da palavra. Jake suspirou longamente e encostou o rosto no dela.
- Rowena, meu bem, voc tem certeza?
Ela ergueu os braos e enlaou-o pelo pescoo.
- Toda a certeza do mundo. E quero que voc faa amor comigo, esta noite.
- E nas outras noite tambm... e em todas as manhs. - Ele a beijou. - At que a morte nos separe.
- Oh, Jake.
Ele a abraou e beijou, intensamente, depois pegou-a no colo e levou-a para a cama. Quando a colocou em p, Rowena virou-se para se deitar, porm ele pegou-a pelos ombros e a fez encar-lo.
- Espere. H algo que precisamos discutir enquanto ainda h tempo.
- Sobre o qu?
- Voc pretende ter filhos comigo? Estou perguntando porque quero saber se devemos usar proteo.

Ele colocou as mos em seu peito, e sorriu quando sentiu as batidas do seu corao.
- Voc quer ter filhos comigo?
- Quero, por Sammy e tambm por mim. Adoro crianas. - Ele gentilmente apertou seus ombros. - Mas  sua a palavra final.
Rowena se ps na ponta dos ps e beijou-o.
- Ento esquea a proteo. Quero ter filhos seus. Muitos deles.
Uma forte emoo o inundou. Jake fechou os olhos e a trouxe para junto de si.
- Oh, Rowena. No vejo a hora de v-Ia imensamente grvida. Permitir que eu a toque? Partilhar comigo tudo o que ocorrer com voc?
Ela sabia, antes mesmo de ele ter perguntado, que sua resposta era importante.
- Annette no permitia, no ? Jake balanou a cabea.
- Ela odiou ter engravidado. Achava-se feia. No a vi sem roupa uma s vez durante a gravidez, e ela fez greve de sexo. E digo isso literalmente. - Ele por fim afastou-se para fit-la intensamente.
- Jake, me d um filho seu - sussurrou Rowena. - Jamais o afastarei dele, nem mesmo enquanto estiver dentro de mim. Porque ser seu filho tambm. Me d essa alegria, logo.
Ele pegou-a pela cintura e ergueu-a para coloc-la na cama. - Que tal esta noite? Ou acha que  cedo?
Rowena correu as mos entre os cabelos dele. - Cedo no,  a hora exata.
Jake tirou o suter pela cabea e jogou-o no cho. Ficar sem toc-lo era doloroso, mesmo sendo apenas por alguns segundos. Rowena estendeu a mo para o peito msculo assim que o viu desnudo. Suspirou quando tocou em sua pele. Fechou os olhos para saborear a conexo.
Jake comeou a abrir-lhe os botes da blusa. Alarmes tocaram na cabea de Rowena, mas ela tentou ignor-los. Julgou ter sido bem-sucedida at ele recuar e beij-la na testa.
- O que foi? Arrependida?
- No. Eu... - Ela tentou beij-lo na boca. - Por favor, vamos terminar logo com isso.

Jake no se mexeu.
- Terminar logo com isso? Mas, meu bem, isso no terminar to cedo... pretendo que dure horas, dias talvez.
- Oh, Jake... - Ela enterrou o rosto na curva de seu pescoo. - Tenho mais uma confisso a fazer.
- Rowena, olhe para mim... - Ela fez fora para encar-lo. - Entendo sua preocupao, mas saiba que no espero que seja virgem aos vinte e seis anos. - Jake pareceu intrigado quando ela balanou a cabea. - No  isso?
- Voc est enganado. Eu sou virgem... No consegui ter intimidade com ningum depois do que Heinrich fez.
Jake devia estar pasmado, porque nada disse.
- Espere... Voc disse que no conseguiu ter intimidade com ningum? De acordo com os mexericos, voc praticamente... - Pode dizer. Eu sei de tudo. Essa  mais uma razo por eu no querer confiar em nenhum deles.
Jake deu uma risadinha. Logo ele inclinou a cabea para trs e riu. E no parou, at que Rowena comeasse a esmurrar seu peito.
- Pare! No acho nada engraado.
- Pois eu acho... muito engraado, minha virgenzinha ardilosa. S voc mesmo para transformar algo ridculo em outro to delicioso.
Rowena no sabia se aquilo era uma crtica ou um elogio. Estreitou os olhos e agarrou os plos de seu peito, no muito gentilmente.
- Virgenzinha ardilosa, no ?
Jake gemeu suavemente, de prazer ou ento de dor, e seus msculos firmes tremeram sob os dedos dela.
- Diga uma coisa. Como voc consegue ser to sexy, sem nunca ter feito sexo?
Ele ergueu-se para segurar seu rosto com as mos em concha. O modo como a fitou a fez se sentir preciosa, sensual e longe de ser a mulher frgida que se julgava ser.
No se preocupe, minha doce Rowena - ele sussurrou contra seu ouvido. - Serei o mais gentil dos homens. Levaremos a noite inteira se preciso for. - Ele deu uma risadinha. - Bem, de qualquer modo, levaremos a noite inteira.
Rowena abraou-o.
- Jura que o fato de eu ser virgem no o incomoda?
- O fato de minha esposa nunca ter estado com um homem antes de mim jamais me incomodaria. - Ele beijou-lhe a ponta do nariz. - No, meu amor. Isso faz de mim um homem especial. Rowena prendeu o flego.
- Como foi que voc me chamou?
 - De meu amor.
Ela estudou-lhe o rosto. - E eu sou?
- Sim, voc , doce Rowena. Eu te amo.
- Me ama mesmo? Pensei que seria impossvel. Ele balanou a cabea.
- Fui muito idiota. Acreditava que, se no tornasse a amar, no tornaria a me magoar. Estava determinado a nunca mais entregar meu corao. - Ele inclinou-se e beijou-a. - Mas voc o roubou quando eu no estava olhando.
- Eu no pretendia roub-lo. Na verdade, eu no ia quer-lo se voc no me entregasse, de livre e espontnea vontade. - Estou entregando-o a voc agora. Ele  seu. Tranque-o bem trancado.
- No, meu amor, eu no o trancarei. O manterei em uma corrente em torno do pescoo, para senti-lo ali a todos os minutos do dia, para poder beij-lo sempre que sentir vontade.
- Oh, minha querida. O que foi que eu fiz para merecer seu amor? Seja o que for, deve ter sido algo maravilhoso. - S o que voc fez foi ser voc. S voc.  o que eu quero. No o seu dinheiro, nem jias, nem casas ou carros. Apenas voc. Sempre.
Com um gemido, Jake rolou sobre ela. Apossou-se de sua boca at ela se sentir incendiar. O calor era tanto que Rowena arrancou as prprias roupas, e depois as dele. 

Captulo 11


Jake beijou-a gentilmente no comeo. Depois, comeou a explorar-lhe a boca, acariciando, avanando, recuando. Rowena entregou-se ao prazer que o beijo lhe proporcionava.
Um dos braos msculos pousou em suas costas, estreitando-a. O outro insinuou-se entre ambos, massageando os seios fartos. Rowena suspirou, o corpo ardendo em chamas. No conseguia conter os gemidos de prazer.
Jake ento comeou a sugar-lhe os mamilos, dando vazo a um desejo selvagem, incontrolvel. Acariciou-lhe as coxas antes de concentrar-se no centro do prazer feminino. Rowena gemeu ao sentir o toque. O prazer h muito tempo contido explodia, poderoso, nos dois.
Jake continuou a explor-la. Depois, fez Rowena deslizar por sobre a cama, levando-a at a borda do colcho. Ergueu-a e ento, lenta e gentilmente, passou a insinuar-se dentro do corpo feminino, acarinhando, murmurando palavras ternas, para relax-la.
Tomada por um frenesi inigualvel, Rowena mordiscava-lhe o pescoo e os ombros, ansiando por mais e mais...
De repente deu um grito de dor. Era como se um ferro quente estivesse penetrando em suas entranhas, lacerando as partes mais delicadas de seu corpo.
Compreensivo, Jake beijou-lhe a boca com ternura, movendo o corpo lentamente sobre o dela. Aos poucos, o que era dor e sofrimento foi se transformando novamente em prazer, e Rowena voltou a se entregar quela sensao de volpia...
- Rowena... - Jake sussurrou-lhe ao ouvido, alucinado de paixo.

Seus corpos se moviam em ritmo cada vez mais acelerado, em busca do xtase absoluto. Entre gritos delirantes e beijos vorazes, atingiram o clmax, permanecendo agarrados um ao outro por vrios minutos.
Continuaram em silncio, olhando-se, acariciando-se emocionados, entregando-se a uma noite de xtase sem fim...
Dias depois, Rowena franziu a testa, e em seguida sorriu ao entender o que os dois documentos diante dela significavam. Ambos eram da poupana de Sammy, uma conta aberta pelos pais de Annette quando o neto nasceu. Mas algo ali no estava certo.
Os extratos da conta que lhe foram passados por fax naquela manh mostravam um saldo uns trinta por cento menor do que constava nos papis de divrcio de Jake.
O saldo deveria ter crescido, no diminudo, especialmente, quando os pais de Annette continuavam depositando mensalmente na conta do neto uma quantia bastante substancial.
Ningum tinha autorizao, a no ser Jake, de retirar dinheiro daquela conta. Rowena sabia que ele no tocaria no dinheiro do filho. Mas algum estava sacando dinheiro daquela conta, e fazer isso era crime.
Tinha de ser Annette.
Como ela tivera acesso  conta, Rowena no sabia. Aquilo no somente era ilegal, especialmente Annette no estando com a guarda do filho, mas provava que ela no era uma me adequada, j que se apossava do dinheiro do prprio filho menor.
Rowena recostou-se para trs na cadeira. Agora, tudo o que era preciso fazer era levar aquilo ao conhecimento do juiz que estava cuidando do caso, em Virgnia.
Ou melhor, pediria para Isabel falar com ele. Ela no tinha parentesco algum com os litigantes. Alm disso era uma celebridade mundial. Sua palavra teria mais peso.
Dois dias depois, no palcio, Isabel chamou Rowena de lado. O jantar em famlia estava para ser servido.
- Recebi um telefonema do juiz Ewing esta tarde.
O juiz Ewing, de Virgnia, era aquele que julgava o pedido de extradio, feito por Annette.
Muito agitada, Rowena segurou as mos de Isabel. - E o que foi que ele disse?
- Disse que havia falado com os advogados de Annette e de Jake esta manh. Ele negou dar a custdia a Annette e rescindiu a ordem de extradio.
- Sammy est salvo, graas a Deus. Isabel sorriu orgulhosa.
- Deus a tem apoiado bastante... Eu no sabia que voc era to engenhosa. Pena ter desperdiado seu talento tendo-a como minha dama de companhia. Devamos t-la na inteligncia.
Rowena dispensou o comentrio com um acenar de mo. - Basta um pouco de empenho, e voc conseguir descobrir o que quiser, quando o assunto a interessa. Em alguns casos, bastar torcer um pouquinho a verdade.
- E voc precisou fazer isso para ter acesso a certos papis. Especialmente os extratos da poupana de Sammy. Foi justamente o que convenceu o juiz. Mas voc no mentiu.  de fato a sra. Stanbury.
- Sim, mas no aquela a quem julgavam estar solicitando a informao.
De repente, Isabel alarmou-se.
- O que foi? - Rowena quis saber.
- Vi a cortina se mexer... Mas deve ter sido o vento. Rowena sorriu.
- De qualquer modo, Jake ficar feliz com a notcia. - No fique a parada. V correndo contar.
- No. E melhor deixar que o advogado d a notcia. Jake iria querer saber como obtive a informao, e prefiro que ele no saiba que andei bancando a espi.
Isabel sorriu, os olhos brilhando divertidos. Rowena sabia que Jake no acharia divertido.
Pretendendo encontrar Rowena para falar-lhe sobre o telefonema que recebera do seu advogado, Jake olhou feio para Luke quando ele o segurou pelo brao.
- O que foi? Ainda no vi minha esposa hoje.
- Ainda to obcecado por ela? Bem, talvez no por muito tempo.
- Estou com pressa, Jake. Solte logo o seu veneno.
- Estou tentando dizer que a sua Rowena no  o anjo que aparenta ser.
Jake ficou tenso.

- Me deixe em paz, Luke. No tenho tempo para as suas intrigas.
Os olhos de Luke estreitaram-se de raiva, embora ele sorrisse. - Sabia que sua adorvel esposa anda espionando voc? - Ela andou me espionando, quando me julgava suspeito do seqestro do rei.
- Tem certeza? No faz cinco minutos ela e Isabel conversavam sobre algo muito interessante.
- E o que tem isso? Elas vivem conversando.
- Sobre papis que sua mulher requisitou sob falso pretexto? O corao de Jake deu um pulo.
- Voc s pode estar delirando.
- Annette perdeu a custdia de Sammy, e pelo visto, o juiz deu a sentena esta manh. Como eu saberia disso se no tivesse ouvido a conversa delas?
Jake no respondeu. No pde. Ainda no contara a Rowena. Acabara de receber a notcia atravs do advogado. No havia como Luke saber, a no ser que estivesse dizendo a verdade.
Luke continuou falando, dando detalhes da conversa que ouvira. Mas Jake no o ouvia. As paredes do palcio pareciam fechar-se em torno dele.
- No seu lugar eu daria alguns telefonemas... Fale com o juiz Ewing - continuou Luke.
Jake no respondeu.
Um sino tocando anunciou o incio do jantar.
Como sempre, quando sua tortura no funcionava, Luke perdia o interesse por sua vtima. Ele virou-se em direo  sala de jantar.
Jake virou-se em direo contrria.
Um pouco mais tarde, Jake olhava para fora pela janela da biblioteca, sem nada enxergar. Passara os ltimos minutos no telefone, falando com o juiz. Luke dissera a verdade. E mais, ele encontrara uma pasta sobre a escrivaninha contendo uma cpia de cada documento bancrio, demonstrativos de suas finanas, extratos da conta de poupana de Sammy, alm de papis de seu divrcio.
A mulher que o fez acreditar que no tinha o menor interesse em seu dinheiro, em seu ttulo de nobreza, que no se interessava por nada, exceto por ele, o trara... como Annette o trara.
Mas aessa vez a traio doeu fundo. Com Annette ele vira chegar. Rowena o pegara desprevenido.
O que diria a Sammy? Que a mulher que ele aprendeu a amar, que prometeu jamais deix-lo era uma mentirosa, sem escrpulos?
Ele estremeceu ao ouvir a porta da frente abrir e em seguida fechar.
- Jake? Voc est em casa?
Segundos depois a porta da biblioteca abriu  suas costas. Ele no se virou.
- Ah. Voc est aqui? O que faz no escuro? Ouviu seus passos cruzarem o aposento.
- Disseram no palcio que voc havia sado com Sammy antes do jantar. O que houve? Sammy no passou bem? - Ela o abraou pelas costas. - Por que no responde? Est zangado comigo?
- Voc  to hbil obtendo informaes que julguei que no fosse necessrio avisar.
Ela ficou imvel.
- Como assim? O que est havendo?
Ela foi acender a luz e voltou para peg-lo pelo brao e faz-lo voltar-se.
Jake ficou grato pela luz. Queria ver sua expresso quando falasse com ela.
- No vai me dizer o que est acontecendo? - insistiu ela. Parecia to sincera.
- Por que voc no me diz o que est acontecendo? Ou ainda, desde o momento em que se mudou para c?
- No estou entendendo. Voc sabe por que me mudei, e sabe de tudo o que aconteceu desde ento.
- Voc veio para c para me espionar.
- Ora, Jake, ns j conversamos sobre isso.
- Era o que eu pensava. Voc concordou que trabalhssemos juntos, lembra-se?
- Claro.
Jake se aproximou da escrivaninha e ergueu uma pasta. - Sabe o que  isso?
Rowena abraou a si mesma. A pasta a que ele se referia continha os papis que provavam as evidncias contra Annette. - Onde voc a encontrou?

- No mesmo lugar que voc deixou, junto com os meus papis. Muito inteligente. No toco neles desde que vim para c, embora saiba que voc tem feito isso. Os trouxe comigo justamente para que ficassem fora do alcance de Annette.
- Ela tem a chave do seu apartamento?
Rowena sabia que a pergunta era irrelevante, mas precisava de tempo para pensar em um modo de convenc-lo que no agira de m f. Que fizera aquilo por ele, no contra ele.
Mas havia o fato de ter prometido contar tudo a ele, e no contara. Na verdade, mentira para ele. Jake por vrias vezes perguntara se ela sabia de algo. E ela respondia que no.
O que tecnicamente era verdade. O que Isabel encontrara no apartamento no foi considerado como sendo uma evidncia. Mas Jake confiara nela, em troca Rowena o trara.
- No, Annette no tem a chave. Mas sendo bonita como , consegue ser bem convincente quando quer alguma coisa. Mas no estamos falando sobre Annette, e sim sobre a minha nova ex-mulher.
Rowena deu um passo em sua direo.
- No, Jake... Voc no est entendendo. - Ento, por favor, explique-se.
Rowena apontou para a pasta sobre a escrivaninha. - Fiz o que fiz por voc. Por ns. Por Sammy.
- Por Edenbourg, voc quer dizer... - Sua voz era puro gelo.
- No faa isso, Jake, por favor.
- Tenho de lhe dar crdito. Voc de fato me convenceu que me amava.
Lgrimas amargas inundavam os olhos de Rowena.
- Jake, por favor, me oua... Isso nada tem a ver com a investigao que fiz sobre o seqestro... Foi s um cime tolo. Quando voc disse que no poderia me amar, tentei descobrir o que Annette fizera para deix-lo to descrente. Julguei que sabendo exatamente o que ela fizera, eu poderia faz-lo esquecer a dor, sarar seu corao.
Ela sorriu, tristonha.
- Quando comecei a comparar seus gastos com seus rendimentos, e que ela gastava mais do que recebia, comecei a investigar. Foi ento que descobri que estava sacando dinheiro da conta de poupana de Sammy. Na hora em que obtive a informao, que julgava ser to til, pensei que seria mal interpretada se as passasse a voc, que voc no iria gostar.
- E fez o que fez mesmo sabendo como eu me sentia?
- Apenas obtive a informao que acabou com os planos de Annette de tirar Sammy de voc. Que mal h nisso?
- Presumo que devo agradecer-lhe pelo excelente trabalho que prestou. Mas foi justamente esse trabalho que a desgraou, Rowena. Como posso confiar em uma esposa que esconde fatos to importantes de mim?
- Jake...
- Voc mesma disse, Rowena. Estar casado  partilhar. E o que voc partilhou comigo? Nada, alm de mentiras. Rowena mal conseguia v-lo atravs das lgrimas.
- Partilhei o meu amor, Jake, e voc no pode negar isso. - Guarde isso para algum mais crente.
No havia mais o que dizer. Rowena virou-se para deixar o aposento. Antes de sair pela porta ela virou-se.
- Vou dizer adeus a Sammy, e depois... - No. Prefiro que no torne a v-lo.
- Por favor, Jake. Sammy me ama. Tambm o amo. Voc no pode afast-lo de mim.
- Sammy  meu filho, no seu.
Rowena sentiu as palavras dele como um golpe no corao. O que dizer para convenc-lo de que o amava de verdade? Nada.
- Vou arrumar minhas coisas.
No  necessrio. Voc pode ir agora. A sra. Hanson arrumar tudo que  seu e enviar ao palcio.
Rowena nada disse. No conseguiu.
Aquela era uma lio que ela jamais esqueceria.
Jake encontrava-se ao fundo da sala de conferncias enquanto os demais participantes faziam uma pausa no meio da manh. Ele no precisava esticar as pernas. Precisava de toda a calma, manter o controle.
No queria nem saber o que havia acontecido com Luke. No queria dar a ele a satisfao de saber que destrura sua felicidade. Embora talvez devesse agradecer-lhe por abrir-lhe os olhos.

Se ele apenas pudesse convencer a si mesmo que Rowena era a traidora que na noite anterior ele acreditara ser... Aps ela ter deixado a manso, Jake examinou mais detaIhadamente os documentos na pasta. Pde ver claramente a correta concluso a que ela chegara. Cada um dos documentos que requisitara a levara a mais e mais informaes sobre Annette, no sobre ele.
Jake queria acreditar em seu amor mais do que tudo. Mas tinha medo. No que dizia respeito s mulheres ele j provara no ter a menor habilidade.
De repente o silncio da sala foi quebrado pelo toque do telefone. Jake deixou tocar algumas vezes antes de atender. Quem seria?
- Al?	_ - Al, senhor... Tenho uma pessoa na linha dizendo ter informaes a respeito do rei Michael. Pensei que gostaria de atender.
- Sim, por favor, me passe a ligao.
Momentos depois, uma voz camuflada, que bem poderia ser de mulher, perguntou:
-  o prncipe?
- Sim, sou eu. Em que posso ajudar?
- Continue procurando. O rei ainda vive... Por enquanto... - Onde ele est? Quem est falando?
Como resposta ele ouviu apenas o som de linha. Imediatamente, voltou a falar com a telefonista. - Voc tem um identificador de chamadas?
- Sim, senhor. Mas levar alguns minutos at descobrirmos a exata localizao e o nmero de onde foi feita a ligao. - timo. Me avise assim que obtiver a informao.
Jake recolocou o telefone no gancho e aguardou. Precisava avisar algum sobre o telefonema. Mas a quem? Rowena. Balanou a cabea. Por que o nome dela foi o primeiro a lhe ocorrer? Rowena nada tinha a ver com a investigao que estava sendo feita.
No entanto, ele precisava passar a informao para a esposa. Ela era a nica em quem confiava, que no chegaria  concluso de que se ele sabia que o rei estava vivo era porque ele prprio o seqestrara.
A nica pessoa em quem ele confiava.
Jake pensou naquelas palavras. Eram verdadeiras. Confiava nela. Acreditava nela. Amava aquela mulher.
Aquela constatao o assustou. Ele com certeza no agira como se a amasse, como se acreditasse e confiasse nela. Pelo menos, no nas ltimas dezoitos horas.
Mas Jake tinha suas razes. Na noite anterior, ele estava angustiado, julgando que fora trado mais uma vez. Mas Rowena no o trara, ela o ajudara.
Ela de fato errara ao esconder-lhe o que estava fazendo, e por que estava fazendo, mas admitira estar errada. Nenhuma mulher faria aquilo por ele. Era uma prova de que ela o amava com sinceridade.
Precisava procura-la, confessar sua estupidez, implorar por seu perdo.
Jake virava-se para sair quando o telefone tocou. - Sim?
- Senhor? A chamada partiu de um telefone pblico, em frente ao museu de arte.
- Est bem. Obrigado.
- s suas ordens, senhor.
Jake desligou o telefone e sorriu. Pelo menos ele tinha um bom motivo para bater  porta de Rowena. Se lhe fosse permitido entrar, caberia a ele convenc-la a deixar que ficasse.
Rowena recuou, surpresa ao deparar com Jake  porta. - Jake! Eu estava indo procura-lo.
- Estava? - Ele ergueu-lhe o queixo com a ponta dos dedos. - Voc. est chorando? O que houve.
- Oh, Jake, eu... Por que veio me procurar?
Jake hesitou, sem saber s deveria tentar salvar seu casamento, ou o rei. O advogado nele venceu a batalha. Ele ainda estaria com ela aps Rowena ter passado a informao a quem interessava.
- Eu estava na sala de conferncias quando... Jake narrou o estranho telefonema que recebeu.
Aps ter ouvido o que ele disse, Rowena quase o arrastou para a porta.
-- Vamos. Temos de contar  famlia. Jake segurou-a pelo brao.


- Espere! Precisamos pensar no que dizer. Na certa eles diro que, se eu sei que o rei est vivo,  porque o seqestrei. - Voc veio a mim primeiro? - Quando ele assentiu, os olhos dourados de Rowena se iluminaram. - Ento sabia que eu no pensaria desse modo? - Jake assentiu. - Quer dizer que confia em mim?
Jake passou um brao pela cintura estreita e a trouxe para junto de si.
- Confio, plenamente.
- Oh, Jake! - Ela abraou-o. - Quer me beijar, por favor? -  pra j...
Ele a beijou, apaixonadamente, o beijo mais apaixonado que j dera. Mas por fim, precisou deixa-la respirar.
Encostou o rosto no dela.
- Por mais que eu queira continuar beijando-a, precisamos avisar a famlia sobre o telefonema.
- Claro. Ainda bem que um de ns ainda  capaz de raciocinar. - Ela sorriu. - Vou ligar para Isabel e pedir-lhe que rena a famlia. Desse modo voc poder falar com todos de uma vez.
Uma hora depois, Jake iniciava uma nova reunio. A famlia real j se encontrava reunida quando ele chegou ao palcio com Rowena.
Rowena dirigiu-lhes a palavra, relatando o telefonema que Jake recebera aquela manh e de onde partira a chamada. A primeira a se manifestar foi a rainha, e disse exatamente o que Jake temia.
- Essa histria  muito estranha... Como foi que justamente Jake recebeu essa ligao, sendo o principal suspeito? Como ter certeza de que ele no inventou esse telefonema?
Jake ficou tenso.
- A telefonista deve ter o registro das chamadas. Ou ento, deve ter gravado a conversa.
- Voc poderia ter pago a algum para dar o telefonema, para se livrar da suspeita.
Jake estava enojado. Eles o tinham como sendo da famlia, no entanto, o tratavam como se fosse uma ovelha negra.
- Pois eu fao questo de...
A voz irada de Rowena o interrompeu.
- Como se atrevem a se dirigir ao meu marido dessa forma? Jake virou-se e deu com ela se dirigindo  rainha com as mos na cintura.
- Desculpe se estou sendo rude, Majestade... Mas todos aqui deveriam saber que meu marido  inocente. Estou to certa disso como estou da inocncia do prncipe Nicholas. Ele tambm  suspeito. Se  desse modo que vocs tratam a famlia, no quero fazer parte dela. .
Jake nunca a amou tanto quanto naquele momento. Ele beijou-a na testa.
- Podemos ir agora?
Ela assentiu, mas antes que pudessem sair, foram interrompidos por Nicholas, que levantou-se e falou:
- Rowena tem razo... Jake provou sua lealdade arriscando a vida para me salvar, e a Rebecca. Eu no sabia que ainda o consideravam suspeito. Desculpe, minha me, por eu no ter esclarecido isso antes.
O prncipe virou-se para Jake.
- Peo-lhe desculpas, Jake, em nome de todos. Jake assentiu.
- Concordo com Nicholas - disse Isabel. - Jake salvou a vida do herdeiro do trono. Por que faria isso se almejasse ser o rei de Edenbourg? O mesmo acidente exonera Nicholas da suspeita. Ele jamais arriscaria a vida de Rebecca.
- Essa parte est esclarecida? Podemos prosseguir com a reunio?
Todos concordaram.
- Muito bem - disse Nicholas. - O que poderemos descobrir atravs desse telefonema?
Aps muita discusso, todos se decidiram por um plano arriscado. Recorreriam ao sobrinho favorito da rainha Josephine, Benjamim Lockhart, que era um ssia do primo, para que ele agisse como isca, se deixando seqestrar em seu lugar. Se o plano desse certo, e todos esperavam que sim, isso os levaria  pessoa que premeditara o seqestro do rei.
A rainha hesitou por um momento, preferindo no arriscar a vida do sobrinho, mas por fim concordou.
Benjamim era tenente da Marinha de Edenbourg e era treinado para lidar com esse tipo de situao.
Nicholas a princpio tambm no aprovou a idia de precisar

se esconder, algo que considerava sei
uma
bou concordando ser necessrio, pelo rei, seu pai, para tentarem " encontr-lo, e para proteger a ele e  prpria famlia. Ter sido lembrado de que Rebecca j fora ferida foi o que o convenceu. Logo que a reunio terminou, Jake virou-se para Rowena. - Podemos conversar?
- Por favor. - Onde? Ela hesitou. - Em casa? Jake sorriu. - Vamos embora.
Sem soltar a mo delicada, Jake conduziu-a ao terrao e  escada que dava para os jardins do palcio.
Mas em vez de lev-la para casa, puxou-a para um dos bancos. - Mas o que...
Cobriu-lhe a boca com um beijo ardente. Rowena levou um instante para se recobrar da surpresa e receber seu beijo. Se ps na ponta dos ps para ficar mais perto dele. Deliciou-se em seus braos.
- Vamos para casa, Jake... - sussurrou contra seus lbios. - Iremos j, meu amor. Mas antes precisamos esclarecer algo. - Eu sou?
Ele sorriu.
- Sim, voc  o meu amor. Pelo menos se puder me perdoar. - Perdoar voc?
- Por no ter ouvido o que tentou me dizer. - Eu te perdoarei, se voc me perdoar. Jake beijou-a suavemente.
- Mas o que h para perdoar? Voc s estava tentando ajudar.
- Eu ainda no disse tudo. Lembra-se de quando me pediu para que investigssemos juntos o seqestro? O tempo todo eu tinha a chave de seu apartamento no bolso. Mandei fazer uma cpia dela e dei a Isabel, para que fosse a Nova York investigar seu apartamento.
Jake franziu as sobrancelhas. - Ela. encontrou alguma coisa? - Nada alm de livros, sobre Edenbourg.
- Precisei deles h alguns meses, para ajudar meu pai.
Ele servia como contato comercial entre Edenbourg e os Estados Unidos. Como queria que seus superiores o julgassem um expert em importao e exportao, eu no tinha permisso para contar a ningum que trabalhava por ele.
- Eu sabia que havia uma explicao. - Rowena suspirou. - Sinto muito, Jake. Precisei dar a chave a Isabel, para que visse com os prprios olhos que l nada havia contra voc, e em nenhum outro lugar. Ela estava determinada a fazer alguma coisa para tentar salvar a vida do pai. quela altura, ningum tinha certeza de nada.
- Creio que ns dois temos muito o que aprender sobre convivncia. Mas  isso o que o casamento significa.  o que faz a felicidade ser eterna.
- Ento, voc me quer de volta?
- E se voc no quiser voltar, a levarei  fora. Rowena relaxou contra ele.
- Oh, Jake, voc  o meu prncipe encantado. Ele a beijou, solenemente desta vez.
- Venha para casa comigo, meu amor, e fique para sempre...


Eplogo


-  voc, mame?
Rowena sorriu ao entrar em casa. - Sim, Sammy-Jammy. - Ela abriu os braos e o garotinho correu para abrigar-se neles.
- Adivinhe uma coisa, mame. - Deixa ver... Voc me ama? Ele deu uma risadinha.
- Te amo muito, mame, mas no  isso. - Ento, o que ?
Um leve movimento na sala a fez olhar naquela direo. Jake encontrava-se confortavelmente instalado. Parecia estar perfeitamente feliz observando-os.
Rowena tentou adivinhar se ele sabia que o sobrinho da rainha, Benjamim Lockhart, fora seqestrado, de acordo com o plano, passando-se pelo prncipe Nicholas, a caminho de uma importante misso. Nicholas e a famlia encontravam-se em um lugar seguro, conhecido apenas por umas poucas pessoas.
De acordo com o Tratado de Edenbourg, o pai de Jake, Edward, assumira o lugar do rei.
- Mame, voc ouviu? - Com as mos, Sammy trouxe seu rosto para diante do seu. - No  isso.
- No? Ento o que ? - Voc tem de adivinhar. - Deixa ver ento? Voc voou para a lua? Sammy deu uma risadinha.
- No, mame.
- Assim no d. Voc tem de me contar esse segredo. Sammy assentiu e olhou para o pai.
- Eu e papai compramos... Jake olhou srio para o filho. - No, Sammy.  uma surpresa. No  para dizer a ela por enquanto.
- Digam logo o que vocs compraram - pediu Rowena. Jake olhou para Sammy.
- Obrigado, filho, por ter estragado a surpresa. Ressentido, Sammy desvencilhou-se dos braos de Rowena e dirigiu-se  escada. Subiu para o quarto.
- Jake...
- Um momento.
Ele levantou-se e pegou uma pequena sacola de loja escondida sob a mesinha. Quando lhe estendeu a caixnha de veludo, Rowena o fitou com as mos na cintura.
- Eu disse a voc para no...
- Ser que no posso dar um presente  mulher que amo? Venha aqui.
Quando ela hesitou, Jake sorriu e puxou-a para perto. Pegou sua mo e beijou-lhe a palma, antes de ali depositar a caixa de veludo.
- Na primeira vez que fizemos amor, voc disse uma coisa que jamais esquecerei. Quero dar-lhe algo que a faa lembrar daquelas palavras.
- Que palavras?
- Voc disse que nunca mais se afastaria do meu corao, que o manteria em uma corrente em torno do pescoo, porque desse modo me sentiria perto de si a cada minuto do dia.
Ele abriu a caixa em sua mo.
- Como isso seria complicado, para no dizer fatal, estou lhe dando um smbolo dele para usar.
Rowena ficou sem flego. Um perfeito rubi cintilava contra o fundo de cetim branco da caixa, perfeitamente facetado em forma de corao. Mas foram as palavras de Jake que fizeram as lgrimas brotarem em seus olhos.
- Voc se tornou a dona de meu corao na primeira vez que a vi.
Ele pegou o rubi de dentro da caixa e prendeu a corrente que vinha junto com ele em seu pescoo.
- Te amo muito, Jake.
- Sei disso, meu amor, e o meu corao  seu, e ser para sempre.
